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Património Cultural

Igreja de São Miguel e cruzeiro do século XVII, no adro da mesma - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Miguel e cruzeiro do século XVII, no adro da mesma

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Milharado / Igreja de São Miguel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Mafra / Milharado

Endereço / Local

Largo de São Miguel
Milharado

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)
Edital N.º 149/84 de 3-08-1984 da CM de Mafra
Despacho de homologação de 15-03-1984 do Ministro da Cultura
Despacho de concordância de 14-03-1984 da presidente do IPPC
Parecer de 9-03-1984 da Assessoria Técnica do IPPC a propor a classificação como IIP
Informação favorável de 1-02-1984 do IPPC
Proposta de classificação de 7-11-1983 da CM de Mafra

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de São Miguel de Milharado é um dos muitos templos do concelho de Mafra que conserva elementos manuelinos, circunstância que lhe confere um lugar de destaque no processo de renovação (e de construção) de muitos monumentos religiosos durante a primeira metade do século XVI no nosso país. Nos séculos seguintes, foi objecto de várias reformas que contribuíram para enriquecer o conjunto monumental, alterando, quase por completo, a primitiva fisionomia quinhentista.
O mais importante vestígio é o portal principal, hoje inserido na galilé do templo. De duas arquivoltas, com ampla moldura interior entre elas, é de curvatura tripartida relativamente complexa, definida por dois arcos laterais a pleno centro, sem completar a volta inteira, que se ligam a um central, canopial, rematado por grinalda florida. Outras duas grinaldas partem da arquivolta exterior, coroando verticalmente o conjunto e conferindo-lhe um aspecto simétrico. As bases e os capitéis, de perfil oitavado, são bem marcados e a moldura interior é amplamente decorada com cestos e cachos de uvas, tendo por base as hastes de uma videira, sendo estas composições tuteladas axialmente pela figura de um anjo. Do período manuelino conserva-se ainda uma pia de água benta, de taça circular decorada com três bustos de anjos e assente em mísula cónica invertida, e um modilhão representando um busto humano, que originalmente estaria no exterior do edifício, mas cujas modificações posteriores fizeram com que integrasse a galeria de acesso à nave da igreja (VILAR, 2000, p.77).
A principal campanha reformadora aconteceu na viragem para o século XVII. De acordo com uma inscrição colocada sobre a porta de acesso ao púlpito, comprova-se que esta foi construída em 1609, ano aproximado de finalização do essencial das obras, partindo do princípio que o enriquecimento do interior terá tido lugar após a conclusão da renovação arquitectónica.
É no interior que se testemunham as principais obras Seiscentistas. De nave única, as suas paredes laterais são ritmadas por dois arcos de volta perfeita sobre pilastras, onde se incluem retábulos barrocos de talha dourada. Igual forma tem o arco triunfal, de desenvolvido embasamento e impostas e fecho axial bem vincados. O púlpito é circular, protegido com balaustrada de mármore, e a ele se acede através de uma porta de lintel recto. Estamos menos informados a respeito da reforma seiscentista do exterior, mas é de crer que a actual solução baixa da fachada principal, com corpo central em forma de galilé, aberto a poente por arco de volta perfeita, possa corresponder a esse período. Igualmente do século XVII é o cruzeiro do adro, sobre soco quadrangular de triplo degrau, com base cúbica decorada e cruz de arestas lisas sem decoração.
Nos séculos seguintes, as obras não cessaram no monumento, mas resumiram-se a trabalhos menores de arquitectura e a campanhas complementares de enriquecimento do interior. Sabemos que, em 1748, se revestiram as paredes da nave com azulejos, de padrão geométrico quadrangular. Em 1755, o mega-terramoto que assolou o centro e o Sul do país provocou o desabamento de uma casa de habitação anexa à igreja, que servia de apoio a peregrinos, mas não danificou grandemente o templo, pois nenhuma obra é mencionada em 1760, ano em que um visitador determina apenas a reconstrução da albergaria. Por essa mesma altura devem ter-se realizado os retábulos de talha dourada, uma vez que alguns apresentam já características rococós, e é possível que a quadrangular torre sineira, que coroa a galilé da frontaria, date deste mesmo século XVIII, ainda que o seu coroamento nos pareça já posterior.
Restaurada integralmente em 1960, a paroquial de São Miguel espelha bem a evolução artística das construções religiosas da região rural a Norte de Lisboa que, partindo muitas vezes de um pequeno templo tardo-medieval, passaram a sede de paróquia e foram, por isso, alvo de numerosos melhoramentos nos séculos XVII e XVIII.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Mafra. Efemérides do concelho

Local

Lisboa

Data

1967

Autor(es)

ASSUNÇÃO, Guilherme José Ferreira de

Título

Apontamentos sobre o Manuelino no Distrito de Lisboa

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

BASTOS, Fernando Pereira

Título

Monografia de Mafra

Local

Mafra

Data

1987

Autor(es)

LUCENA, Armando de

Título

4. Arquitectura e escultura monumental manuelina na região de Mafra, Boletim Cultural 2000, pp.65-82

Local

Mafra

Data

2000

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Mafra. Monografia

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

LUCENA, Armando de

Título

Carta do Património do Concelho de Mafra. 1. O Manuelino, Boletim Cultural '94, pp.309-318

Local

Mafra

Data

1994

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra

Local

Mafra

Data

2009

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo