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Património Cultural

Igreja de Santo Isidoro de Mafra - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Santo Isidoro de Mafra

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Santo Isidoro / Igreja de Santo Isidoro (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Mafra / Santo Isidoro

Endereço / Local

-- -
Santo Isidoro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 728, DG, I Série, n.º 4, de 5-01-1950 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A igreja de Santo Isidoro de Mafra remonta ao século XVI, mas as campanhas de épocas posteriores, principalmente a do século XVII, alteraram profundamente a concepção original deste templo. Na realidade, do primitivo edifício apenas resta o arco triunfal, de gosto manuelino, e a pia de água benta.
É através das diferentes datas inscritas na igreja que podemos acompanhar com segurança a sua evolução. Assim, a reedificação ou reestruturação terá ocorrido na primeira metade do século XVII, uma vez que os azulejos que revestem o seu interior foram aplicados em data próxima de 1671, o ano que se encontra esgrafitado sob o painel que representa São João. Posteriormente, em 1732 foi executado o novo portal principal, cujo remate apresenta uma mitra e um báculo, alusivos a Santo isidoro. De facto, aquele que é considerado o maior santo da Espanha visigótica do século VII, sucedeu a seu irmão Leandro no comando da arquidiocese de Sevilha, em 610 (RÉAU, vol. 4, 1997, p. 129), razão pela qual as insígnias do seu estatuto eclesiástico figuram à entrada da igreja que lhe é dedicada. Por esta razão, é também designado por Santo Isidoro de Sevilha, tendo ficado conhecido pelas várias obras que escreveu, principalmente as célebres Etimologias, uma verdadeira enciclopédia do saber humano, e um dos mais consultados repertórios de ciência antiga e de doutrina cristã (RÉAU, vol. 4, 1997, p. 129). Em Mafra, voltamos a encontrar a sua representação ao centro do tecto da nave, em abóbada de berço.
A campanha azulejar da segunda metade de Seiscentos foi responsável pelo revestimento integral das paredes da nave (até à cornija), em azulejos polícromos de motivos comuns à época que, de acordo com a classificação definida por Santos Simões, se enquadram na denominada família dos quadrílobos (P - 432) e dos padrões de módulo 6 x 6 (P - 604), cuja aceitação, em todo o país, foi muito grande a partir de 1630 até ao final do século (SIMÕES, 1997, pp. 72, 73,111). Sobre as portas laterais, encontram-se dois painéis figurativos com a representação de São João e São Mateus. Os restantes evangelistas - São Lucas e São Marcos - situam-se em painéis idênticos, mas sobre os altares colaterais. As figuras são enquadradas por uma cercadura arquitectónica formada por um arco de volta perfeita, sendo acompanhadas pelo animal que representa cada evangelista e identificado na legenda situada na zona inferior da composição.
Na capela-mor, o padrão escolhido foi uma variante das denominadas laçarias, de inspiração mudéjar, e que tinham por base a estrela e a cruz (SIMÕES, 1997, p. 32). Por fim, os frontais de altar, também em azulejo, representam, nos medalhões centrais, a Pomba do Espírito Santo e Nossa Senhora do Rosário.
Nesta medida, e para além dos altares de talha seiscentista, do púlpito em mármore, do coro alto, do tecto em caixotões da capela-mor, decorado com pintura ornamental, e dos novecentistas estuques a imitar marmoreado, o interior da igreja de Santo Isidoro ganha especial relevância pelo magnífico revestimento azulejar que ilustra o que foi a azulejaria do século XVII no nosso país, não apenas em relação aos denominados tapetes, mas principalmente ao nível figurativo. Por outro lado, este interior, profusamente colorido, contrasta de forma profunda com o exterior de grande austeridade, onde uma galilé de formas rectas e onde apenas se abre o portal de entrada antecede a fachada principal, conferindo aos diferentes volumes escalonados uma solidez que acaba por se desmaterializar no interior do templo.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

A arquitectura e a escultura monumental na região de Mafra entre o Gótico e o Classicismo, Do Gótico ao Maneirismo. A arte na região de Mafra na Época dos Descobrimentos, pp.21-31

Local

Mafra

Data

2002

Autor(es)

PEREIRA, Fernando António Baptista

Título

Carta do Património do Concelho de Mafra. 1 - Lavabos de Sacristia, Boletim Cultural '97, pp.371-396

Local

Mafra

Data

1998

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Monografia de Mafra

Local

Mafra

Data

1987

Autor(es)

LUCENA, Armando de

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Carta do Património do Concelho de Mafra. 1. O Manuelino, Boletim Cultural '94, pp.309-318

Local

Mafra

Data

1994

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Memórias e Memorialistas. 1. Memórias Paroquiais, Boletim Cultural '96, pp. 307-344

Local

Mafra

Data

1997

Autor(es)

GORJÃO, Sérgio

Título

Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra

Local

Mafra

Data

2009

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo