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Marco granítico n.º 39 - detalhe

Designação

Designação

Marco granítico n.º 39

Outras Designações / Pesquisas

Marco na Quinta da Costa de Baixo / Marcos de Demarcação da Zona de Produção de Vinhos Generosos do Douro em Sabrosa (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Marco

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Sabrosa / Gouvinhas

Endereço / Local

Quinta da Costa de Baixo
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 909, DG, Série I, n.º 236, de 17-10-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Localizado na Quinta da Costa de Baixo, em Gouvinhas, no concelho de Sabrosa, o marco granítico n.º 39 inclui-se no conjunto de mais de uma centena de padrões criados no século XVIII para demarcar geograficamente o território da Região Vinhateira do Alto Douro, ou Alto Douro Vinhateiro.
O marco, que se ergue encostado a um muro que delimita o caminho de acesso às casas das quinta, apresenta forma paralelepipédica de remate liso, com 200 cm de altura por 35 cm de largura. Na face principal, virada ao rio Douro, o padrão exibe a inscrição "FEITORIA", dividida numa linha enquadrada por dois filetes; sob o de baixo, lê-se a palavra "MELO", e sobre o de cima foi esculpida uma cruz com base circular, acrescentados posteriormente. A base da estrutura está cravada numa fraga.
História
Embora se conheçam referências documentais ao Vinho do Porto desde o terceiro quartel do século XVII, será a partir do Tratado de Methuen, celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a granjear o prestígio que ainda hoje detém. O referido acordo entre as duas coroas estimulou de forma notória a produção nacional, procedendo-se então à reestruturação dos vinhedos e elegendo-se os terrenos da zona do Cima Corgo para a sua produção.
No entanto, a elevada produção da região, que transformou totalmente a sua paisagem e passou a dedicar-se em exclusivo à vinha, levou a uma crise de superprodução de vinho, apenas ultrapassada com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no ano de 1756, por iniciativa do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O estabelecimento da Companhia teve como objetivo demarcar a região vinícola do Alto Douro, garantindo assim a qualidade do vinho e criando a primeira zona mundial de origem controlada no sentido em que é hoje entendido esse conceito.
Foi justamente no âmbito desta medida que em 1757 se procedeu à demarcação da área dos terrenos de produção vinícola, ou dos vinhos de "feitoria", através da colocação de 201 marcos de granito, aos quais se juntaram, em 1761, mais 134 marcos. Este vasto conjunto de imponentes padrões de pedra marca uma extensa região que se estende ao longo do troço médio do vale do Douro e parte dos seus afluentes, definida entre Barqueiros e Freixo de Espada à Cinta, subdividindo-se, grosso modo, nas três sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.
Executados em granito, estes padrões paralelepipédicos foram gravados com a designação "Feitoria", havendo nalguns casos a adição do ano em que foram colocados. A demarcação e a respetiva colocação dos marcos foram realizadas pela Comissão Demarcante, constituída por Carvalho e Melo; o texto resultante deste trabalho permite identificar as vinhas demarcadas, os seus proprietários e o local de implantação original do marco.
Em 1946 grande parte dos marcos pombalinos foram classificados como de interesse público, sendo então catalogados com um número. Estão integrados na classificação do Alto Douro Vinhateiro, inscrito em 2001 na lista de Património Mundial da UNESCO e classificado como Monumento Nacional desde 2010.
O marco classificado com o n.º 39 corresponde ao quarto marco da demarcação das terras entre os rios Ceira e Pinhão, no chamado sítio da Costa. Originalmente, foi colocado num terreno de pousio por cima da vinha de Mariana Lopes, a nascente do caminho entre Gouvinhas e o Rio Douro. Foi, depois, deslocado para a parte poente deste caminho, para as terras de António Melo, ao qual alude a inscrição "MELO".
Estas terras viriam a integrar a Quinta da Costa de Baixo, local onde o padrão estava já implantado à data da classificação, junto ao trilho que se dirige às casas da propriedade.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
(com a colaboração do Museu do Douro)

Imagens

Bibliografia

Título

As demarcações pombalinas no Douro vinhateiro

Local

Porto

Data

1951

Autor(es)

FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da

Título

Marcos da Demarcação

Local

Peso da Régua

Data

2007

Autor(es)

AA.VV.

Título

As demarcações marianas no Douro vinhateiro

Local

Porto

Data

1996

Autor(es)

FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da