Saltar para o conteúdo principal da página

Edifício e jardim do antigo Paço Episcopal, onde se encontra instalado o Museu do Abade de Baçal - detalhe

Designação

Designação

Edifício e jardim do antigo Paço Episcopal, onde se encontra instalado o Museu do Abade de Baçal

Outras Designações / Pesquisas

Museu do Abade de Baçal / Antigo Paço Episcopal de Bragança / Paço Episcopal de Bragança / Museu do Abade de Baçal (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Bragança / Sé, Santa Maria e Meixedo

Endereço / Local

Rua Conselheiro Abílio Beça
Bragança

Número de Polícia: 27

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O edifício que, desde 1912 está vocacionado para receber estruturas museológicas e, desde 1935, acolhe o Museu Regional do Abade de Baçal foi onde funcionou, originalmente, o Colégio de São Pedro e, mais tarde, o Paço Episcopal. Aqui viveram os diferentes bispos até 1912, quando D. José Alves de Mariz se incompatibilizou com o Governo e foi proibido de residir na cidade, sendo o imóvel então expropriado.
O colégio de São Pedro havia sido instituído no final do século XVI por D. Julião de Alva, e a primeira campanha de obras de que foi alvo, deve-se à iniciativa do Bispo D. João de Sousa Carvalho. Tal diligência deverá ser entendida no contexto da valorização da cidade de Bragança, pois as normas diocesanas impunham a permanência dos prelados nesta cidade durante seis meses por ano. É certo que estes se instalavam, muito possivelmente, no Paço do Governador, situado no castelo, mas D. João de Sousa Carvalho não quis deixar de introduzir significativos melhoramentos no colégio, inscrevendo mesmo a sua pedra de armas na fachada (RODRIGUES, 1994; JACOB, 1997, p. 106). A ampliação do edifício ficou a cargo de mestre João Alves Lagido que, para tal, assinou contrato em 1734 (JACOB, 1997, p. 106).
Com a transferência da sede episcopal de Miranda do Douro para Bragança, em 1764 e ratificada em 1770, o antigo colégio foi objecto de uma ampla reforma, que lhe permitiu tornar-se residência oficial dos bispos de Bragança, transformando-se, então, em Paço Episcopal. As obras decorreram entre 1764 e 1776, tendo-se ampliado o edifício existente, adquirido terrenos contíguos para jardins (organizados geometricamente), e remodelando também a capela. O seu tecto, em perspectiva, pintado por Manuel Caetano Fortuna, remonta a este período, ostentando, ao centro, as armas do bispo que perpetuou esta transferência - D. Frei Aleixo de Miranda Henriques.
Com a já referida expropriação, ocorrida em 1912, o antigo Paço foi ocupado pela GNR e pelo Arquivo do Registo Civil, ainda nesse mesmo ano, instalando-se o então Museu Municipal no piso superior. O Museu Regional de Bragança, criado em 1915, foi acomodado no mesmo edifício, tal como a Biblioteca Erudita também instituída nesse ano. Os dois museus uniram o seu espólio em 1927, e depois das comemorações dedicadas ao Abade de Baçal, o seu espólio foi integrado no Museu que, a partir de 1935, passou a ter o seu nome. Em consequência deste facto, o edifício sofreu nova campanha de obras, entre 1937 e 1940, que visaram adaptar as suas estruturas às necessidades museológicas. Se no exterior, as mudanças se circunscreveram à fachada Norte, criando-se o lajeado para onde dava a arcaria e a denominada varanda dos cónegos, e alargando-se o edifício para nascente, no interior foram múltiplas as alterações, pois para além do Museu, deveriam ocupar aquele espaço o Arquivo Distrital e a Biblioteca Erudita. Nesta época, a dignificação do imóvel passou pela integração de tectos e outros elementos provenientes dos conventos extintos, nomeadamente de São Bento, de São Francisco e dos Jesuítas (JACOB, 1997, p. 107).
Mais recentemente, em 1994, uma outra intervenção, ditada pelos imperativos muselógicos actuais, veio reformular os espaços, devendo-se o novo traçado aos arquitectos António Portugal e Manuel Maria Reis, que anexaram, ainda, o edifício contíguo (JACOB, 1988, p. 135).
O antigo colégio, e depois Paço Episcopal conserva, em grande medida, a estrutura que o caracterizava na década de 70 do século XVIII, quando se tornou residência dos bispos de Bragança. A longa fachada principal, com os seus vãos abertos simetricamente e relacionados entre si (janelas no piso térreo e janelas de sacada no superior), denota uma unidade chã, apenas desequilibrada pela porta principal, numa das extremidades, e pela pedra de armas, que rompe a linha da cornija elevando-se acima do telhado e sendo coroada por uma cruz.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Bragança

Local

Lisboa

Data

1997

Autor(es)

JACOB, João

Título

O Museu do Abade de Baçal: ontem, hoje e amanhã, Brigantia - Revista de Cultura, vol. XVI, n.º 1/2, pp. 127-143

Local

Bragança

Data

1996

Autor(es)

JACOB, João