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Igreja de Santa Quitéria - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santa Quitéria

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de Santa Quitéria de Meca / Igreja Paroquial de Meca / Igreja de Santa Quitéria / Santuário de Santa Quitéria de Meca(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Alenquer / Meca

Endereço / Local

Largo de Santa Quitéria de Meca
Meca

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 366, DG, I Série, n.º 70, de 5-04-1949 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santa Quitéria de Meca, obra do último quartel do século XVIII, ergue-se no seio da malha urbana da vila, mas beneficia de um amplo adro fronteiro, onde se realizam as festas e bênçãos. O culto a Santa Quitéria (invocada contra a raiva e a loucura) parece ser bastante antigo, uma vez que, de acordo com a lenda, a sua imagem, com poderes milagrosos, apareceu num espinheiro da Quinta de São Brás, perto de Meca, em 1238.
O templo que hoje conhecemos deverá ter sido erguido no mesmo local da antiga ermida, onde se venerava a referida imagem. A iniciativa da sua construção deve-se à confraria de Santa Quitéria, que beneficiou da protecção da rainha D. Maria I. Esta relação talvez ajude a explicar o traçado da igreja e a sua atribuição a um dos arquitectos mais significativos da época - Mateus Vicente -, que desenhou, entre outros edifícios, a Basílica da Estrela, a igreja da Memória, ou a Igreja de Santo António à Sé, em Lisboa (PEREIRA, 1999, p. 86; SALDANHA, 2002, p. 12). Tal como outros arquitectos seus contemporâneos, Mateus Vicente foi "responsável pela transição entre as duas metades do século no campo do barroco internacional" (GOMES, 1988, p. 22), sendo estas características bem visíveis na igreja de Santa Quitéria.
O templo desenvolve-se em planta de cruz latina, com nave única antecedida por galilé. Os panos murários da nave, em cantaria, são ritmados por pilastras, que enquadram os diversos altares, abertos por arcos de volta perfeita. Os retábulos de mármore exibem telas com representações diversas. Cobre este espaço uma abóbada de lunetas, pintada de forma a marcar os tramos e a definir medalhões onde se representam cenas alusivas à vida e ao martírio de Santa Quitéria, tal como acontece na capela-mor. No coro alto, de planta contracurvada e limitado por balaustrada, encontra-se o órgão, com data de 1816, atribuído a António Xavier Machado e Cerveira.
Os braços do transepto são seccionados por portas de frontão triangular, a que correspondem janelas no registo superior e, nos topos, retábulo de mármore com telas da autoria de Pedro Alexandrino. Na abóbada do cruzeiro, figuram os quatro Evangelistas. A capela-mor exibe um retábulo de mármore, e os panos murários são abertos por portas de frontão triangular e janelas.
Se a planta e o interior recordam a Basílica da Estrela e mesmo algumas igrejas da Baixa Pombalina, onde as capelas laterais são substituídas por altares, é na fachada que se evidencia claramente a filiação do projecto de Mateus Vicente para a Basílica das Carmelitas Descalças do Coração de Jesus. Na realidade, o corpo central é idêntico, rematado pelo característico frontão inspirado na obra de Borromini (com o óculo quadrilobado no tímpano), tão utilizado pelo arquitecto noutras obras, e também projectado para a Estrela. Neste caso, foi encurtado por forma a ser integrado entre as duas torres, de remate bolboso. Note-se que o desenho inicial de Mateus Vicente para a Basílica lisboeta foi aqui mantido, mas integrando as torres, também utilizadas na Estrela, mas em consequência de uma remodelação ao primeiro projecto. Recordemo-nos que o templo da capital acabou por ter um frontão triangular, em consequência da intervenção mais ecléctica de Reinaldo Manuel.
Assim, em Santa Quitéria de Meca parece sobrevir o entendimento do barroco de Mateus Vicente, numa via que prolonga a tradição arquitectónica nacional em detrimento de um maior eclectismo. O "congelamento do barroco", expressão utilizada por Paulo Varela Gomes para caracterizar a obra deste arquitecto, encontra-se, aqui, muito vincado. Prevalece, no entender do autor, "uma fachada poderosamente unificada pelas pilastras", embora se mantenha uma hesitação entre o domínio do corpo central e as torres, estas denotando falta de coerência na articulação com os corpos laterais (GOMES, 1988, p. 25).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O Barroco

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

O barroco do século XVIII, História da Arte Portuguesa, vol.3

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

A cultura arquitectónica e artística em Portugal no séc. XVIII

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GOMES, Paulo Varela

Título

A Quinta Chaga de Cristo. A Basílica das carmelitas Descalças do Coração de Jesus à Estrela, Monumentos, pp. 8-15

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

SALDANHA, Nuno