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Castelo de Algoso - detalhe

Designação

Designação

Castelo de Algoso

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Castelo

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Vimioso / Algoso, Campo de Víboras e Uva

Endereço / Local

-- -
Algoso

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O castelo de Algoso é uma das mais importantes fortalezas medievais do Leste transmontano, evocadora das guerras com Leão, das tentativas do monarca português em afirmar a sua autoridade na região e, finalmente, da comenda hospitalária que aqui se estabeleceu em 1224 (TEIXEIRA, 2004).
A arqueologia permitiu confirmar que, antes de a Idade Média aqui ter erguido um castelo, foram várias as fases de povoamento, identificando-se materiais dos períodos calcolítico (em particular moldes de fundição de machados de bronze), proto-histórico e romano (correspondendo, estes últimos, a elementos cerâmicos aparentemente associados a uma lixeira do século IV e não a uma efectiva presença militar) (ARGÜELLO, 2004, pp.195-196).
A história do castelo de Algoso tem início no século XII, em altura ainda incerta, mas que se poderá situar "durante a fase final do reinado de Afonso Henriques, quando Sancho I se encontrava já associado ao exercício do poder régio" (TEIXEIRA, 2004, p.179). Por essa altura, e de acordo com informações das Inquirições de 1258, o castelo foi construído por Mendo Bofino (ao que tudo indica um dos apoiantes da causa de Afonso Henriques contra D. Teresa, e que, nas décadas centrais do século XII, teve grande protagonismo no Leste transmontano), em troca da vila de Vimioso. Verifica-se, assim, uma associação entre um importante nobre local (que sabemos ter tido ligações com a corte de Leão, mas que se manteve fiel à causa portuguesa) e o rei, indicador que, associado à condição do castelo como cabeça da Terra de Miranda, revela bem a importância da fortaleza "como ponto nuclear de apoio da autoridade régia" nesta periférica região (IDEM, p.181).
Infelizmente, desta primeira fase de construção, pouco ou nada sabemos. É possível que obedecesse "aos princípios do "castelo românico", com ou sem torre de menagem no interior do recinto murado", e acompanhando as condicionantes do terreno, mas nenhum elemento resgatado arqueologicamente é cronologicamente relacionável com esse período (IDEM, p.185) e, pelo registo arqueológico, parece confirmar-se que os níveis do século XII "foram arrasados nos séculos posteriores" (ARGÜELLO, 2004, p.196).
A partir de 1224, a primitiva estrutura foi radicalmente alterada. Nesta data, ou um pouco antes (TEIXEIRA, 2004, p.182), o castelo foi doado à Ordem de São João do Hospital, depois de um relativamente longo período de guerra com Leão. Nesta altura, a expansão da autoridade régia por Trás-os-Montes privilegiava a criação de julgados e de vilas novas, de carácter urbano, relegando os castelos para uma situação puramente defensiva e de conteúdo unicamente militar.
Na posse dos Hospitalários, o castelo foi transformado numa fortaleza gótica, caracterizada por uma ideia de defesa activa. Data deste período a torre de menagem heptagonal, assim concebida para melhor resistir a ataques, proporcionar mais adequados ângulos de tiro (em particular os verticais, conforme se documenta pela existência de um balcão de matacães sobre a porta de entrada do recinto) e melhor servir de residência ao comendador (IDEM, p.185). Do projecto gótico, terá feito igualmente parte um torreão localizado a Sul, que Duarte d'Armas ainda desenhou em 1509. Na transição para a Modernidade, o castelo foi parcialmente actualizado à pirobalística, mas "sem um programa extenso e coerente de remodelação", os trabalhos foram muito limitados (IDEM, p.187).
No Numeramento de 1530, refere-se que, no castelo, só vive o alcaide (GOMES, 2003, p.148) e, em 1684, eram já muitas as estruturas que se encontravam abandonadas e em ruínas. No final do século XVII, ainda se procederam a algumas obras, mas só muito recentemente se inverteu o processo decadente, primeiro com a DGEMN (nas décadas de 50 a 70 do século XX) e, na actualidade, com o IPPAR que, em parceria com a autarquia de Vimioso, aqui desenvolve um importante projecto de recuperação e valorização do conjunto (AMARAL, 2004; ANES, 2004).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"A Cultura Castreja no Noroeste de Portugal"

