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Mosteiro de Grijó - detalhe

Designação

Designação

Mosteiro de Grijó

Outras Designações / Pesquisas

Mosteiro de São Salvador de Grijó / Mosteiro de Grijó e Túmulo de D. Rodrigo Sanches / Mosteiro de São Salvador(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Mosteiro

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Vila Nova de Gaia / Grijó e Sermonde

Endereço / Local

Lugar do Mosteiro
Grijó

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28 536, DG, I Série, n.º 66, de 22-03-1938 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Segundo a tradição, o primitivo Mosteiro de São Salvador de Grijó foi fundado em 922, no lugar de Muraceses por dois clérigos, Guterre e Ausindo Soares, adoptando a regra e hábito de Santo Agostinho em 938. No ano de 1112 foi transferido para a localização onde se encontra actualmente, mas a nova igreja só seria sagrada na centúria seguinte, em 1235, pelo bispo do Porto, D. Pedro Salvador. No início do século XVI o convento encontrava-se em ruínas, e em 1535 D. João III autorizou a transferência do mosteiro para a Serra de São Nicolau, em Gaia. No entanto, nem todos os clérigos concordaram com a transferência, e por isso em 1566 o Papa Pio V separou os dois mosteiros.
Com a volta dos monges a Grijó, a comunidade verificou que o mosteiro necessitava ser reformado, e como tal em 1572 contratou o arquitecto Francisco Velasquez, mestre de obras da Sé de Miranda do Douro, para desenhar o novo projecto. Dois anos depois, a 28 de Junho de 1574, era lançada a primeira pedra do dormitório. Até 1600 estavam concluídas duas alas do claustro, o refeitório e a sala do capítulo. No entanto a construção da igreja arrastou-se por mais cerca de trinta anos, uma vez que a capela-mor só seria fechada em 1629. No ano de 1770 o convento era extinto, passando os seus bens para o Convento de Mafra.
O complexo conventual é constituído pela igreja, de planta longitudinal de nave única, e pelas dependências conventuais, situadas à direita, com claustro de planta quadrada. A fachada principal da igreja divide-se em três registos, possuindo no primeiro galilé, à qual se tem acesso por arcada. Sobre esta, um entablamento divide este espaço do segundo registo, que possui ao centro janelão rasgado a toda a altura, ladeado por dois nichos com as imagens de São Pedro e São Paulo, encimados por janelas quadradas. As pilastras que ladeiam os nichos são estriadas, com terço inferior decorado por motivos florais. O registo é rematado por entablamento. A fachada é coroada por frontão triangular interrompido, antecedido por varandim, com duplos pináculos sobre acrotério e relógio ao centro, emoldurado por motivos roll werk e encimado por pináculos e cruz.
A fachada de São Salvador de Grijó apresenta um modelo retabular, que destaca a verticalidade e a sobreposição de ordens arquitectónicas, numa ambiguidade tipicamente maneirista. São evidentes as semelhanças entre esta fachada e a do templo do Mosteiro de São Salvador de Moreira da Maia, para a qual Grijó deve ter servido de modelo (RUÃO, Carlos, 1996, p. 237).
Interiormente, o templo possui nave única coberta por abóbada de caixotões, possuindo seis capelas colaterais comunicantes com retábulos de talha maneiristas. O arco triunfal é ladeado por pilastras coríntias e rematado por entablamento decorado. A capela-mor, coberta por abóbada de caixotões decorada por motivos geométricos, possui painéis de azulejos enxaquetados, tendo um cadeiral de madeira e retábulo-mor de talha, elaborado em 1737 pelo mestre António Vidal, com painel representando a Transfiguração de Cristo pintado em 1795 por Pedro Alexandrino.
No espaço adjacente à igreja foi construído o claustro, de planta quadrada, com dois registos, tendo no primeiro a ordem jónica e no segundo a ordem coríntia. O registo superior é coberto por tecto de madeira. No espaço do claustro existem diversos painéis de azulejos policromos com figurações de apóstolos e doutores da igreja. Ao centro do espaço claustral foi edificado um chafariz de modelo flamengo, decorado por carrancas e motivos roll werk. Na ala norte do claustro foi colocado o túmulo de D. Rodrigo Sanches, filho ilegítimo de D. Sancho I.
Catarina Oliveira

Imagens

Bibliografia

Título

O mosteiro de São Salvador da vila de Grijó

Local

Grijó

Data

1993

Autor(es)

COSTA, António Domingues de Sousa

Título

O Mosteiro de São Salvador de Grijó, Revista Estudos/Património

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

LENCASTRE, Margarida

Título

O mosteiro e a igreja de São Salvador de Grijó - intervenção de consolidação estrutural, Revista Estudos/Património

Local

Lisboa

Data

2001

Autor(es)

SAMPAIO, Joaquim C.

Título

Arquitectura maneirista no Noroeste de Portugal

Local

Coimbra

Data

1996

Autor(es)

RUÃO, Carlos

Título

A arqueologia medieval e moderna na região do Porto. Breve balanço e algumas reflexões críticas, Al-Madan

Local

Almada

Data

2000

Autor(es)

GOMES, Paulo José Antunes Dórdio, TEIXEIRA, Ricardo Jorge Coelho Marques Abrantes, SILVA, António Manuel S. P., RODRIGUES, Miguel Carlos Lopes Brandão Areosa