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Igreja da Misericórdia de Alcochete - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia de Alcochete

Outras Designações / Pesquisas

Igreja da Santa Casa da Misericórdia de Alcochete / Museu Municipal de Alcochete(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Alcochete / Alcochete

Endereço / Local

Rua do Norte
Alcochete

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 47/2014, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21-01-2014 (sem restrições) (ZEP da Igreja de São João Baptista, Matriz de Alcochete, da Capela de Nossa Senhora da Vida e da Igreja da Misericórdia de Alcochete) (ver Portaria)
Relatório final do procedimento aprovado por despacho de 26-09-2013 da diretora-geral da DGPC
Anúncio n.º 87/2013, DR, 2.ª série, n.º 45, de 5-03-2013 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 26-09-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 17-07-2012 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo, com as restrições a aplicar
Despacho de concordância de 3-01-2012 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 19-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a fixação de três ZEP individuais, mas coincidentes, devendo ser propostas as restrições previstas no Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, N.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Anúncio n.º 13022/2011, DR, 2.ª série, n.º 180, de 19-09-2011
(ver Anúncio)
Parecer favorável de 3-03-2009 do Conselho Consultivo do IGESPAR. I.P.
Informação favorável de 22-01-2009 da DRC de Lisboa e Vale do Tejo
Proposta de alteração de 19-04-2007 da CM de Alcochete
Despacho de concordância de 19-02-2007 do presidente do IPPAR
Parecer favorável de 12-02-2007 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 25-10-2006 da DR de Lisboa para a fixação da ZEP conjunta da Igreja de São João Baptista, Matriz de Alcochete, da Capela de Nossa Senhora da Vida e da Igreja da Misericórdia de Alcochete

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja da Misericórdia de Alcochete é o mais importante testemunho do período de apogeu de que a vila ribeirinha desfrutou no século XVI. Quer pela sua localização (à beira rio e em provável conexão com o paço real que os monarcas de Avis aqui detinham), quer pela qualidade artística da sua construção (que lhe confere o estatuto de monumento primeiro no contexto de um tardo-renascimento da margem Sul do Tejo), a igreja é uma referência incontornável no passado e no presente de Alcochete.
A sua construção remonta aos meados do século e estaria terminada, com grande probabilidade, em 1563, data inscrita no lintel do portal lateral Sul (o que está virado para a vila), juntamente com uma legenda alusiva à protecção da mater misericordiae. Ao que tudo indica, o projecto ficou a dever-se a um pouco conhecido arquitecto - Fernão Fidalgo -, a quem se tem vindo a atribuir as diversas construções monumentais religiosas dos concelhos de Alcochete e de Aldeia Galega (Montijo) nos meados e segunda metade do século XVI. Com efeito, quer as Misericórdias destas duas vilas, quer a Capela de Nossa Senhora da Vida, em Alcochete, quer ainda a Ermida de Santo António da Ussa, na herdade da Barroca de Alva, são construções unidas estilisticamente por um mesmo padrão tardo-renascentista erudito, "em moldes longinquamente italianizados", de que a Senhora da Vida é a manifestação mais clara (SERRÃO, 2002, p.216).
Não restam dúvidas sobre a qualidade, originalidade e monumentalidade da igreja. O espaço foi propositadamente unificado, dispondo-se rectangularmente e diferenciando-se a capela-mor por estar em plano mais elevado que a nave. A cobertura reforça esta unificação espacial de tipo salão, ao compor-se por três panos de caixotões, onde se pintaram os símbolos da Misericórdia. Mas a principal característica do monumento, que o singulariza em relação a outras obras de idêntica funcionalidade, é o corpo quadrangular do narthex, que se adossa à fachada ocidental. Este elemento é também o que confere maior monumentalidade ao conjunto, uma vez que se organiza em dois andares: o primeiro corresponde àquele espaço de preparação para a entrada no templo, com acesso tripartido em cada alçado através de um amplo arco de volta perfeita; o segundo foi concebido como sala de reuniões e Casa do Despacho da Irmandade, impondo-se em altura bem acima do telhado da própria igreja.
Findos os trabalhos de arquitectura, a Misericórdia de Alcochete esforçou-se por dotar o interior de elementos devocionais de qualidade. Exemplo máximo disso mesmo é o retábulo-mor, obra efectuada entre 1586 e 1588 e devido a um dos mais importantes nomes da pintura maneirista tardia portuguesa: Diogo Teixeira. Com oficina em Lisboa, a sua obra está documentada a partir da década de 60 e espalha-se por todo o país. Fiel a um formulário ideológico pós-Concílio de Trento, que preconizava o catequismo imagético sobre as pesquisas vanguardistas das décadas anteriores, o retábulo alcochetano é uma das realizações que melhor define o seu trabalho, aqui em parceria com o genro António da Costa.
Como espaço sagrado quinhentista, a igreja foi escolhida, por vários membros da nobreza local e da hierarquia da ordem de Santiago, para última morada. A maioria destas sepulturas data dos anos finais do século XVI, contando-se a de D. João de Mascarenhas, D. João de Almeida (neto do conde de Abrantes e provedor da Misericórdia) e o panteão da família Viegas, entre outras (ESTEVAM, 2001, 2ªed., pp.50-59).
O capítulo mais recente da história da igreja iniciou-se nos finais do século XX. A 15 de Agosto de 1990, era criado o Museu Municipal de Alcochete, cujo pólo de Arte Sacra foi concebido para se instalar no imóvel. Este, foi restaurado para o efeito, com projecto do arquitecto Vítor Mestre, inaugurando-se em 1993 e assumindo, a partir daí, um lugar de verdadeiro destque no roteiro cultural da vila.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Igrejas e Capelas da Costa Azul

Local

Setúbal

Data

1993

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa

Título

Tomás Luís e o antigo retábulo da igreja da Misericórdia de Aldeia Galega do Ribatejo, Artis

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

O concelho de Alcochete

Local

Alcochete

Data

1902

Autor(es)

COSTA, Eduardo Avelino Ramos da

Título

O povo de Alcochete, Apontamentos históricos sobre a terra e o pessoal

Local

Lisboa

Data

1950

Autor(es)

ESTEVAM, José

Título

Anais de Alcochete. Dados históricos desde o século XIII

Local

Lisboa

Data

1956

Autor(es)

ESTEVAM, José

Título

Edifícios e monumentos notáveis do concelho de Alcochete

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

GRAÇA, Luís

Título

A vila de Alcochete e o seu concelho

Local

Lisboa

Data

1972

Autor(es)

NUNES, Luís Santos

Título

Retábulos das Misericórdias Portuguesas

Local

Faro

Data

2009

Autor(es)

LAMEIRA, Francisco