Local

Paços de Ferreira

Data

1986

Autor(es)

SILVA, Armando Coelho Ferreira da

Título

"O Leste do Território Bracarense"

Local

Torres Vedras

Data

1975

Autor(es)

NETO, Joaquim Maria

Título

"Memórias arqueológico-históricas do distrito de Bragança: repositório amplo de notícias corográficas, hidro-orográficas, geológicas, mineralógicas, hidrológicas, biobibliográficas, heráldicas (...), 2ªed."

Local

Bragança

Data

2000

Autor(es)

ALVES, Francisco Manuel

Título

"O povoamento medieval em Trás-os-Montes e no Alto Douro. Primeiras impressões e hipóteses de trabalho, Arqueologia Medieval, nº2, pp.171-190"

Local

Porto

Data

1993

Autor(es)

GOMES, Paulo José Antunes Dórdio

Título

"Roteiro dos castelos de Trás-os-Montes"

Local

Chaves

Data

2000

Autor(es)

VERDELHO, Pedro

Título

"Castelos Portugueses"

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

MONTEIRO, João Gouveia, PONTES, Maria Leonor

Título

"A Ordem do Hospital e a arquitectura militar em Portugal (Sécs. XII a XIV), 3ºCongresso de Arqueologia Peninsular, vol. VII, 2000, pp.187-209"

Local

Porto

Data

2000

Autor(es)

BARROCA, Mário Jorge

Título

"Povoamento Romano de Trás-os-Montes Oriental, 6 vols., Dissertação de Doutoramento apresentada à Universidade do Minho"

Local

Braga

Data

1993

Autor(es)

LEMOS, Francisco Sande

Título

"Pré-História recente no Planalto Mirandês (Leste de Trás-os-Montes)"

Local

Porto

Data

1992

Autor(es)

SANCHES, Maria de Jesus

Título

"O projecto de valorização do Castelo de Algoso (Vimioso), Património - Estudos, nº7, pp.175-177"

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

AMARAL, Paulo

Título

"O castelo de Algoso. Do domínio régio ao senhorio hospitalário, Património - Estudos, nº7, pp.178-191"

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes

Título

"Intervenção arqueológica no castelo de Algoso, Património - Estudos, nº7, pp.192-197"

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

ARGÜELLO MENÉNDEZ, Jorge

Título

"Reabilitação e valorização do castelo de Algoso. Enquadramento conceptual e fundamentação técnica, Património - Estudos, nº7, pp.198-205"

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

ANES, Paulo

Título

"Vimioso. Notas monográficas"

Local

Coimbra

Data

1968

Autor(es)

ALVES, Francisco Manuel, AMADO, Adrião Martins

Título

"O castelo e a comenda de Algoso (apontamentos para uma monografia), Brotéria, vol. XX, fasc. 5-6, pp.352-361"

Local

Lisboa

Data

1935

Autor(es)

LOPES, Miranda José Manuel

Título

"Os comendadores de Algoso (1224-1416), Brotéria, vol. XXII, fasc.4-5, pp.311-319"

Local

Lisboa

Data

1936

Autor(es)

LOPES, Miranda José Manuel

Título

"Fundação do Castelo de Algoso : quem era D. Bofino, testemunha e confirmante da doação do burgo do porto, por D. Teresa, em 1120?"

Local

Bragança

Data

1974

Autor(es)

MOUTINHO, António Maria

Título

"A Ordem Militar do Hospital em Portugal (séculos XII-XIV), Dissertação de Mestrado em História Medieval apresentada à Faculdade de Letras da Universidade do Porto"

Local

Porto

Data

1993

Autor(es)

COSTA, Paula Pinto

Título

"Castelos em Portugal. Retrato do seu Perfil Arquitectónico"

Local

Coimbra

Data

2010

Autor(es)

CORREIA, Luís Miguel Maldonado de Vasconcelos