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Conjunto arquitectónico constituído pela Torre de Terrenho, casa e capela - detalhe

Designação

Designação

Conjunto arquitectónico constituído pela Torre de Terrenho, casa e capela

Outras Designações / Pesquisas

Solar dos Brasís / Solar da Torre do Terrenho e Capela de Nossa Senhora da Penha / Solar dos Brasis(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Trancoso / Torre do Terrenho, Sebadelhe da Serra e Terrenho

Endereço / Local

Rua Torre de Terrenho
Torre de Terrenho

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Solar da Torre do Terrenho foi mandado edificar na década de 1720 por Luís de Figueiredo Monterroio, capitão da Armada Real, e figura muito próxima do rei D. João V, que adquiriu estes terrenos depois da Inquisição os ter confiscado a uma família de cristãos-novos. A unidade do conjunto arquitectónico então erguido, e a utilização de elementos idênticos no solar e na capela, permitem afirmar que se tratou de uma única campanha de obras, ainda que as informações disponíveis indiquem uma maior celeridade nos trabalhos da capela, concluída, ao que tudo indica, em 1731, e um arrastar da intervenção no solar, onde, nos primeiros anos da década de 1730, se executavam, ainda, alguns acabamentos.
O solar, de planta irregular, é composto por uma torre de três andares, por um corpo mais baixo de dois pisos e por uma capela. Na fachada que e abre à via pública, a torre ganha especial importância ao nível do último registo, isolado por friso e aberto por três janelas, que correspondem, no interior, à sala de maior impacto do conjunto. As pilastras dos cunhais são prolongadas por pináculos e a cornija exibe gárgulas de canhão.
No corpo intermédio apenas observamos dois pequenos vãos ao nível do piso térreo, e mais quatro, de moldura recta, no andar nobre, que coincidem com os primeiros da torre. Não se regista, neste alçado, qualquer acesso ao interior do solar, mas a pedra de armas da família, ao centro, indica que esta era a fachada de maior impacto em relação à envolvente urbana, revelando uma imagem de poder que os seus proprietários pretendiam transmitir. Por outro lado, a presença do brasão justifica-se pelo facto do frontispício da capela se encontrar neste alçado, abrindo-se, com certeza, à população local, a quem era permitido frequentar o templo sem invadir o espaço dos Monterroio, mas tendo sempre presente o prestígio de que gozavam. A fachada da capela é, aliás, a de maior impacto: em cantaria, é delimitada por pilastras que suportam o entablamento, sobre o qual são coroadas por pináculos iguais aos da torre, terminando em frontão triangular, com cruz na empena. O portal, de verga recta, é formado por pilastras e encimado por entablamento e frontão semicircular interrompido, em cujo tímpano se abre um nicho. Ladeiam-no duas janelas e, do lado direito, uma inscrição alude à edificação da capela por Luís de Figueiredo Monterroio, em 1727.
É neste espaço que se concentra a maior riqueza decorativa, denunciando a importância de que o mesmo se revestia para o capitão da Armada Real, que assim cumpria um voto de agradecimento a Nossa Senhora da Penha de França. Uma das histórias em que Monterroio escapou à morte por intervenção divina encontra-se representada na capela-mor. A capela exibe um vasto conjunto de talha dourada e polícroma: na nave, destacam-se as grades do coro alto, o púlpito e os altares laterais (estes posteriores em cerca de dez anos). O tecto é pintado com brutescos e com a imagem da Virgem, e o arco triunfal, ladeado por dois nichos, exibe pinturas de cariz vegetalista.
A capela-mor é totalmente revestida a talha dourada: o tecto em caixotões exibe telas com representações de anjos, nos panos murários a talha enquadra sete pinturas de santos e santas (para além da arquitectura), e o retábulo-mor, em talha dourada, é de estilo joanino.
Regressando ao solar, a fachada posterior, pela qual se acede ao interior, é marcada por uma varanda alpendrada e escadaria. No interior, ganha especial interesse a sala do último andar da torre, com tecto octogonal dividido em caixotões, com representações hagiográficas e vegetalistas e, no fecho, as armas da família.
A primeira classificação, correspondente ao Decreto 39175 de 17-04-1953, englobou apenas a Capela de Nossa Senhora da Penha. Somente em 1977 todo o conjunto do solar foi também classificado.
Rosário Carvalho

Imagens

Bibliografia

Título

Terras de Trancoso

Local

Porto

Data

1932

Autor(es)

MOREIRA, David Bruno Soares

Título

Trancoso, terra de sonho e de maravilha

Local

Trancoso

Data

1982

Autor(es)

TEIXEIRA, Irene Avilez

Título

Trancoso. Notas para uma monografia, 2ªed.

Local

Trancoso

Data

1989

Autor(es)

CORREIA, Joaquim Manuel