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Capela do Senhor das Barrocas - detalhe

Designação

Designação

Capela do Senhor das Barrocas

Outras Designações / Pesquisas

Capela do Senhor das Barrocas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Capela

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Aveiro / Aveiro / Glória e Vera Cruz

Endereço / Local

Largo do Senhor das Barrocas
Aveiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 34 452, DG, I Série, n.º 59, de 20-03-1945 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 2-12-1958, publicada no DG, II Série, n.º 60, de 12-03-1959 (com ZNA)

Zona "non aedificandi"

Portaria de 2-12-1958, publicada no DG, II Série, n.º 60, de 12-03-1959

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A devoção ao Senhor das Barrocas teve origem numa imagem milagrosa que existia num cruzeiro implantado no lugar das Barrocas, ou seja, um sítio com barro, e por isso mesmo, inculto (GASPAR, 1996, p. 7). Os sucessivos milagres ocorridos levaram a que as ofertas e esmolas crescessem significativamente, a par da fé dos habitantes da região de Aveiro e não só. Deste modo, a construção de um templo condigno tornou-se imprescindível. E a primeira pedra da actual igreja foi lançada em Novembro de 1722. Dez anos mais tarde, procedia-se à trasladação da primitiva imagem para o interior do templo, data em que o mesmo foi sagrado.
A igreja, de planta centralizada, tal como muitos outros templos da região (São Jacinto, Madre de Deus, Santos Mártires, São Gonçalo) construídos anteriormente, revela uma linguagem barroca erudita e actualizada em relação ao que de melhor se fazia no reinado de D. João V. Mas, contrariamente às suas congéneres, a planta da igreja do Senhor das Barrocas é octogonal e não hexagonal, apresentando capela-mor rectangular e saliente em relação ao volume da nave. Por outro lado, se as capelas centralizadas a que fizemos referência resultam da aceitação desta opção planimétrica, mas com um grau de erudição muito variável (SERRÃO, 2003, p. 133), o Senhor das Barrocas enquadra-se no denominado barroco joanino de forte pendor italianizante e erudito.
Por isso mesmo, a sua atribuição tem sido muito discutida pelas diferentes gerações da historiadores de arte. O arquitecto de Mafra, João Frederico Ludwig, o arquitecto régio de D. João V, João Antunes, ou mesmo o escultor francês Claude Laprade (este apenas relativamente aos pórticos) têm sido alguns dos nomes apontados. Actualmente, parece consensual a atribuição do traçado da planta a João Antunes, recaindo a execução do projecto sobre Gaspar Ferreira, o arquitecto responsável pela execução da Biblioteca Joanina de Coimbra, pelo claustro de Santa Clara-a-Nova na mesma cidade, entre muitas outras obras na região centro do país.
Na igreja, os lados do octógono formado pela planta são marcados por pilastras, que sustentam o entablamento, sobre o qual se rasgam oito janelas, uma em cada pano. A cobertura segue a mesma forma geométrica da nave da igreja, rodeada pelos pináculos que rematam as pilastras. Na fachada principal, sobressai o magnífico portal, ladeado por uma dupla colunata jónica, e encimado por duas mísulas sobre as quais se ergue uma janela superiormente contracurvada e cuja profusa decoração enquadra as armas reais.
O interior reflecte a organização exterior, destacando-se três diferentes campanhas de talha correspondentes à capela-mor, púlpitos e altares colaterais. Apenas a primeira, que reveste integralmente a capela-mor, é contemporânea da construção da igreja, integrando-se na denominada talha joanina ou barroca. O crucifixo original do Senhor das Barrocas encontra-se exposto no camarim do retábulo. A talha enquadra ainda quatro pinturas recentes (1951), da autora de Costa Morgado, que vieram substituir as originais, desaparecidas perto de 1830. Já os dois púlpitos, decorados com cabeças humanas, folhas de acanto e caulículos entrelaçados (GASPAR, 1996, p. 43) não chegaram a ser dourados, conservando a cor da madeira. Os retábulos laterais, de talha branca, datam, muito provavelmente, do final do século XVIII ou inícios do seguinte. As telas que representam a Adoração e a Anunciação encontram-se atribuídas a Pedro Alexandrino.
Uma última referência para o lavatório de pedra que se encontra na sacristia, bem como o tecto apainelado e pintado, onde se representam emblemas da Paixão de Cristo.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Edifícios religiosos de planta centrada entre Vagos e V. N. de Gaia (faixa litoral), in Espaço e Memória, Revista de Património, Porto, 1996. pp. 61-79

Local

Porto

Data

1996

Autor(es)

PINTO, Maria Augusta Almeida

Título

Inventário Artístico de Portugal - Aveiro, Beja, Coimbra, Évora, Leiria, Portalegre, Porto e Santarém

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Igreja do Senhor das Barrocas

Local

Aveiro

Data

1996

Autor(es)

GASPAR, Mons. João Gonçalves

Título

Aveiro -Apontamentos históricos

Local

-

Data

1906

Autor(es)

QUADROS, Rangel de

Título

Aveiro - do Vouga ao Buçaco

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

NEVES, Amaro, SEMEDO, Enio, ARROTEIA, Jorge Carvalho

Título

Resistências e aceitação do espaço barroco: a arquitectura religiosa e civil, História da Arte em Portugal, vol. 8

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes