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Conjunto formado pela Igreja de São José dos Carpinteiros e prédios anexos da Rua de São José com os n.os 64 a 100 - detalhe

Designação

Designação

Conjunto formado pela Igreja de São José dos Carpinteiros e prédios anexos da Rua de São José com os n.os 64 a 100

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de São José / Igreja de São José(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Santo António

Endereço / Local

Rua de São José
Lisboa

Número de Polícia: 64-100

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 529/96, DR, I Série-B, n.º 228, de 1-10-1996 (sem restrições) (ZEP dos edifícios classificados da Avenida da Liberdade e área envolvente) (ver Portaria)
Edital N.º 43/96 de 24-03-1996 da CM de Lisboa
Despacho de homologação de 8-09-1995 do Secretário de Estado da Cultura
Despacho de aprovação de 5-04-1995 do presidente do IPPAR
Parecer de 21-02-1995 do Conselho Consultivo do IPPAR a propor a alteração da delimitação
Proposta de 24-01-1995 da DR de Lisboa

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Fundada no ano de 1532, a Irmandade de São José dos Carpinteiros estabeleceu-se originalmente na Igreja de Santa Justa e Santa Rufina; em 1545, a confraria decidiu edificar o seu próprio templo, dedicada ao padroeiro, escolhendo fixar-se no local de Entre-as-Hortas, que ficava então fora das portas da cidade de Lisboa.
Alguns anos mais tarde, em 1567, o Cardeal-Infante D. Henrique decidiu dividir a freguesia de Santa Justa, criando na zona de Entre-as-Hortas uma nova freguesia, sendo o templo de São José dos Carpinteiros designado como sede paroquial, e "emprestando" a toponímia do padroeiro à nova divisão administrativa da capital.
Em meados do século XVII, a irmandade decidiu fazer obras de ampliação no templo quinhentista, conforme atesta uma inscrição colocada na nave da igreja. Desconhece-se, porém, o autor da nova traça.
O terramoto de 1755 destruiu a fachada da igreja, pelo que a irmandade contratou o mestre lisboeta Caetano Tomás para edificar um novo frontispício, que ficou terminado cerca de dois anos depois. O templo manteve a estrutura seiscentista, de planta rectangular, composta pelos volumes da nave e da capela-mor.
A fachada é precedida por escadaria dupla, que forma pequeno átrio; do lado esquerdo adossa-se a torre sineira. Ao centro do frontispício rasga-se o portal, encimado por medalhão com a imagem do Patriarca São José em alto relevo, ladeado por dois escudos, onde se inscreveram as principais efemérides relacionadas com o templo, dos quais pendem os símbolos dos carpinteiros, à direita, e dos pedreiros, à esquerda. No registo superior, foram abertas três janelas, que iluminam o coro-alto. O conjunto é rematado em empena contra-curvada.
No interior, a nave é coberta por abóbada de canhão, onde foi pintada a imagem de São José e o Anjo. As paredes são decoradas até meia altura com silhar de azulejos setecentistas, dividido em painéis figurando cenas da vida de São José.
Junto ao arco triunfal foram abertas duas capelas laterais, que dão a ideia de constituírem um falso transepto, com retábulos de talha policroma, dedicadas a Nossa Senhora da Fé, do lado do Evangelho, e ao Senhor dos Passos, do lado da Epístola. Do lado da Epístola, abre-se a porta de acesso à sacristia, que alberga um lavabo de embutidos coroado por frontão.
A capela-mor é também coberta por abóbada, pintada a Sagrada Família. Apresenta ao centro o retábulo de mármore, executado no século XIX, que alberga trono policromo.
Do programa decorativo destaca-se ainda um presépio em terracota da segunda metade do século XVIII, atribuído à escola de Machado de Castro, com a Sagrada Família - um tema raramente representado nas composições portuguesas -, secundada pela Anunciação e a Fuga para o Egipto.
Anexa ao templo, foi construído o edifício onde funcionava, no piso térreo, a Casa da Mesa da irmandade, que após o terramoto de 1755 passou a albergar a "Casa dos 24", e a Casa do Despacho, situada no piso superior, à qual se acede por escadaria de mármore com rodapé de azulejos. A entrada deste edifício faz-se pelo portal rasgado lateralmente, que abre para a Rua da Fé, com lintel dórico e frontão de volutas que enquadram brasão oval.
Catarina Oliveira
DIDA/IGESPAR, I.P./ 25 de Setembro de 2007

Imagens

Bibliografia

Título

Presépios Portugueses Monumentais do século XVIII em Terracota

Local

Universidade Nova de Lisboa

Data

1998

Autor(es)

PAIS, Alexandre Manuel Nobre da Silva

Título

S. José de Entre-as-Hortas (Igreja de), Dicionário da História de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1994

Autor(es)

GONÇALVES, António Manuel

Título

Monumentos e edifícios notáveis do distrito de Lisboa, vol. V (2º tomo)

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ALMEIDA, D. Fernando de