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Igreja da Misericórdia de Redondo - detalhe

Designação

Designação

Igreja da Misericórdia de Redondo

Outras Designações / Pesquisas

Igreja do Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Redondo / Edifício, Igreja e Hospital da Santa Casa da Misericórdia de Redondo(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Redondo / Redondo

Endereço / Local

Rua do Castelo
Redondo

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 45/93, DR, I Série-B, n.º 280, de 30-11-1993 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja e edifício do hospital que hoje conhecemos é fruto de uma sequência de intervenções arquitectónicas e decorativas que foi transformando este imóvel num repositório de elementos de tempos distintos, sucessivamente adaptados e convertidos ao gosto das épocas subsequentes. Assim se explica que na capela-mor, manuelina, a cobertura de abóbada de nervuras polinervadas exiba pinturas fitomórficas maneiristas, e os panos murários tenham sido revestidos por azulejos azuis e brancos, da primeira metade do século XVIII, integráveis no barroco joanino.
As origens da Misericórdia remontam ao ano de 1443, quando Catarina Pires Folgada, viúva de Vicente Anes Colombo, estabeleceu uma albergaria, cujos bens reverteram a favor da Misericórdia, aquando da sua instituição, em 1521, por alvará de D. Manuel (ESPANCA, 1978). A igreja e hospital, onde se incluem a sacristia e a Sala do Consitório, forma edificadas, muito possivelmente, depois desta data. A exiguidade das suas dimensões terá conduzido a uma ampliação, já na segunda metade do século XVI, época em que o hospital do Redondo foi incorporado nesta instituição.
As características da já referida pintura da abóbada da capela-mor indicam uma campanha decorativa seiscentista, à qual sucedeu uma outra intervenção barroca, já no decorrer da centúria seguinte, de âmbito mais alargado. Embora se integre na depuração própria dos templos alentejanos, a fachada da igreja denota um gosto setecentista na sua empena contracurvada, com volutas no arranque. O alçado, delimitado por pilastras, encimadas por pináculos, nos cunhais, é aberto por um portal de verga recta e janela do coro, ambos com cornija numa composição muito próxima. Sobre esta, e enquadrado por uma moldura de motivos vegetalistas, exibe-se o escudo nacional, em estuque, ao qual falta a coroa, retirada em 1910, tal como a que deveria rematar o mesmo brasão, sobre o arco triunfal (ESPANCA, 1978).
No interior, a nave ganha especial importância pela tribuna dos mesários, cuja data - 1758 - revela o prolongamento da campanha decorativa barroca até à segunda metade de setecentos. Os seus elementos decorativos denotam mesmo um gosto rococó, encontrando-se atribuída à oficina do mestre eborense João da Mata Botelho (ESPANCA, 1978). As 13 cadeiras, de talha dourada e marmoreada, assentam sobre 6 cachorros de cantaria, destacando-se, pela maior magnificência, a da extremidade junto ao arco triunfal, destinada ao provedor. Do lado oposto, no interior de um dos três arcos que se abrem na parede da nave, encontra-se o púlpito, de mármore. O coro assenta sobre arco abatido, e é iluminado pela janela da fachada.
O arco triunfal, com o brasão nacional, antecede a capela-mor, porventura o espaço de maior interesse do conjunto. Já mencionámos as pinturas da abóbada. Resta referir o retábulo de talha dourada, de transição do estilo nacional para o joanino (ESPANCA, 1978), e em cuja tribuna se exibe um Cristo Crucificado ou, por vezes, uma tela com a representação da Visitação de Nossa Senhora. Por fim, os painéis de azulejo ilustram seis das sete obras de misericórdia corporais, distribuídas em dois níveis. Falta a última - enterrar os mortos. Santos Simões atribuiu este conjunto à oficina de Bartolomeu Antunes, datando-os de cerca de 1735-37 (SIMÕES, 1979, p. 417). Esta iconografia, que aqui recorre a alguns exemplos retirados do Antigo Testamento, foi muito utilizada nas igrejas das Misericórdias a partir do final do século XVI, tendo encontrado no azulejo um suporte privilegiado: contam-se vários exemplos deste género de representação, na primeira metade do século XVIII. Constituindo o fundamento e a razão de ser das Misericórdias, a iconografia das obras espirituais e corporais assumia-se como um elemento de propaganda de grande eficácia.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)

Local

Lisboa

Data

1978

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro