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Antigo Paço Episcopal Bracarense, onde está instalada a Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga - detalhe

Designação

Designação

Antigo Paço Episcopal Bracarense, onde está instalada a Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga

Outras Designações / Pesquisas

Paço Arquiepiscopal de Braga / Paço Arquiepiscopal de Braga / Biblioteca Pública e Arquivo Distrital de Braga / Reitoria da Universidade do Minho (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Braga (Maximinos, Sé e Cividade)

Endereço / Local

Praça do Município
Braga

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 47 508, DG, I Série, n.º 20, de 24-01-1967 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Paço arquiepiscopal de Braga é um dos monumentos mais emblemáticos da cidade e, simultaneamente, um dos que mais intimamente está ligado à história da urbe, desde os tempos medievais até à actualidade. Desconhecemos quase tudo em relação às suas origens (com certeza contemporâneas da criação da diocese e, posteriormente, do arcebispado), mas a partir do século XIV, e durante os seis séculos seguintes, a história do monumento é de tal forma rica que dificulta mesmo qualquer estudo monográfico do conjunto.
São quatro as grandes fases de construção do monumento, ainda hoje bem visíveis. A principal, e a que possui maior impacto, é a gótica. O seu início deve remontar à década de 30 do século XIV, altura em que o arcebispado era regido por D. Gonçalo Pereira, mas a sua configuração geral pertence já ao século XV, na sequência da campanha construtiva empreendida por D. Fernando da Guerra, arcebispo entre 1422 e 1436. Sob o comando de Mestre Fernão Martins, as obras duraram cerca de duas décadas, estando a torre principal concluída em 1439. Este corpo gótico foi bastante adulterado no século XX, mas mantém algumas das características essenciais. Ocupando grande parte do alçado virado para o Jardim de Santa Bárbara, compõe-se de vários corpos, a diferentes registos, mas cujo aparelho construtivo de granito (onde existem algumas pedras almofadadas de tradição clássica), e a uniformização estética das obras de restauro, lhe consagra uma notável homogeneidade estética. Antes da intervenção da DGEMN, tinham sido vários os acrescentos, desde janelas de feição moderna até a adulterações dos pisos originais. Hoje, a sua torre apresenta três andares e os vãos (de arco quebrado) foram dispostos nos alçados de forma simétrica, numa procura consciente de uma ideia de medievalidade que, o mais natural, foi nunca ter existido.
A segunda grande campanha construtiva deste espaço ocorreu no século XVI. Por iniciativa de D. Diogo de Sousa, um dos arcebispos incontornáveis da história bracarense, as obras privilegiaram as fachadas que confrontavam com a Rua do Souto, aquela que mais directamente dava para o centro histórico. Dois equipamentos marcam claramente esta campanha e revelam bem o conteúdo erudito, cenográfico e de prestígio pretendido: diante da fachada principal, a Fonte dos Castelos (assim denominada por apresentar uma decoração essencialmente com castelos) impressiona pela sua dimensão; a Leste, uma grande galeria, de feição maneirista, de dois registos sendo o térreo parcialmente aberto em arcadas, reforça a planta quadrangular da praça.
De maior amplitude foram as obras barrocas, que se desenvolveram ao longo de toda a primeira metade do século XVIII. D. Rodrigo de Moura Teles ampliou o conjunto e o seu sucessor, D. José de Bragança, encarregou-se de dotar as obras de um cunho bem mais aparatoso. Em 1866, este corpo foi totalmente consumido por um incêndio. O que hoje observamos resulta de uma reconstrução integral executada nos anos 20 e 30 do século XX, campanha que conferiu ao monumento uma fachada tripartida de impacto cenográfico, com corpo central ligeiramente recuado e a dois registos, ladeado por dois corpos quadrangulares de alçados definidos em três andares.
Mas o aspecto actual de todo este imenso conjunto edificado é o produto das obras de restauro, efectuadas nas décadas de 30 e 40 do século XX. Imbuídos de um espírito pretensamente neo-gótico, os restauradores dotaram a ala gótica de uma ambiência medievalizante, recorrendo a paredes nuas, ostensivamente revelando o aparelho construtivo.
No último século, foram muitos os serviços aqui estabelecidos. De Quartel de Infantaria a tribunal, de Museu a Quartel dos Bombeiros Municipais, de Loja municipal a sede do Instituto Minhoto de Estudos Regionais, o conjunto está, hoje, convertido em Reitoria e Biblioteca da Universidade do Minho, função que reverteu para a comunidade um dos mais notáveis edifícios bracarenses.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

História da Arte em Portugal - o Gótico

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de, BARROCA, Mário Jorge

Título

A Biblioteca Pública de Braga: notas históricas, Boletim da Biblioteca Pública e do Arquivo Distrital de Braga, nº1

Local

Braga

Data

1920

Autor(es)

FEIO, Alberto

Título

D. Diogo de Sousa, novo fundador da cidade de Braga, O Distrito de Braga, nº1

Local

Braga

Data

1962

Autor(es)

COSTA, Avelino de Jesus da

Título

Resenha histórica de Braga medieval

Local

Braga

Data

1968

Autor(es)

PINTO, Sérgio Augusto da Silva

Título

Braga nos finais da Idade Média: subsídios para o seu estudo

Local

Braga

Data

1983

Autor(es)

MARQUES, José

Título

Biblioteca Pública de Braga: Universidade do Minho

Local

Braga

Data

1991

Autor(es)

NUNES, Henrique M. Barreto

Título

Biblioteca Pública de Braga: memória e mudança

Local

Braga

Data

1987

Autor(es)

NUNES, Henrique M. Barreto

Título

Património e restauro em Portugal: 1920-1995

Local

Porto

Data

1998

Autor(es)

TOMÉ, Miguel Jorge Biscaia Ferreira