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Lagar e sepulturas escavadas na rocha na Senhora da Ajuda - Pinhel - detalhe

Designação

Designação

Lagar e sepulturas escavadas na rocha na Senhora da Ajuda - Pinhel

Outras Designações / Pesquisas

Sepulturas Escavadas na Rocha na Senhora da Ajuda (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Necrópole

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Pinhel / Alto do Palurdo

Endereço / Local

-- -
-

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (Homologado como IIP -...

Cronologia

Despacho de 13-09-1996 do Ministro da Cultura

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Os sítios arqueológicos denominados por "Lagar e sepulturas escavadas na rocha na Senhora da Ajuda" estão localizados no termo da freguesia de Pereiro, onde abundam afloramentos graníticos onde foram talhados, numa zona particularmente abundante em recursos aquáticos.
Parte da protecção legal envolve, por conseguinte, um lagar, precisamente, escavado num destes penedos rochosos, composto de dois tanques de dimensões diferentes e configuração rectangular, à semelhança, ademais, do que sucede com outros exemplares desta tipologia arqueológica do mesmo concelho de Pinhel, com destaque para o "Lagar de Freixedas".
Embora o testemunho em epígrafe seja habitualmente atribuído à Idade Média, tudo indica estarmos, relativamente a outros exemplos concelhios, em presença de vestígios de lagares (ou lagaretas) construídos em pleno domínio romano desta zona do actual território português, integrando certamente a pars fructaria da pars rustica de uma qualquer uilla, onde permaneciam as estruturas relacionadas com as actividades agrícolas, das quais sobressaíam os celeiros e lagares para armazenamento e transformação dos produtos obtidos nas respectivas propriedades.
A existência destes componentes no terreno revelará, em todo o caso, como a produção vinícola constituía parte essencial da economia desta região ao longo dos tempos e, especialmente, durante a medievalidade, certamente depois das autoridades administrativas se aperceberem das potencialidades beirãs para este tipo de actividade. Para isso apontará, precisamente, a presença dos dois tanques, o maior dos quais corresponderia eventualmente ao antigo modelo romano do calcatorium, destinado a pisotear a uva, enquanto o de menores dimensões - possivelmente correlativo ao romano lacus - receberia, justamente, o mosto assim obtido por intermédio de uma abertura que permitia a comunicação entre os dois tanques, o segundo dos quais colocado num plano inferior para esse efeito.
Quanto à necrópole localizada nas suas imediações, ela é composta de seis (encontrando-se duas incompletas) sepulturas antropomórficas com uma dimensão média de dois metros de comprimento por setenta centímetros de largura, escavadas noutro afloramento rochoso situado junto ao lagar. Relativamente destacadas na paisagem e sobranceira à sua envolvência, as campas apresentam uma marcação vincada dos ombros e da cabeça, ao mesmo tempo que um rebordo possivelmente destinado à aposição de uma tampa, que a cobriria por completo na origem, ao mesmo tempo que impedia as infiltrações das águas pluviais.
A atribuição cronológica das, geralmente, designadas por "sepulturas antropomórficas" tem sido ultimamente balizada entre os séculos VI/VII e o século XI, altura em que começaram em entrar em desuso, apesar de algumas permanências registadas até ao dealbar de trezentos. Não obstante, ainda são alguns os autores que persistem em balizar certos exemplares, como no caso em epígrafe, no âmbito genérico da "Proto-história" do Noroeste peninsular, posteriormente envoltas nas tradicionais interpretações populares, como reflexo indirecto de um processo de cristianização aprofundado durante a medievalidade do actual território português. E, neste caso concreto, as sepulturas integrarão a tipologia mais recente das sepulturas antropomórficas específicas dos meados do século IX, se aceitarmos que as mais antigas se reportarão às não antropomórficas. Em todo o caso, haverá que sublinhar que toda esta polémica decorrerá, antes de mais, da ausência de um contexto estratigráfico e de espólio associado, independentemente das suas causas.
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