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Capela de Nossa Senhora do Carmo - detalhe

Designação

Designação

Capela de Nossa Senhora do Carmo

Outras Designações / Pesquisas

Capela de Nossa Senhora do Mocharro
Antiga Igreja de São João do Mocharro / Capela de Nossa Senhora do Carmo / Ermida de São João do Mocharro(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Óbidos / Santa Maria, São Pedro e Sobral da Lagoa

Endereço / Local

- na encosta de Óbidos, junto à porta da Talhada e da Cerca
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 40 361, DG, I Série, n.º 228, de 20-10-1955 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A antiga capela de São João do Mocharro é o mais importante templo medieval que se conserva na "medievalizada" vila de Óbidos, e um dos que melhor reflecte o que foi a arquitectura gótica nos reinados de D. Dinis e de D. Afonso IV. Apesar de estarmos muito mal informados acerca de grande parte da sua história (e do processo de quase ruína a que foi votado nos últimos séculos), não restam dúvidas sobre a sua relevância regional e, até, nacional.
Ao que alguns estudos têm acentuado, esta foi a igreja dos moçárabes de Óbidos durante os derradeiros anos de domínio árabe, comunidade cantonada à sombra das muralhas, mas no exterior, numa zona de relevo muito acidentado e diante da extensa lagoa (SILVA, 1994, p.21). No entanto, nunca se realizaram escavações neste local e, até ao momento, o passado moçárabe da igreja permanece como perspectiva de estudo, mas não como certeza.
A construção que hoje conhecemos deu-se no início do século XIV e constitui um capítulo importante da marcha da arquitectura gótica nacional. De nave única (ao contrário do modelo paroquial da altura, que privilegiou uma espacialidade tripartida) e capela-mor quadrangular (que contraria também o esquema então em voga de cabeceira poligonal com altas janelas verticais entre contrafortes), possui grande parte das características construtivas e decorativas do Gótico dionisino.
Aqui encontramos os robustos contrafortes (mais pesados do que aparentemente as necessidades técnicas o exigiriam), escalonados em altura através de pequenas cornijas salientes e progressivamente adelgaçados, que seccionam os panos murários em espaços iguais e possibilitam, assim, a abertura de janelas de arco quebrado, neste caso de vão relativamente curto. Aplicados à capela-mor, estes contrafortes marcam esteticamente o conjunto e, apesar de esta cabeceira estar longe da qualidade artística da arquitectura religiosa mendicante (onde as longas janelas verticais ocupam praticamente todo o espaço entre contrafortes), não deixa de evocar os suportes de uma obra tão emblemática como a do claustro da Sé de Lisboa, sem dúvida uma das mais importantes realizações de D. Dinis.
No interior, a robustez da estrutura é a característica mais marcante. A capela-mor é, uma vez mais, o principal espaço, com uma apertada abóbada de cruzaria de ogivas, de dois tramos e nervuras salientes. Um dado cronológico relativamente importante é-nos dado pelo jogo de suportes deste sistema: uma coluna parcialmente embebida suporta a nervura principal, arrancando as oblíquas de duas mísulas adossadas a essa coluna. Vemos aqui o mesmo esquema que caracteriza o interior da capela gótica de São Martinho, edificada por volta da década de 30 do século XIV, facto que poderá ajudar a situar com maior precisão o templo do Mocharro.
O acidentado terreno em que o monumento foi construído certamente determinou um problema de estabilidade, explicando-se, por esta via, a extrema robustez das paredes e contrafortes e a escassa abertura dos vãos de iluminação. Ao longo dos séculos, estes problemas fizeram-se naturalmente sentir. De 1711 é uma extensa campanha de obras, que teve por objectivo a actualização estética do conjunto e a sua maior operacionalidade. Datam dessa altura algumas dependências, como a sacristia, infelizmente posteriormente destruída, e a alteração da invocação do templo, passando a ser dedicado a Nossa Senhora do Carmo.
A última grande fase construtiva do monumento deu-se já no século XX. Na décadas de 40 e 50, a DGEMN empreendeu aqui um extenso restauro, que visava recuperar o traçado original gótico. Para isso, procederam-se a sondagens nas paredes, identificando-se alguns arcos e o pavimento original, mas, por razões pouco claras, o processo não foi concluído. Assim ficou, inacabada, com a sua fachada principal sem o óculo, indicando a todos quantos a vêem de longe, o estado de ruína fingida. Mais recentemente, a autarquia tem vindo a proceder ao seu restauro, trabalho ainda em curso.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Monografia de Óbidos

Local

Ourém

Data

1980

Autor(es)

ABREU, Madalena Fernandes de

Título

Espaço defendido e estruturas de defesa em Óbidos durante a Idade Média (1988), A região de Óbidos na época medieval. Estudos, pp.19-31

Local

Óbidos

Data

1994

Autor(es)

SILVA, Manuela Santos

Título

Inventário Artístico de Portugal, vol. V (Distrito de Leiria)

Local

Lisboa

Data

1955

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Óbidos medieval : estruturas urbanas e administração concelhia (1987)

Local

Cascais

Data

1997

Autor(es)

SILVA, Manuela Santos

Título

Óbidos

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes