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Igreja de Nossa Senhora da Piedade - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Piedade

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Nossa Senhora da Piedade da Merceana / Igreja de Nossa Senhora da Piedade da Merceana / Santuário de Nossa Senhora da Piedade da Merceana(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Alenquer / Aldeia Galega da Merceana e Aldeia Gavinha

Endereço / Local

Rua da República (ou Rua Principal)
Merceana

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Na origem deste templo, dedicado a Nossa Senhora da Piedade, encontra-se uma lenda alusiva à aparição de uma imagem de Nossa Senhora, que motivou, no século XIV, a edificação, nesse mesmo local, de uma igreja comemorativa deste acontecimento. Do primitivo templo nada resta, embora a iconografia relativa ao milagre se tenha perpetuado ao longo dos tempos, subsistindo vários exemplos, do século XVI ao XVIII.
O culto a Nossa Senhora da Piedade fortaleceu-se, e à igreja original sucedeu uma outra, bem mais sumptuosa, patrocinada, ao que tudo indica, pela Rainha D. Leonor (HENRIQUES, 1873; MELO, GUAPO, MARTINS, 1984, p.28; Santuário N.S. Piedade, 1981, p.2). A data apontada para o templo quinhentista é a de 1520, mas o ano de 1535 inscrito numa das pilastras do lado do Evangelho faz avançar a cronologia dos trabalhos. Destes, apenas se conserva o arco triunfal, e as arcadas que dividem o interior em três naves. Esta planimetria, denota a referência ao modelo do gótico mendicante, mas adaptado à espacialidade renascentista, com decorações características, como os tondi ou o medalhão alusivo à lenda já referida. Rafael Moreira inscreve a igreja nos exemplos do denominado 1º Renascimento, para os quais foi determinante a encomenda aristocrática, atribuindo a iniciativa da edificação do templo ao herdeiro de D. Isabel de Sousa, viúva do Alcaide de Óbidos e irmã do Arcebispo D. Diogo de Sousa (MOREIRA, 1999, vol. II, p. 342).
Já no século XVII, os excessivos gastos da Confraria levaram à imposição de visitações periódicas à igreja, por parte de Filipe II, numa tentativa de controlar os montantes despendidos em festas, e com o objectivo de tornar a igreja mais sumptuosa. É neste contexto que se deve enquadrar a sacristia actual, o púlpito, a teia de pau brasil, o novo retábulo-mor (actualmente na sacristia), e o revestimento azulejar de tipo tapete na capela-mor (este, aconselhado pelos visitadores, em 1636 - SIMÕES, 1979, p.179). Foram estes os exemplares vendidos em 1776 e 1782 ao prior da Ventosa e à igreja de Arruda dos Vinhos, depois de substituídos pelos painéis oitocentistas que hoje conhecemos (SIMÕES, 1981, p.7).
A centúria seguinte trouxe consigo grandes transformações, acentuando o carácter barroco da decoração, numa arquitectura que se mantinha sóbria e depurada. Logo em 1704-1707 foi edificada a torre Sul, e a fachada beneficiou da galilé que hoje conhecemos, acrescentando-se ainda às dependências já existentes, o celeiro e a Sala das Sessões. No interior, registou-se um novo coro, bem como um retábulo de talha dourada em cuja tribuna se exibe a imagem de Nossa Senhora da Piedade, e o altar de embutidos marmóreos. As pinturas do tecto, da autoria de António Pimenta Rolim, inscrevem-se nesta campanha, e estão datadas de 1746 (FALCÃO,1986, pp.21-25). Ainda do século XVIII são os restantes altares de talha dourada, as 4 telas da capela-mor, e os azulejos historiados que revestem este espaço (identificados por Santos Simões como cenas da vida de Santa Cecília, e c. 1740) (1979, p.179).
O Terramoto de 1755 arruinou bastante a igreja, procedendo-se, nos anos subsequentes, à reparação da fachada, coro, sala das sessões, celeiro, e torre Sul. O alargamento da confraria ao Brasil permitiu que a segunda metade do século XVIII se tornasse um período de apogeu, graças às esmolas vindas do outro lado do Atlântico. Datam deste período muitos trabalhos de talha e alguma azulejaria (transepto - c. 1780). Os azulejos da nave, com emblemas marianos e moldura polícroma são já do início do século XIX, tal como a torre Norte.
Por fim, resta referir as obras do antigo celeiro, transformado em baptistério pelo arquitecto Luís Cristino da Silva, em 1960, e que contou com a colaboração de outros artistas seus contemporâneos, como Leopoldo de Almeida (que modelou um São João Baptista, em bronze), Severo Portela (autor da pintura a óleo representando a face de Cristo), e Eduardo Leite (que desenhou o pavimento cerâmico). (RC)

Bibliografia

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Arquitectura: renascimento e classicismo, História da Arte Portuguesa, vol. II, 1995, pp. 303-375

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

MOREIRA, Rafael

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

O concelho de Alenquer - subsídios para um roteiro de arte e etnografia

Local

Alenquer

Data

1989

Autor(es)

MELO, António de Oliveira, GUAPO, António Rodrigues

Título

Alemquer e seu concelho

Local

Lisboa

Data

1914

Autor(es)

HENRIQUES, Guilherme João Carlos

Título

Documentos da Real Casa de Nossa Senhora da Piedade da Merceana relativos aos pintores António Pimenta Rolim e Francisco Pinto Pereira

Local

Santiago do Cacém

Data

1986

Autor(es)

FALCÃO, José António