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Capela e falcoaria das ruínas do antigo Paço Real de Salvaterra de Magos - detalhe

Designação

Designação

Capela e falcoaria das ruínas do antigo Paço Real de Salvaterra de Magos

Outras Designações / Pesquisas

Paço Real de Salvaterra de Magos e Capela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt) / Falcoaria do Paço Real de Salvaterra de Magos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Salvaterra de Magos / Salvaterra de Magos e Foros de Salvaterra

Endereço / Local

Praça da República
Salvaterra de Magos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 39 175, DG, I Série, n.º 77, de 17-04-1953 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 17-04-1952
Pareceres favoráveis de 6-04-1952 e 11-04-1952 da 1.ª Subsecção da 6 .ª Secção da JNE
Propostas de classificação de 26-03-1951 e 28-03-1951 da DGEMN

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Fundada por D. Dinis em 1295, a vila de Salvaterra de Magos sempre esteve ligada à Coroa, que estabeleceu naquela região zonas de coutada real. A partir do século XIV a corte fixou-se em Salvaterra durante as épocas de caça, pelo que a Casa Real mandou edificar na vila um paço.
Embora se desconheça a data da fundação do Paço Real de Salvaterra de Magos, a referência mais antiga que a ele se reporta data de 1383. Em 1429 a vila foi doada por D. João I a seu filho D. Fernando, mas como o Infante faleceu em 1443 sem deixar descendência, o senhorio foi vendido a Rodrigo Afonso. Em 1507 voltava a ser vendida, desta vez por D. Manuel a D. Nuno Manuel, e em 1542, estando o senhorio da vila já na posse do seu filho, D. Fradique Manuel, este cedeu a terra a D. Luís, duque de Beja, trocando-a por outras possessões do Infante.
Foi com o senhorio do Infante D. Luís que o Paço de Salvaterra de Magos conheceu um extraordinário desenvolvimento. Humanista e patrono das artes, D. Luís mandou edificar cerca de 1547 (SERRÃO, 2002, p.187) um novo paço, atribuído ao risco do arquitecto Miguel de Arruda (CORREIA; GUEDES,1989, p. 15). Do conjunto subsistem a capela e a falcoaria, uma vez que o palacete foi progressivamente destruído por terramotos e incêndios, acabando por ser vendido em 1862.
A capela, dedicada a Bom Jesus, foi edificada como uma estrutura de planta rectangular constituída por dois quadrados iguais que no meio comportam um pequeno espaço quadrangular mais pequeno, formando assim um templo "(...) de nave única quadrada com cobertura poligonal, dotada de uma capela-mor muito funda, em forma de igreja de três naves, onde havia um coro situado aquém do altar." (GOMES, 2001, p. 51). O seu modelo apresenta inequívocas semelhanças com a Capela de Bom Jesus de Valverde, projectada por Miguel de Arruda cerca de dez anos antes.
Em meados do século XX a estrutura interna da capela foi alterada, sendo derrubadas as duas paredes que demarcavam o rectângulo edificado no espaço intermédio entre os dois corpos quadrados que correspondem à nave e à capela-mor, cada um numa extremidade do conjunto. Esta alteração pretenderia criar um espaço de circulação contínua na capela, mas subverteu a intenção do projecto inicial de evitar a "circulação livre de pessoas e olhares" dentro da capela através da ruptura com o modelo de unificação espacial renascentista (Idem, ibidem, p. 56).
Em 1657 o programa decorativo da capela foi renovado, com a execução de um retábulo de talha dourada em estilo nacional e de uma erudita campanha de pinturas a fresco, cobrindo as abóbadas com uma sequência de anjos, enrolamentos, grinaldas e motivos concheados rodeando medalhões onde foram pintados os símbolos da Paixão de Cristo (CORREIA, GUEDES, 1989, p. 16).
A falcoaria do Paço terá sido edificada também na campanha quinhentista, estando com certeza integrada no projecto de Arruda, uma vez que o Infante D. Luís "(...) no paço, casa donde estava, tinha Falcões e os dava em cuidado aos seus moços da câmara (...)"(Idem, ibidem, p. 57).
No início do século XVIII a falcoaria é retomada em Portugal, passando a ter em Salvaterra instalações próprias, que foram reconstruídas depois do terramoto de 1755. Ao longo do século XIX, o abandono e degradação das instalações da Real Falcoaria eram evidentes, acabando por ser vendidas em hasta pública.
O edifício que subsiste é constituído por oito corpos de secções quadrangulares e rectangulares, que se agrupam em torno de um pátio quadrangular, um pombal de planta circular e um outro pátio, interno, de menores dimensões. No conjunto destaca-se o pombal, um torreão circular com oito metros de altura e aberturas circulares para entrada e saída de aves. A fachada principal apresenta pano único dividido em dois andares, com portas e janelas de moldura rectangular. No interior pode ver-se a disposição dos ninhos dos falcões, 305 nichos quadrangulares dispostos ao longo de sete registos.
Catarina Oliveira

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém

Local

Lisboa

Data

1949

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

O Paço Real de Salvaterra de Magos - a Corte, a Ópera, a Falcoaria

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

CORREIA, Joaquim Manuel, GUEDES, Natália Brito Correia

Título

Curiosidades históricas de Salvaterra de Magos, Vida Ribatejana, Março-Abril de 1952

Local

Vila Franca de Xira

Data

1952

Autor(es)

CÂNCIO, Francisco

Título

Anais de Salvaterra de Magos : dados históricos desde o século XIV

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

ESTEVÂO, José

Título

A ópera de corte em Portugal no século XVIII, Colóquio Artes, n.º 76, Março de 1988, pp. 50-57

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

BRITO, Manuel Carlos de

Título

A Arquitectura ao Romano

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

CRAVEIRO, Maria de Lurdes