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Património Cultural

Quinta e Palácio de Nossa Senhora da Piedade, incluindo todos os elementos que se encontram intramuros e a igreja - detalhe

Designação

Designação

Quinta e Palácio de Nossa Senhora da Piedade, incluindo todos os elementos que se encontram intramuros e a igreja

Outras Designações / Pesquisas

Quinta de Nossa Senhora da Piedade (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Vila Franca de Xira / Póvoa de Santa Iria e Forte da Casa

Endereço / Local

Quinta da Piedade
Póvoa de Santa Iria

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)
Edital N.º 58/83 de 18-08-1983 da CM de Vila Franca de Xira
Despacho de homologação de 18-10-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 15-10-1974 da 4.ª Subsecção da 2.ª Secção da JNE a propor a classificação como IIP

ZEP

Despacho de 29-10-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar o agendamento da elaboração de nova proposta de ZEP
Proposta de 7-10-2015 da DGPC para revogação do despacho de homologação da ZEP, por se desconhecer a sua delimitação
Em 6-12-1974 foi dado conhecimento do despacho à CM de Vila Franca de Xira e solicitada a afixação e publicação do respectivo edital
Despacho de homologação de 18-10-1974 do Secretário de Estado dos Assuntos Culturais e Investigação Científica
Parecer de 15-10-1974 da 4.ª Sub-Secção da 2.ª Secção da JNE a propor a fixação da ZEP

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Desde meados do século XIV e até 1916 na posse da mesma família, a Quinta de Nossa Senhora da Piedade é, desde 1979, propriedade da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira. Para a reconstituição da sua longa história socorremo-nos dos mais recentes estudos conduzidos por Celso Mangucci (1994; 1998).
A propriedade primitiva era bastante mais extensa do que o núcleo que hoje conhecemos, composto pelo jardim murado que inclui o palácio, a ermida antiga de Nossa Senhora da Piedade, o oratório de São Jerónimo, a Lapa do Senhor Morto, e a igreja nova de Nossa Senhora da Piedade.
A sua origem remonta a 1348, ano em que o cónego da Sé de Lisboa, Vicente Afonso Valente, instituiu, em testamento, este vínculo. Por matrimónio entre os Valente e os Castelo Branco, a Quinta passou para a posse dos segundos, nobilitados como Condes de Vila Nova de Portimão. Na segunda metade do século XVII, transitou para um ramo secundário dos Lencastres que, entre outros títulos, se tornaram, a partir de 1789, Marqueses de Abrantes. Numa primeira fase, importa reter o nome de um dos senhores da Quinta, D. Francisco de Castelo Branco Valente, camareiro-mor de D. João III, pela sua importância na configuração de uma propriedade de cariz intimista, meditativo, e totalmente dedicada, através de um amplo programa iconográfico, à evocação do Senhor Morto e de Nossa Senhora da Piedade. De acordo com a inscrição patente na ermida, em 1531 estaria concluído o referido programa, que incluía o oratório de São Jerónimo, a lapa e a ermida de N. Sra. da Piedade. Esta última, testemunha a construção de um pequeno templo manuelino (de matriz classicizante) associado a uma casa nobre, campestre (1998, p. 44). O oratório, com cúpula de gomos sobre a capela-mor e as armas do seu encomendador sobre o mainel do nartex, é um espaço que foi concebido para a oração individual e meditação de D. Francisco, situando-se numa zona rodeada por bosques, tal como a ermida. Conserva-se no local parte do conjunto de azulejos, nomeadamente os do século XVIII, alusivos a São Jerónimo, executados por Valentim de Almeida e seu filho Sebastião Inácio (1998, p. 49). Por último, a Lapa do Senhor Morto, reedificada no final do século XVII, é revestida por painéis evocativos de milagres de N. Sra. da Piedade, executados pelos mesmos pintores. No seu interior, o grupo escultórico em pedra de Ançã representa a Lamentação sobre Cristo Morto.
É possível que existisse uma casa de habitação anterior, mas foi, com certeza, na época do filho de D. Francisco que se constituiu o núcleo habitacional, a partir do qual se desenvolveu o edifício setecentista. Na realidade, sobrevivem estruturas medievais de um palácio fortificado, mas profundamente remodelado em data próxima de 1550, aproximando-se, então, de um "paço abaluartado ao gosto italiano" (PEREIRA, SOBRAL, 1994, p. 14). No final do século XVII, iniciou-se a edificação da nova igreja, cujo traçado tem vindo a ser atribuído a João Antunes; ideia corroborada pela documentação recentemente revelada. Nesta fase, a responsabilidade das obras recaiu sobre Frei António da Conceição, sendo proprietários D. Luís de Lencastre, cuja morte, ocorrida em 1704, atrasou o bom andamento dos trabalhos. Assim, a renovação setecentista foi levada a cabo por D. Pedro de Lencastre. A igreja foi sendo objecto de várias campanhas, com o retábulo de 1724-26 (hoje modificado) e os azulejos figurativos de c. 1728, atribuídos a Teotónio dos Santos. Entre 1749 e 1752 um novo surto construtivo foi motivado pela ascensão social de D. Pedro de Lencastre, que renovou parcialmente a igreja e iniciou uma vasta campanha de obras no jardim e no palácio, com o objectivo de normalizar e integrar ambas as estruturas. A sua morte, em 1752, veio interromper o processo. Neste contexto, merece especial importância o conjunto de azulejos que reveste o interior do Palácio, com cenas figurativas e de padrão, executadas pelos já referidos pintores Valentim e Sebastião de Almeida.(RC)

