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Palácio da Cerca - detalhe

Designação

Designação

Palácio da Cerca

Outras Designações / Pesquisas

Casa da Cerca / Palácio da Cerca(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Palácio

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Setúbal / Almada / Almada, Cova da Piedade, Pragal e Cacilhas

Endereço / Local

Calçada da Cerca
Almada

Rua da Cerca
Almada

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 2/96, DR, I Série-B, n.º 56, de 6-03-1996 (ver Decreto)
Despacho de homologação de 18-12-1990, do Secretário de Estado da Cultura
Parecer de 8-11-1990 do Conselho Consultivo do IPPC a propor a classificação como IIP
Proposta de 6-02-1985 do Centro de Arqueologia de Almada

ZEP

Portaria n.º 48/2014, DR, 2.ª série, n.º 14, de 21-01-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13644/2012, DR, 2.ª série, n.º 211, de 31-10-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 9-05-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 8-02-2012 da DRC de Lisboa e Vale doTejo para a ZEP do Palácio da Cerca
Parecer favorável de 19-03-2007 do Conselho Consultivo do IPPAR
Proposta de 2-12-2005 da DR de Lisboa, alterando a ZEP do Palácio da Cerca para ZEP conjunta do Palácio da Cerca e da Estação Arqueológica da Quinta de Almaraz
Despacho de homologação de 29-11-1996 do Ministro da Cultura
Proposta de 4-11-1996 da DR de Lisboa
Parecer favorável de 19-03-1992 do Conselho Consultivo do IPPC
Proposta de 11-12-1991 do IPPC

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O antigo Palácio da Cerca foi adquirido, em 1988, pela Câmara Municipal de Almada, e objecto de uma ampla remodelação entre os aos de 1991 e 1993, transformando-se na Casa da Cerca - Centro de Arte Contemporânea; uma instituição que, desde então, tem sido responsável pela organização de múltiplas exposições de artes plásticas e de uma série de eventos variados. Dispõe, para tal, de um Centro de Documentação e Informação, da Galeria do Pátio, do Parque de Escultura e do Jardim Botânico - O Chão das Artes -, beneficiando, ainda, de uma importante colecção de desenhos de artistas portugueses contemporâneos.
A origem deste espaço, que desfruta de uma situação geográfica privilegiada, dotada de uma das mais marcantes perspectivas da cidade de Lisboa e do rio Tejo é, no entanto, bem mais remota. Não se conhecem muitos dados relativos aos primórdios ou formação da propriedade. Das três possibilidades habitualmente mais difundidas - terrenos doados aos dominicanos, hospício da mesma Ordem, ou casa real -, ganha especial importância a primeira, por ser considerada a mais plausível e pelo facto destes religiosos possuírem várias outras propriedades nos arredores (ESTEVES, 1993, p. 21).
Até ao final do século XIX não subsistem muitas referências documentais à Quinta. Resta apenas o próprio edifício, cuja análise permite perceber uma série de campanhas de obras de datação aproximada. É certo que, no século XVII, existiam edifícios no local, pois estes são perceptíveis numa gravura de Almada (IDEM). Poderão, eventualmente, corresponder à área central do actual palácio, considerado o núcleo mais antigo, seiscentista, e onde as diferenças estruturais ao nível dos panos murários deixam adivinhar acrescentos e modificações. Naturalmente, esta construção ficou fortemente danificada em consequência do Terramoto de 1755, tendo sido reedificada em época posterior.
O edifício que hoje conhecemos obedece a uma estrutura comum à arquitectura civil portuguesa barroca, com planta em U e alçados bem ritmados através de uma sucessão de vãos, revelando, os da casa da Cerca, grande depuração (AZEVEDO, 1979). Os corpos laterais são unidos por um passadiço que fecha o pátio interno, e define uma fachada, com certeza, mais recente, pois denota um gosto romântico e revivalista, bem presente nas janelas neogóticas, com vitrais coloridos, que flanqueiam o portão. Por cima, o local de passagem é delimitado por grades de ferro.
Nos alçados do pátio, duas escadas laterais, convergentes, permitem o acesso ao andar nobre, prolongando-se, os balaustres das escadarias, na varanda, aberta no corpo central. Esta, sobrepõe-se à arcaria tripla do piso térreo. Se, de um modo geral, observamos uma continuidade e manutenção da sobriedade seiscentista, a composição do corpo central é muito cenográfica, tirando partido do desenvolvimento da escadaria e da abertura dos vãos, num efeito monumentalizante, tão ao gosto barroco.
A meio da ala direita insere-se a capela, com uma janela tapada pelo retábulo, o que sugere uma adaptação deste espaço ao culto católico ou, em alternativa, a manutenção do ritmo do alçado (ESTEVES, 1993, p. 23). O retábulo, de talha dourada, apresenta uma estrutura simplificada. As paredes são revestidas por painéis de azulejos, atribuídos ao Mestre P.M.P., e datáveis de 1717-25, representando, os da direita, a Anunciação e a Visitação, e os da esquerda a Adoração dos Pastores e dos Magos.
Num espaço com as características da Quinta da Cerca, os jardins revestiam-se, naturalmente, de importância acrescida, pois a sua localização permitia aproveitar as inúmeras possibilidades cenográficas oferecidas. É nesse contexto que se deverá entender a existência de um pavilhão, de janelas ogivais, com entrada própria (datada de 1781) que forma um corredor sobre a falésia. No restante espaço, profusamente arborizado, encontra-se um conjunto de mobiliário urbano setecentista que convidava à fruição destes locais.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

A Quinta da Cerca - Almada, Actas das Jornadas de Estudos sobre o Concelho de Almada, pp. 21-24

Local

Almada

Data

1993

Autor(es)

ESTEVES, Teresa Arminda Ferreira