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Património Cultural

Área do Castelo de Gaia - detalhe

Designação

Designação

Área do Castelo de Gaia

Outras Designações / Pesquisas

Monte do Castelo / Povoado na Área do Castelo de Gaia (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Área

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Vila Nova de Gaia / Santa Marinha e São Pedro da Afurada

Endereço / Local

-- -
Vila Nova de Gaia

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Em termos arqueológicos, Vila Nova de Gaia cedo mereceu o interesse de curiosos e estudiosos, num contexto oitocentista assaz propício à realização de escavações, em pleno despertar europeu para a jovem ciência arqueológica, que teve de igual modo entre nós uma expressão bastante promissora. Desde José Leite de Vasconcellos (1858-1941), passando por António Augusto Esteves Mendes Corrêa (1888-?) até Ricardo Severo da Fonseca e Costa (1869-1940), foram vários os nomes de todos quantos se dedicaram à investigação arqueológica da cidade e seu concelho desde finais do século XIX até ao apogeu do Estado Novo, quando se observou um certo declínio nos estudos entretanto realizados neste âmbito tão específico da cultura portuguesa, em grande parte decorrente da ausência do necessário investimento estatal ao seu incremento generalizado. Esta situação seria, contudo, ultrapassada, assistindo-se a um visível e amplo desenvolvimento da investigação arqueológica conduzida ao longo das últimas três décadas, durante as quais se tem vindo a conceder uma atenção muito especial aos vestígios medievos da cidade de Vila Nova de Gaia, e, mais propriamente, a toda a área ocupada pelo "Castelo de Gaia".
A referência mais antiga de que há conhecimento sobre o "Castelo" remonta a meados do século XVI e é da lavra do conhecido cronista João de Barros (1496-1570), para quem He tão antigo que dizem o fundou Caio Julio Cesar e dahi tomou o nome, uma tradição, aliás, retomada dois séculos depois, quando se referiu serem os muros do "Castelo" fabrica do tempo, e uso Romano (GUIMARÃES, Gonçalves, 2000, p. 157). Na verdade, estas alusões não deverão surpreender, pois ilustram bem o contexto cultural vivido nas duas centúrias, mesmo com duzentos anos a separá-las: enquanto a Era de quinhentos revivia a Antiguidade Clássica através do seu Renascimento, setecentos deslumbrava-se com a descoberta de sítios tão paradigmáticos da cultura ocidental, como Pompeia, Herculano e Estábia, enquanto se embrenhava no movimento Neoclássico.
Entretanto, e apesar de as estruturas se encontrarem bastante derruídas e os materiais fragmentados e misturados, as escavações realizadas na "Área do Castelo de Gaia" (sobretudo a partir de 1983, sob orientação de Armando Coelho Ferreira da Silva) permitiram, por um lado, confirmar a sua ocupação durante o período romano e, por outro, relançar a velha questão da localização de Cale e de um dos dois Portucale (GUIMARÃES, Gonçalves, 2000, p. 157). Além disso, as investigações trouxeram à luz do dia vestígios (nomeadamente de cerâmica mamilar) daquele que terá sido um povoado fortificado do Bronze Final (embora alguns materiais pareçam indiciar uma anterior presença humana durante o Calcolítico (CARVALHO, Teresa Pires de, FORTUNA, Jorge, 2000, p. 160)), com reutilizações datáveis do século I d. C. e Baixo Império Romano, confirmadas, ademais, pela identificação de vários troços de uma monumental muralha romana e recolha de uma vasta série de fragmentos cerâmicos, sem que surgissem, contudo, os elementos identificadores de um castelo medieval no seu perímetro.
Foram, no entanto, encontradas determinadas estruturas pétreas (algumas em negativo) e elementos cerâmicos cronologicamente atribuíveis à Alta Idade Média, Idade Média e Baixa Idade Média (GUIMARÃES, Gonçalves, 1995, p. 131 e segs.), embora a grande concentração de materiais pareça apontar para uma presença humana mais constante no local entre os séculos V e VII. Mas, quanto ao castelo medieval, propriamente dito, não será de afastar a hipótese de as suas estruturas terem sido destruídas pela população durante a crise de 1383-1385, como registou o cronista-mor do reino, Fernão Lopes (1380 ?-1460?), na sua Crónica de D. João I.
Estamos, pois, em presença de uma sobreposição de níveis ocupacionais com reutilização de materiais, a atestar, no fundo, a importância estratégica do local.
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

Gaya no passado, Mea Villa de Gaya

Local

Porto

Data

1909

Autor(es)

FORTES, José T. Ribeiro

Título

As estradas romanas no concelho de Gaia, Brotéria

Local

Porto

Data

1935

Autor(es)

MATTOS, A.

Título

As origens da cidade do Porto

Local

Porto

Data

1935

Autor(es)

CORRÊA, A. A. M.

Título

O Castelo de Gaia - propostas para um estudo actual, Livro do Congresso, Segundo Congresso sobre Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1984

Autor(es)

GUIMARÃES, Gonçalves

Título

Aspectos da protohistória e romanização no concelho de Vila Nova de Gaua e problemática do seu povoamento, Gaya

Local

Gaia

Data

1984

Autor(es)

SILVA, A. C. F. da

Título

Plano de Pormenor do Castelo de Gaia. Inventário Geral. 1.ª Parte

Local

Vila Nova de Gaia

Data

1989

Autor(es)

AFONSO, J. A., CAMPOS, E., GUIMARÃES, J. A. G., PEDROSA, A. de S., PEDROSA, F. T., TAVARES, F. T., VALENTE, A. M.

Título

Muralha romana. Descoberta no Castelo de Gaia, Al-Madan

Local

Almada

Data

2000

Autor(es)

FORTUNA, Jorge, CARVALHO, Teresa Pires de

Título

Um século de Arqueologia em Vila Nova de Gaia, Al-Madan

Local

Almada

Data

2000

Autor(es)

GUIMARÃES, Gonçalves

Título

A arqueologia medieval e moderna na região do Porto. Breve balanço e algumas reflexões críticas, Al-Madan

Local

Almada

Data

2000

Autor(es)

GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, SILVA, António Manuel S. P., RODRIGUES, Miguel Carlos Lopes Brandão Areosa