Imagens

Bibliografia

Título

Santuário Mariano

Local

Lisboa

Data

1933

Autor(es)

SANTA MARIA, Frei Agostinho de

Título

Quinta de Nossa Senhora da Piedade, Al-Madan - Arqueologia, Património e História Local, IIª série, n.º 3, Almada, pp. 125-131

Local

Almada

Data

1994

Autor(es)

MANGUCCI, Celso

Título

Quinta de Nossa Senhora da Piedade - história do seu palácio jardins e azulejos

Local

Vila Franca de Xira

Data

1998

Autor(es)

MANGUCCI, Celso

Título

A Quinta da Piedade entre o Manuelino e o Renascimento, Cira, Boletim Cultural da Câmara Municipal de Vila Franca de Xira, n.º 6, pp. 9-30

Local

Vila Franca de Xira

Data

1994

Autor(es)

PEREIRA, Fernando António Baptista, SOBRAL, Carlos

Título

O pintor Valentim de Almeida (1692-1779) e o programa de conservação e restauro da azulejaria da Quinta de Nossa Senhora da Piedade, Cira - Boletim Cultural, n.º 8, pp. 63-74

Local

Vila Franca de Xira

Data

1999

Autor(es)

DUARTE, Ana Luisa, MANGUCCI, Celso

Título

O Palácio da Quinta da Piedade, Cira - Boletim Cultural, nº 8, pp. 75-80

Local

Vila Franca de Xira

Data

1999

Autor(es)

ALMEIDA, José Carlos Ferreira de

Título

Inventario do Patrimonio Arqueologico e construido do Concelho de Vila Franca de Xira. Parcela 403-8, Boletim Cultural, n.º 1pp. 116-117

Local

Vila Franca de Xira

Data

1985

Autor(es)

PARREIRA, Rui

Título

Igreja da Piedade: depoimento, Notícias da Póvoa, pp. 5-6

Local

Póvoa

Data

1984

Autor(es)

ROTA, J.

Título

Municipalização e valorização das Quintas de Subserra e Piedade em Vila Franca de Xira, Poder local: património cultural (conferência do PCP sobre o Poder Local, Almada, 18 de Outubro de 1981), pp. 75-77

Local

Lisboa

Data

1981

Autor(es)

NUNES, M.

Título

French Models for Portuguese Tiles, Apollo

Local

Londres

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de