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A parte do edifício em que se encontram, no chamado Palácio da Inquisição, em Évora, pinturas murais - detalhe

Designação

Designação

A parte do edifício em que se encontram, no chamado Palácio da Inquisição, em Évora, pinturas murais

Outras Designações

Palácio da Inquisição
Casas Pintadas de Évora
Edifício do chamado Paço de Vasco da Gama

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Évora / Évora (São Mamede, Sé, São Pedro e Santo Antão)

Endereço / Local

Largo Marquês de Vila Flor
Évora

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 801, DG, I Série, n.º 78, de 2-05-1950 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

Abrangido por conjunto inscrito na Lista do Património Mundial da UNESCO, que, ao abrigo do n.º 7 do art.º 15.º da Lei n.º 107/2001, de 8 de Setembro, se encontra classificado como MN

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As Casas Pintadas foram durante longo tempo consideradas morada de Vasco da Gama em Évora. O navegador terá de facto vivido no aglomerado de casario ao qual pertence, entre outros edifícios, este das paredes pintadas, em casas cujas frontarias ostentavam pinturas murais que deram o nome à rua, antiga Rua das Casas Pintadas, topónimo hoje - e pela mesma ordem de razões - modificado para Rua de Vasco da Gama. No entanto, quanto ao claustrim, alguns autores parecem ter razões para recusar a sua posse, e logo a encomenda das pinturas, a esta figura. Não existe qualquer documentação ligando o lanço de claustro aos Gama, e a única marca de posse que se encontra no local é um brasão de armas, pintado na pedra de fecho da abóbada da capelinha ao fundo do claustro, onde se apresenta um escudo esquartelado dos Silveira Henriques, duas famílias nobre eborenses unidas por matrimónio. Não bastasse isto, e teríamos ainda a marcada diferença de cota entre esta estrutura e o edifício, com pátio interior, que dá para a rua principal e que, este sim, teria de facto pertencido a Vasco da Gama, conforme documentação existente. Hoje é difícil fazer a distinção entre o casario que compõe o conjunto do antigo Tribunal da Inquisição, fundido e remodelado em intervenções sucessivas, as primeiras datando ainda de 1568. Certo parece ser que as casas às quais pertencia este claustrim e que dariam talvez para outra rua não existem hoje, como se pode comprovar também pela rude ligação, feita à custa da mutilação das pinturas, entre o edifício adjacente e o espaço em questão, através de uma porta aberta ao nível do soalho da casa e a mais de um metro do chão do claustro, diferença vencida por alguns degraus toscos em madeira. A casa dos Silveira Henriques teria ligação com outro lanço do claustro, já desaparecido, tal como as habitações principais.
O lanço ocidental do claustrim é constituído por arcadas redondas de pilares chanfrados, de granito, com abóbada de três tramos e nervuras assentes em mísulas góticas. As pinturas cobrem a totalidade dos panos murários, divididas em dois registos: no superior desenrolam-se as cenas principais, e em rodapé com cerca de 1,5 m de altura está pintado um requintado friso renascentista de grotesco, rematado por um parapeito em trompe-l'oeil sugerindo pedra aparelhada. Nas paredes do claustro as composições mostram diversas aves, reais e fantásticas, lebres, sereias, um tocador de gaita-de-foles cuja música atrai vários animais, e psicomaquias diversas - uma violenta luta de galos, opondo um galo branco a um galo vermelho, um dragão de sete cabeças, hidra mitológica ou animal apocalíptico, ladeado por um leopardo preparado para o ataque, outro pequeno dragão, e um lagarto de língua bifurcada. Algumas figuras estão perdidas, tendo talvez existido um grifo, híbrido de águia e leão, e um leão ou um cavalo/unicórnio. O último painel está pintado sobre o arco da capela, e nele se representa um belíssimo pelicano, rasgando o peito para alimentar as crias no ninho, ladeado por um falcão que prende nas garras uma lebre mutilada pelo desgaste da parede, e por um basilisco, misto de galo e serpente, igualmente truncado.
O claustro teve várias camadas de pintura. A primeira incluiria o brasão, e talvez alguns frisos ornamentais góticos da mesma época, que pelo tom arcaizante da decoração miúda em torno do brasão se poderia situar em meados do século XV. No interior da capela outras campanhas de pintura são visíveis. O rodapé classicizante mantém-se, mas encimado por painéis de grotesco mais fino, e com figurinhas de putti, génios e seres híbridos nas paredes laterais, em composição cortada por uma Pietá à direita de quem entra, e uma Missa de São Gregório e um São Cristóvão à esquerda. Estas pinturas, bem como o retábulo fingido do altar-mor, com uma fraca representação da Sagrada Família, são mais tardias e de qualidade inferior. SML

Imagens

Bibliografia

Título

"Gamas e Condes da Vidigueira"

Local

-

Data

2001

Autor(es)

ALVES, Ivone Correia

Título

"Inventário Artístico de Portugal, vol. VII (Concelho de Évora - volume I)"

Local

Lisboa

Data

1966

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

"A Inquisição de Évora, in revista A Cidade de Évora, nº 25/26"

Local

-

Data

1951

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

"Os Restos do Palácio de Vasco da Gama, in revista A Cidade de Évora, nº 19/20"

Local

-

Data

1949

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

"Vasco da Gama em Évora"

Local

-

Data

1898

Autor(es)

-

Título

"Vasco da Gama e os frescos das Casas Pintadas da cidade de Évora, in revista Panorama, nº 31, IV série, pp. 52-63"

Local

-

Data

-

Autor(es)

LIMA, João Paulo de Abreu

Título

"As pinturas murais das Casas Pintadas de Évora, in Revista Cidade de Évora"

Local

-

Data

2002

Autor(es)

LEITE, Silvia

Título

"As armas de Vasco da Gama, in revista Panorama, nº 31, IV série, pp. 48-51"

Local

-

Data

-

Autor(es)

SÃO PAIO, Marquês de