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Casa da Quinta das Lapas, com a respectiva cerca, a praça frente à Capela, a alameda e a Capela de Santo António - detalhe

Designação

Designação

Casa da Quinta das Lapas, com a respectiva cerca, a praça frente à Capela, a alameda e a Capela de Santo António

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Torres Vedras / Maxial e Monte Redondo

Endereço / Local

Quinta das Lapas
Monte Redondo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 5/2002, DR, I Série-B. n.º 42, de 19-02-2002 (alterou a classificação para Casa da Quinta das Lapas, com a respectiva cerca, a praça frente à Capela, a alameda e a Capela de Santo António) (ver Decreto)
Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (classificou a Casa da Quinta das Lapas) (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O conjunto da casa, capela e jardins da Quinta das Lapas beneficiam de uma implantação privilegiada, constituindo um dos exemplos mais significativos, entre nós, dos efeitos teatrais perseguidos pela arquitectura civil barroca, inspirada em modelos eruditos do Renascimento italiano (AZEVEDO, 1969, pp. 70 e 95). O longo tempo de edificação deste conjunto permitiu-lhe reflectir as modificações operadas ao nível da linguagem arquitectónica e decorativa dos séculos XVIII e XIX e que correspondem, de forma muito genérica, ao barroco e ao neoclássico.
A casa deverá ter sido iniciada em finais do século XVII, prolongando-se as obras pelas centúrias seguintes, pois o segundo andar do imóvel é, com certeza, uma intervenção posterior.
A fachada principal impõe-se num pátio definido pelos edifícios anexos, mais baixos e perpendiculares à casa principal, formando um U, que é fechado pelo muro onde se exibe, sobre o portão nobre, a pedra de armas dos Teles da Silva, proprietários do imóvel.
A frontaria do edifício habitacional é dividida por pilastras, e percorrida por uma cornija que separa os dois andares. O primeiro é aberto por janelas de sacada, destacando-se a central, com frontão contracurvado, e para a qual convergem os quatro lanços da ampla e cenográfica escadaria. No segundo piso, mais baixo, as janelas apresentam molduras rectas, de cantaria. Este modelo, a que se acrescentou o segundo piso, segue a norma do século XVIII, de tendência horizontalizante, com vãos abertos simetricamente, e desenvolvidos num único plano, antecedido pela escadaria de quatro lanços, que empresta ao conjunto algum dinamismo e profundidade.
No interior, as salas apresentam tectos de madeira, e os rodapés de azulejo são da segunda metade do século XVIII, como se percebe pelos padrões D. Maria que aí encontramos (SIMÕES, 1979, p. 328).
Se muitas das soluções observadas, como a escadaria ou o portal nobre, são de um período avançado do século XVIII, mas conservam um gosto barroco, a capela destaca-se pela sua linguagem neoclássica. A frontaria apresenta colunata dórica, que suporta um frontão triangular, e forma uma espécie de galilé. No interior, os azulejos representam as Litanias da Virgem, e o retábulo-mor remonta, também, ao final do século XVIII (1996, p. 413).
Nos jardins, desenvolvidos em patamares, o equipamento que permitia aos habitantes da quinta usufruírem e viverem o espaço exterior, é formado por tanques, bancos e outras edificações, que testemunham diferentes períodos construtivos. No muro que envolve o denominado tanque da sereia, observamos representações de caçadas ao elefante e aos leões, datáveis do final do século XVII (SIMÕES, 1979, p. 328). Já no muro interior, os painéis, com caçadas, e cenas do quotidiano campestre (com certeza inspiradas em gravuras), recordam os trabalhos de António Pereira, pintor de azulejos recentemente identificado como o pintor de óleo António Pereira Ravasco (IDEM; SERRÃO, 2001, pp. 125-148). Por fim, junto à casa de fresco, com abóbada de embrechados, o espaldar de um banco apresenta um painel com vistas e edifícios (SIMÕES, 1969, p. 328).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

"Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)"

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

"Solares Portugueses"

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

"Azulejaria em Portugal no século XVIII"

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

"Torres Vedras : passado e presente"

Local

Torres Vedras

Data

1996

Autor(es)

RODRIGUES, Cecília Travanca