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Muralhas da Cidade da Covilhã - detalhe

Designação

Designação

Muralhas da Cidade da Covilhã

Outras Designações / Pesquisas

Muralhas da cidade da Covilhã (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Muralha

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Castelo Branco / Covilhã / Covilhã e Canhoso

Endereço / Local

- -
Covilhã

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Não está ainda suficientemente esclarecida a história da Covilhã no século XII. Segundo a interpretação de Alexandre Herculano (hoje tida com notórias reservas), a cidade já se encontrava organizada em concelho antes de ser agraciada com o foral de 1186. O facto de estar documentada a existência de uma comuna judaica nesse século XII é um indicador que pode apontar nesse sentido, assim como a dinâmica comercial já então verificada em torno dos lanifícios.
Em 1186, numa ampla política de povoamento e de defesa das terras de fronteira, em particular as voltadas para o vizinho leonês (lembre-se que a cidade da Guarda foi criada em 1199 com essa mesma preocupação), D. Sancho I concedeu foral à Covilhã. Tem-se considerado essa data como a de início da construção das muralhas, patrocinadas pelo próprio monarca, embora pareça que o processo se tenha arrastado por algumas décadas. Em 1210, depois de a cidade ter sido alvo de um cerco por tropas islâmicas, o próprio Sancho I tomou medidas para que se terminassem as muralhas com a máxima urgência.
Paulino GOMES, 2003, p.26, admite que o processo de amuralhamento da cidade não tenha sido fácil, uma vez que as três paróquias mais importantes ficaram fora de portas e que poucos habitantes escolhiam o espaço fortificado para morar. Terá sido por estas razões que, em 1300, D. Dinis ordenou a reformulação do projecto defensivo, com inclusão de novas torres e, especialmente, com substancial alargamento da zona muralhada.
O sistema defensivo é ainda genericamente reconhecível no urbanismo da cidade. Sabemos que a muralha do tempo de D. Dinis, ao contrário do que seria de esperar, não é de perfil oval, antes forma um "polígono irregular de tendência quadrangular" (IDEM, p.26), definido pelas seguintes vias: Rua António Augusto d'Aguiar; Rua do Norte; Calçada de Santa Cruz e Rua Capitão João d'Almeida. Cinco portas principais permitiam a comunicação de pessoas e produtos: a mais importante, chamada Porta da Vila, localizava-se a nascente e ligava-se à principal praça do conjunto (a da igreja de Santa Maria) através de uma importante rua, que separava os sectores Norte e Sul do aglomerado. As restantes portas abriam-se em cada vertente do quadrilátero, com destaque para a do Castelo (a Noroeste) - que certifica a existência de uma alcáçova - e a do Sol, a Sudeste, que colocava em comunicação a cidade com as estradas das planícies a Sul.
Conservam-se ainda alguns troços importantes, nomeadamente junto à Porta do Sol, onde uma alta muralha evidencia a sobreposição de camadas com vista a uma maior solidez do conjunto. E anexa à Calçada de Santa Cruz subsiste um torreão octogonal, parcialmente revestido em cimento, que poderia corresponder à antiga Torre de Menagem.
Na transição para a Idade Moderna registaram-se múltiplas obras não especificadas, destinadas a reforçar o sistema gótico criado por D. Dinis. Nos reinados de D. Fernando e de D. Afonso V (este em 1459) há notícias de beneficiações. Com D. Manuel, a cidade recebeu novo foral e, poucos anos mais tarde, em 1527, o conjunto passou para as mãos do Infante D. Luís, Duque de Beja. Em 1641, reunido o reino nas primeiras Cortes após a restauração da Independência, os procuradores da Covilhã advertiram para a necessidade de se realizarem obras urgentes na muralha. Desconhecemos se esses trabalhos foram, efectivamente, executados mas, nos séculos seguintes, a cerca medieval foi constituindo um estorvo cada vez maior para as autoridades concelhias, uma herança que dificultava a renovação urbanística do conjunto.
Em 1734 temos a primeira notícia de desmantelamento selectivo e, em 1769, o rei ordenou que se aproveitasse a pedra do castelo na construção da Real Fábrica de Panos da Covilhã. Mais recentemente, em meados do século XX, a demolição dos paços do concelho filipinos arrastou consigo a torre da Porta da Vila e, em 2000, ruiu parte da muralha anexa à Porta do Sol.
PAF

Imagens