Saltar para o conteúdo principal da página

Toda a zona que rodeia o Portinho da Arrábida, incluindo o Conventinho e a mata de carvalhos - detalhe

Designação

Designação

Toda a zona que rodeia o Portinho da Arrábida, incluindo o Conventinho e a mata de carvalhos

Outras Designações / Pesquisas

Conventinho da Arrábida e Mata de Carvalhos

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Convento

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Setúbal / Azeitão (São Lourenço e São Simão)

Endereço / Local

Portinho da Arrábida
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A classificação abrange toda a zona que rodeia o Portinho da Arrábida, e inclui todas as dependências conventuais e igreja, o Santuário do Bom Jesus, o Forte de Nossa Senhora da Arrábida e a Mata de Carvalhos, onde as construções citadas se constituem como um núcleo harmonioso e bem integrado. A Mata está dentro do Parque Natural da Arrábida, numa área ocupada por vegetação diversa, com predominância para o carvalho, e alguns núcleos zoológicos e botânicos únicos no mundo. Em termos geológicos, a serra da Arrábida possui importantes mangas de calcários, onde se salienta a famosa "brecha" ou mármore da Arrábida. Da ocupação do local conhecem-se vários vestígios da presença romana, incluindo as numerosas cetárias, onde se salgava peixe e marisco. O domínio árabe está assinalado na designação da cordilheira, que, segundo a interpretação mais aceite, significa "convento fortificado". Admite-se ainda que tenha existido na serra uma colónia fenícia.
O convento da Arrábida foi construído em 1539-1542 por iniciativa de D. João de Lencastre, 1º Duque de Aveiro e proprietário da serra, que o ofereceu a Frei Martinho de Santa Maria, um religioso castelhano da Ordem de São Francisco, desejoso de fazer uma vida eremita devotada a Nossa Senhora. Na serra da Arrábida existia já, desde 1250, uma ermida da invocação de Nossa Senhora da Arrábida, erguida pelo inglês Hildebrando, mercador salvo de um naufrágio na costa setubalense; desta ermida pouco se sabe, embora numa visitação da Ordem de Santiago, levada a cabo em 1553, se enumere considerável acervo de alfaias litúrgicas e imaginária diversa, entre a qual estaria a imagem de Nossa Senhora da Arrábida que durante muito tempo atrairia peregrinos ao local.
Os frades arrábidos, cuja primeira comunidade era formada por religiosos castelhanos e pelo português Frei Diogo de Lisboa, dedicaram-se então a uma vida de pobreza e isolamento nas faldas da serra, onde se instalaram logo em 1539, em celas exíguas das quais persiste apenas uma, supostamente aquela ocupada por Frei Pedro de Alcântara e onde, segundo a lenda, residira anteriormente Hildebrando, mais tarde transformada em sacristia da primeira ermida. Em 1542, D. João de Lencastre manda erguer então a construção que se tornou conhecida por Convento Novo. Este é constituído por um núcleo de pequenas celas, igrejas e outras dependências, portaria, cozinha, refeitório e livraria. Mais acima na serra há uma pequena capela dedicada ao Ecce Homo e outra dedicada à imagem de Nosso Senhor Crucificado, e entre as árvores encontravam-se pequenas celas e capelinhas isoladas, as quais, tal como a actualmente conhecida por Casa do Círio ou Hospedaria, e as ermidinhas ou "guaritas" compondo uma estação dos passos da Cruz, foram sendo sucessivamente patrocinadas pela família do 1º Duque de Aveiro. O conjunto pertence hoje à Fundação Oriente.
Por sua vez, o Forte de Santa Maria está situado sobre um rochedo no sopé da encosta sul da serra, a sudoeste do Portinho da Arrábida. Faz parte do conjunto de fortalezas seiscentistas que desde Setúbal se estendiam até ao Forte da Baralha, perto do cabo Espichel, dentro do plano defensivo instituído por D. João IV em 1640. Segundo refere a inscrição da entrada, foi mandado construir em 1676 pelo então príncipe regente D. Pedro, para garantir a defesa do Porto e impedir o desembarque dos piratas que vinham assaltar o convento próximo, e proteger os pescadores e os peregrinos que vinham à ermida e ao santuário na serra. Da primitiva traça seiscentista do edifício de planta rectangular, inserido em baluarte hexagonal, e alterado em obras de finais do século XVIII, encontram-se alguns elementos particularmente notáveis, como as lápides e a pedra-de-armas da entrada. O forte conserva uma imagem seiscentista de Nossa Senhora da Arrábida. Em 1932 foi adaptado a pousada, e, em 1978, depois de entregue ao Parque Natural da Arrábida, recebeu obras de beneficiação para aí se instalar o Museu Oceanográfico. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Portugal antigo e moderno: diccionario geographico, estatistico, chorographico, heraldico, archeologico, historico, biographico e etymologico de todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande numero de aldeias...

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

PINHO LEAL, Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de, FERREIRA, Pedro Augusto

Título

A Arrábida: esboço geográfico, Tese doutoramento em Ciências Geográficas, Universidade de Lisboa, Separata da Revista Faculdade de Letras, 3

Local

-

Data

1935

Autor(es)

RIBEIRO, Orlando

Título

Arrábida: qualidades cénicas da paisagem, Tese mestrado em Gestão de Recursos Naturais, Universidade Técnica de Lisboa

Local

-

Data

1998

Autor(es)

NASCIMENTO, Clara Isabel Martins Vicente

Título

Dinâmica e estrutura da paisagem da Serra da Arrábida 1950-1994, Tese de Mestrado

Local

-

Data

1998

Autor(es)

ALMEIDA, Mário Henrique Tavares Moreira de

Título

Arrábida (publicação comemorativa do centenário da fundação do antigo Círio da Arrábida de Setúbal )

Local

-

Data

1956

Autor(es)

ALBINO, José Maria da Rosa

Título

O Forte de Nossa Senhora da Arrábida, in Natureza e Paisagem, nº 7

Local

-

Data

1979

Autor(es)

CALLIXTO, Carlos Pereira

Título

Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, vol. III

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

LOPES, Flávio