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Igreja do Convento do Carmo e o seu recheio - detalhe

Designação

Designação

Igreja do Convento do Carmo e o seu recheio

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Rua do Carmo
Aveiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45 469, DG, I Série, n.º 303, de 27-12-1963 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 481/2014, DR, 2.ª série, n.º 118, de 23-06-2014 (sem restrições) (ver Portaria)
Anúncio n.º 13712/2012, DR, 2.ª série, n.º 223, de 19-11-2012 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 22-10-2012 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 24-10-2012 da DRC do Centro
Despacho de concordância de 5-12-2011 do diretor do IGESPAR, I.P.
Parecer de 5-12-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura a propor a devolução do processo para reanálise da proposta, considerando o contexto urbanísticos das várias zonas de proteção propostas para as freguesias de Vera Cruz e da Glória
Proposta de 22-07-2009 da DRC do Centro

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Data de 1251 a instalação da primeira comunidade carmelita em Portugal. Chegados ao território nacional como capelães da Ordem Militar de São João de Jerusalém, os Carmelitas instalaram-se em Moura; só no século XV foi realizado o primeiro capítulo provincial e elaborados os primeiros estatutos, aprovados por D. João I em 1424.
Os Carmelitas Descalços, seguidores da reforma de Santa Teresa de Ávila, fundaram a sua primeira comunidade em Portugal em 1581. Alguns anos depois, em Julho de 1613 instalaram-se em Aveiro, fundando em Outubro desse mesmo ano o Convento do Carmo.
Nos primeiros anos, os Carmelitas de Aveiro habitaram numas casas na vila, propriedades de Gil Homem da Costa, enquanto Frei José de Jesus Maria, vigário da comunidade, adquiriu alguns terrenos para a edificação do convento. Em 1618 os edifícios onde habitavam ameaçavam ruir, e nessa data mudaram-se para o palacete de D. Beatriz de Lara Meneses, filha dos Marqueses de Vila Real, onde permaneceram até 1620.
Em Março de 1620, com a parte conventual já edificada, a comunidade instalou-se no Convento do Carmo. No entanto, a edificação do templo iria prolongar-se por vinte e cinco anos, uma vez que a comunidade se debatia com falta de verbas. Em Agosto de 1626 D. Beatriz de Lara Meneses ofereceu-se para financiar as obras da igreja, e a primeira pedra era lançada em Outubro de 1628. As obras seriam concluídas em Abril de 1643, quando o templo foi inaugurado.
Em 1661 , e durante os três anos seguintes, o Convento do Carmo passou a funcionar como Colégio de Filosofia. Durante o século XVIII foram feitas apenas duas obras de relevância, a construção do adro exterior e uma remodelação do retábulo-mor.
A partir de 1834, com a extinção das Ordens Religiosas, o Convento do Carmo ficou votado ao abandono, sendo entregue ao Ministério da Guerra que o transformou em asilo de veteranos do Exército. Em 1839 era vendida a cerca do convento a Manuel Mendes Leite, que em 1856 comprava o edifício do convento. Durante a década de 50 do século XIX vários habitantes de Aveiro doaram esmolas e trabalharam para a manutenção do convento e sobretudo da igreja. Alguns anos depois, o convento era novamente vendido, desta vez a Sebastião de Carvalho e Lima.
Os diversos proprietários delapidaram por completo o convento, destruindo os edifícios seiscentistas que constituíam a zona conventual. A igreja manteve-se intacta, e em 1884 o templo era entregue à Irmandade dos Passos. Os frades Carmelitas só voltariam a Aveiro em 1928.
Tal como todos os conventos da ordem, o templo de Nossa Senhora do Carmo obedece ao modelo tipificado pelos Carmelitas Descalços portugueses. A primeira edificação da ordem foi o Convento dos Remédios de Évora, uma obra de Francisco de Mora, discípulo de Juan de Herrera, executada entre 1601 e 1604, que aplica soluções inspiradas no modelo do Escorial. A partir de então todas as obras dos Carmelitas Descalços acabariam por ser "autênticas réplicas" do convento eborense (CORREIA,J.E.Horta,1986,p.126).
O modelo apresenta um templo maneirista de planta em cruz latina abobadada, com fachada rectangular austera encimada por frontão triangular ladeado por esferas assentes em plintos cúbicos, e galilé formada por três arcos, sendo o central mais elevado. O registo intermédio apresenta um esquema tripartido com janelão central ladeado pelas armas do Reino e da Congregação. Interiormente o espaço do templo é de nave única, com nártex profundo e cúpula no cruzeiro.
Na decoração do espaço interior, também de linhas austeras, destacam-se os retábulos laterais de talha maneirista e o retábulo-mor de estilo joanino. Na capela-mor, do lado do Evangelho foi edificado o túmulo de D. Beatriz de Lara e Meneses, numa tipologia semelhante aos túmulos executados por Jerónimo de Ruão na capela-mor da igreja de Santa Maria de Belém.
Catarina Oliveira

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - Distrito de Aveiro

Local

Lisboa

Data

1959

Autor(es)

GONCALVES, António Nogueira

Título

A Arquitectura - Maneirismo e «estilo chão», História da Arte em Portugal - O Maneirismo

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

CORREIA, José Eduardo Horta

Título

Aveiro. Arte e História

Local

Aveiro

Data

1984

Autor(es)

NEVES, Amaro

Título

Dicionário de História Religiosa de Portugal

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos Moreira