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Igreja de Mondrões - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Mondrões

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Tiago / Igreja Paroquial de Mondrões / Igreja de São Tiago(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Vila Real / Mondrões

Endereço / Local

EN 564 (desvio)
Lugar da Igreja

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A actual freguesia de São Tiago de Mondrões conheceu grande prestígio, tendo chegado a ser vila, e possuindo longas ligações à ordem hieronimita, inclusivamente como vigariado pertencente ao padroado do Mosteiro dos Jerónimos de Belém. A igreja paroquial de Mondrões terá sido edificada nas primeiras décadas do século XVI, possivelmente em data próxima de 1519, quando o vizinho concelho de Penaguião recebeu foral manuelino, beneficiando também as vilas limítrofes.O templo, dedicado a São Tiago, possui planimetria e espacialidade manuelinas, com nave única cujo comprimento duplica a largura, portais Sul e Norte rasgados em eixo, e capela-mor rectangular, sendo todas as coberturas feitas através de elegantes abóbadas estreladas. No entanto, a estrutura original foi grandemente desvirtuada por obras de reconstrução posteriores, datadas já de 1744, época na qual toda a região vivia grande prosperidade económica.
A fachada principal reflecte claramente as alterações do barroco final, embora traçada de forma muito invulgar. Sob a empena recortada, relativamente simples, recorta-se uma série de molduras, nichos e elementos decorativos avulsos, entre os quais se destaca a moldura oval encimando o portal principal. É composta por uma grinalda vegetalista, recordando elementos manuelinos talvez presentes na fachada primitiva, e substitui visualmente uma rosácea; serve de enquadramento às esculturas relevadas de São Tiago a cavalo com a figura de um mouro a seus pés, tema ilustrativo do orago local, mas cuja iconografia despertava particular interesse justamente nas épocas da construção e da reconstrução do templo. É possível que esta figuração seja uma versão mais moderna de uma representação manuelina semelhante, somando à simbólica neo-cruzadística que esta iconografia assumira na primeira metade de Quinhentos, o sentido contra-reformista de resistência às heresias que caracteriza a sua utilização seiscentista e setecentista (José António FALCÃO, Fernando António Baptista PEREIRA, 2001, pp. 122-142). Naturalmente, não será de menor importância, no âmbito da representação do mata-mouros, a situação de Vila Real como ponto de passagem das peregrinações a Santiago de Compostela, através do caminho de Lamego.
O portal, de verga recta, é enquadrado inferiormente por duas aletas, e no cimo por volutas envolvendo uma vieira (símbolo igualmente compostelano). Nos lados do portal rasgam-se duas edículas, rematadas por arcos redondos, abrigando imagens de Doutores da Igreja; a eixo com estes vãos abrem-se dois janelões rectangulares, de sacada, sendo esta composta por mísulas gomadas. Os janelões são encimados por um motivo de volutas semelhante ao do portal, mas enquadrando florões, e, acima destes, pelas imagens de São Pedro (à esquerda) e de São Paulo (à direita). Ao centro da composição, sobre o portal, desenha-se o medalhão ovalado de grandes dimensões, sobrepujado pela figura de um anjo músico, cujo torso se encaixa já no friso recortado que remata a empena da igreja, terminado por um globo sustentando cruz com braços rematados em trevo. Os vãos possuem decoração variada, merecendo destaque a profusão de ornamentos recordando as tradições populares, como os ingénuos recortes de corações, bandeiras, florões e enrolamentos geométricos, muito idênticos aos motivos bordados no linho ou característicos da ourivesaria, sempre presentes nos festejos locais. Adossada à fachada, à esquerda, eleva-se a torre sineira.
No interior, além da elegante estrutura e do abobadamento quinhentistas, ressalvem-se os elementos do século XVIII, como os retábulos, em estilo barroco e rococó, caso do retábulo no altar-mor, e outros elementos de talha policromada, sem particular interesse artístico, mas testemunhos de uma intervenção globalizante que é sobretudo testemunho histórico do investimento que o templo suscitou ao longo dos anos. O coro-alto resulta ainda de uma intervenção posterior, embora pareça anterior à reconstrução setecentista. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Património Arquitectónico e Arqueológico Classificado, IPPAR, vol. III

Local

Lisboa

Data

1993

Autor(es)

LOPES, Flávio

Título

Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de