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Palácio dos Duques de Aveiro - detalhe

Designação

Designação

Palácio dos Duques de Aveiro

Outras Designações / Pesquisas

Paço dos Duques de Aveiro / Palácio dos Duques de Aveiro(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Setúbal / Azeitão (São Lourenço e São Simão)

Endereço / Local

Praça da República
Vila Nogueira de Azeitão

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)
Edital N.º 16/75 de 16-04-1975 da CM de Setúbal
Despacho de homologação de 13-02-1975 do Secretário de Estado da Cultura e Educação Permanente
Parecer da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP
Processo iniciado em 1974 na DGAC

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A beleza natural, os ares da serra e do mar e a abundância de caça e pesca fizeram de Azeitão, entre o século XV e o início do século XIX, uma zona de lazer privilegiada, disputando com a vila de Sintra as preferências da nobreza e da corte. A região recebia frequentemente a visita de D. Jorge, filho bastardo de D. João II e Mestre da Ordem de Santiago, então sediada no Real Convento de Palmela. D. Jorge era senhor do vasto morgadio de Aveiro, o segundo maior do Reino, tendo seu filho D. João de Lencastre recebido o título de Duque de Aveiro a partir de 1547, por mercê de D. João III. Entre as vastas propriedades da família incluía-se a serra da Arrábida, cujo convento foi construído em 1539-1542 por iniciativa de D. João de Lencastre, que ofereceu os terrenos necessários a Frei Martinho de Santa Maria.
A construção do Palácio dos Duques de Aveiro, no Rossio de Vila Nogueira de Azeitão, fez-se sobre algumas casas contíguas ao Convento de São Domingos, onde D. Jorge e D. João de Lencastre se hospedavam durante as suas estadias na zona. As obras devem ter arrancado por volta de 1521, sabendo-se que entre esse ano e o ano de 1537 a família recebeu a concessão de parte dos terrenos, por aforamento, dos padres dominicanos. Não sendo inteiramente correcto apelidar o solar de primeira construção da Renascença em Portugal, em parte por via da data tardia da sua finalização, já no século XVII (CALADO, Maria, 1993, p. 73), estamos ainda assim diante de um dos mais magníficos exemplares de arquitectura classicizante no país, e o maior palácio a sul do Tejo, dominando com a sua vasta mole a praça da vila.
Distribui-se na planta em "U" típica das novas tipologias de habitações solarengas desenvolvidas ao longo de todo o século XVI, sendo composto por um corpo central mais alto, flanqueado por duas alas que definem um largo pátio ajardinado diante da fachada principal, defendido por muro baixo com gradeamento. Uma dupla escadaria de pedra, antigamente ornamentada com estátuas de mármore hoje desaparecidas, dá acesso a um amplo terraço para onde abre o portal principal de aparato, ocupando dois registos, emoldurado por um entablamento dórico. O terraço desenvolve-se ao longo dos corpos laterais, cuja ala Este se prolonga sobre os jardins. O rasgamento de vãos em todas as fachadas é essencialmente simétrico, com portas e janelas de vão recto ou decoradas com frontões triangulares; a singeleza destes elementos, juntamente com a utilização das ordens rústicas para marcação de ritmos nos panos murários, confere à construção um carácter clássico severo e imponente, em plena transição para o Maneirismo, justificando-se assim as grandes proporções do conjunto. Esta impressão é aligeirada na fachada lateral deitando para os jardins, que possui uma larga varanda com colunata toscana, de onde se avistavam nos tempos áureos da quinta as quatro ruas definindo os pomares, as vinhas, a mata, o labirinto de buxo e os lagos e fontes que compunham a propriedade.
Do interior palaciano pouco mais resta para além dos amplos salões, com os seus silhares de azulejos a meia altura, visto que o palácio foi saqueado aquando da prisão do último duque de Aveiro, acusado de envolvimento no atentado contra D. José, em 1758. A maior parte destes belos azulejos data já do século XVII, provavelmente das obras realizadas por D. Álvaro de Lencastre, 3º Duque de Aveiro, que fixou residência de forma quase permanente em Azeitão, a partir de finais do século XVI, e que deram toda a sumptuosidade ao palácio. Outras obras, que em muito alteram a leitura original do conjunto, consistem em acrescentos feitos pelo último titular da propriedade e pelos ocupantes que lhe sucederam, ao longo do século XVIII.
O solar foi sede da primeira fábrica de chitas existente em Portugal, em laboração a partir de 1775 e até 1847; foi vendido em 1873, e é ainda hoje propriedade particular, encontrando-se em estado de evidente degradação. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Cidades e Vilas de Portugal - Azeitão

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

CALADO, Maria

Título

Noticia dos monumentos nacionaes e edificios e logares notaveis do concelho de Setubal

Local

-

Data

1882

Autor(es)

PORTELA, Manuel Maria

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Palácio dos Duques de Aveiro (artigo on-line), in www.azeitão.pt

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, vol. III

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

LOPES, Flávio