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Igreja de São Salvador de Rebordões (Souto) - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Salvador de Rebordões (Souto)

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Rebordões / Igreja de São Salvador(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Rebordões (Souto)

Endereço / Local

-- -
Rebordões

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A paroquial de Souto de Rebordões é um dos melhores exemplos do Alto Minho que provam a radicalidade das intervenções barrocas sobre as românicas. Como, por diversas vezes, salientou Carlos Alberto Ferreira de Almeida, no entre-Douro-e-Minho, o Barroco mais não fez ao Românico o que este havia feito ao pré-românico, estando este processo de substituição (actualização) artística na origem do desaparecimento de muitos templos com importantes fases construtivas românicas. Rebordões é um desses casos.
A primeira referência à localidade data de 1059, altura em que aparece mencionada no inventário dos bens do Mosteiro de Guimarães (ALVES, 1982, p.75), a principal instituição religiosa pré-românica da região. Se, por esse tempo, teve igreja, não o sabemos, uma vez que nenhum testemunho material chegou até aos nossos dias.
Possuímos informações mais concretas, embora não decisivas, a partir do século XIII. Nessa altura, Rebordões era cabeça de julgado e uma das circunscrições administrativas mais importantes do Alto Minho, sendo agraciada com várias cartas de foral, a maioria passadas por D. Afonso III (IDEM, p.75).
É muito provável que, verificando-se esta dinâmica, a comunidade tenha patrocinado a construção de uma igreja. Ela parece estar testemunhada por uma lacónica inscrição, noticiada pelo abade João Anes Coutinho em meados do século XIX, que referiria a data de 1255 (IDEM, p.76). Não sabemos a que Era pertencia esta indicação, nem tão pouco o poderemos confirmar, uma vez que, da inscrição, nessa altura localizada na sineira, não restam hoje vestígios, tendo o próprio campanário sido substituído pela actual torre sineira, em 1934, em estilo neo-gótico de perfil cenograficamente fortificado, com ameias chanfradas (REIS, 1980, p.122).
Anos depois da data constante nesta discutida lápide, o templo foi objecto de uma campanha, novamente conhecida através de uma inscrição, colocada ao longo da parede lateral Norte. Por ela, ficamos a saber que João da Labruja ajudou a fazer a obra, embora desconheçamos, por completo, a natureza e extensão dos trabalhos então realizados. O facto de o texto epigráfico não conter nenhuma data dificulta a localização temporal desta empreitada, que Mário Barroca supõe ter acontecido nos anos finais do século XIII, ou já na centúria seguinte, baseado nas "características paleográficas" do letreiro (BARROCA, 2000, p.1237).
Os poucos testemunhos materiais que nos chegaram desta obra também não são elucidativos em matéria cronológica. Uma aduela decorada com semi-esferas foi reutilizada na campanha barroca e, pela análise de Matos Reis, faria parte do portal ocidental, que deveria ter muitas semelhanças com o da "igreja românica de Santa Eulália de Refoios do Lima" (REIS, 1980, p.124), salientando ainda este autor que o tema das semi-esferas (ou bolas) é recorrente no Alto Minho e prolongou-se pelos anos do Gótico. Por estes dados, é perfeitamente possível que a obra se situe na época tardia da viragem para o século XIV, sugestão reafirmada pelo perfil maioritariamente liso dos modilhões conservados e pelo arco apontado de um dos portais laterais.
Na época moderna, foram muitas as alterações efectuadas, a ponto de sacrificar praticamente todos os elementos medievais que, uma vez, foram mantidos apenas nas zonas periféricas (neste caso, as paredes laterais). Ao longo da primeira metade do século XVIII, construíram-se os retábulos de talha dourada que ainda se encontram no interior. De 1743, é uma inscrição numa capela lateral, que alude ao patrocínio por Filipe Mendes de Santiago e sua mulher, Francisca Gomes. Finalmente, em 1751, os visitadores ordenaram o alargamento das janelas da capela-mor e, pela mesma altura, substituiu-se o portal primitivo pelo actual, em arco recto moldurado, encimado por frontão interrompido, e deu-se nova composição à fachada principal, delimitada por pilastras-cunhais e terminando em empena triangular definida por frontão com óculo quadrilobado axial.
PAF

Bibliografia

Título

Itinerários de Ponte de Lima

Local

Ponte de Lima

Data

1973

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-

Título

Vestígios de templos medievais, Mínia, 2ª sér., ano III, nº4, pp.118-126

Local

Braga

Data

1980

Autor(es)

REIS, António Matos

Título

Igrejas e capelas românicas da Ribeira Minho, Caminiana, ano IV, nº6, pp.105-152

Local

Caminha

Data

1982

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de

Título

Arquitectura religiosa do Alto Minho, 2 vols.

Local

Viana do Castelo

Data

1987

Autor(es)

ALVES, Lourenço

Título

Epigrafia medieval portuguesa (862-1422)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge