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Santuário do Bom Jesus do Monte - detalhe

Designação

Designação

Santuário do Bom Jesus do Monte

Outras Designações / Pesquisas

Conjunto constituído pelo Santuário, escadório, capelas e pórtico de São João do Monte / Santuário do Bom Jesus do Monte (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Santuário

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Braga / Nogueiró e Tenões

Endereço / Local

Monte Espinho
Bom Jesus do Monte

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Anúncio n.º 68/2017, DR, 2.ª série, n.º 90, de 10-05-2017 (ver Anúncio)
Despacho de 25-01-2017 da diretora-geral da DGPC a determinar a abertura do procedimento de ampliação da classificação,de forma a integrar todo o sacro-monte, incluindo o Elevador do Bom Jesus do Monte (MIP), e eventual reclassificação como MN
Proposta de 24-11-2016 da DRC do Norte para a ampliação da classificação e eventual reclassificação para MN
Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O Santuário do Bom Jesus do Monte, tal como o conhecemos hoje, é o resultado de múltiplas intervenções arquitectónicas, aliadas a um esforço significativo de actualização estética e catequética que, desde o final do século XV, têm reafirmado a vocação religiosa deste espaço. Na sua construção trabalharam vários artistas de Braga, principalmente durante o período barroco, uma vez que a feição cenográfica dos escadórios e o conceito de igreja de peregrinação se acentuou, essencialmente, nesta época. Da mesma forma, encontra-se-lhe indissociavelmente ligado o nome do arcebispo D. Rodrigo de Moura Teles, que conferiu a todo este complexo uma unidade arquitectónica e iconográfica, celebrando, ao mesmo tempo, o seu próprio poder enquanto membro da igreja, ao colocar as suas armas no pórtico que dá início ao percurso. As obras do templo mantiveram-se, contudo, até ao século XIX, e muito embora seja a linguagem barroca a predominar em todo o espaço, são múltiplos os testemunhos do rococó e do neoclassicismo.
A primeira edificação religiosa erguida neste local por ordem do Arcebispo D. Jorge da Costa, remonta a 1494. Foi reconstruída, sucessivamente, em 1522 e 1629, datando desta última campanha as seis capelas da Paixão, as casas para os romeiros e a nomeação de um ermitão. Ou seja, se a ideia da Paixão de Cristo associada a um percurso através do monte (entendido como caminho de salvação), esteve presente desde o início, foi a partir da intervenção de 1629 que esta se tornou mais efectiva, culminando, no século XVIII, com o projecto de D. Rodrigo de Moura Teles e de D. Gaspar de Bragança. De facto, em 1722 todo o complexo foi reformulado, uniformizado e definido o percurso a partir do pórtico com as armas do arcebispo, surgindo então as oito novas capelas e as respectivas fontes com figurações mitológicas, que confrontavam "a Verdade e a Fé cristãs (...) com a falsidade emanada de outros cultos" (FERNANDES, 1989, p. 93).
No Terreiro das Chagas encontra-se a fonte com emblemas da Paixão que tem vindo a ser atribuída a André Soares, e com o qual termina esta primeira parte do percurso. Seguem-se o Escadório dos Cinco Sentidos, em que cada fonte corresponde a um sentido, facilmente identificável, e o Escadório das Virtudes (com as representações da Fé, Esperança e Caridade), este último atribuído a Carlos Amarante, e executado já ao tempo do Arcebispo D. Gaspar de Bragança, responsável pela ampliação do santuário.
O paralelo com o Caminho do Calvário e a função catequética do Bom Jesus encontra-se bem expressa ao longo da trajectória ziguezagueante através da qual se chega à igreja, e onde todas as manifestações artísticas convergem num mesmo sentido, como refere José Fernandes Pereira: "no escadório dos Cinco Sentidos a mensagem centra-se no carácter ilusório e pecaminoso do conhecimento sensível" (FERNANDES, 1988, p. 27). Contudo, a água e as imagens sagradas funcionam como possibilidades de purificação, que culminam no Escadório das Virtudes, onde o romeiro contacta com as verdades teologais, encontrando-se, então, "apto a entrar no ponto culminante de todo o percurso: a igreja, a casa de Deus, na qual só devem entrar os puros" (FERNANDES, 1988, p. 27).
O templo situava-se, anteriormente, no final do Escadório dos Cinco Sentidos, e a sua traça é atribuída a Manuel Pinto Vilalobos (c. 1725). Foi destruído para dar lugar ao actual, edificado por Carlos Amarante, numa linguagem que denota a abertura ao neoclassicismo, e a depuração decorativa daí decorrente, numa composição onde se destaca o corpo central, coroado por frontão triangular, e ladeado por duas torres. Contudo, e apesar da citação clássica, Amarante denota a influência da arquitectura bracarense de André Soares, bem presente na eficaz animação da fachada. O interior é bastante sóbrio, com quatro capelas laterais, destacando-se no altar principal o Calvário da autoria do escultor de Braga José Monteiro da Rocha, e as telas de Pedro Alexandrino.
RC

Imagens

Bibliografia

Título

As mais belas igrejas de Portugal, vol. I

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

GIL, Júlio

Título

Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem

Título

Três artistas de Braga (1735-1775), Bracara Augusta (Actas do Congresso a Arte em Portugal no século XVIII)

Local

Braga

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

André Soares, arquitecto do Minho

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Amarante, Carlos Luís Ferreira da Cruz, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim Jaime Ferreira

Título

Bom Jesus do Monte, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

A retórica da Fé: simbolismo e decoração no escadório dos cinco sentidos, Claro-Escuro: revista de estudos barrocos, n.º 1, Novembro de 1988

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes

Título

Descripção do prodigioso Augusto Sanctuario do Bom Jesus do Monte da Cidade de Braga

Local

Lisboa

Data

1973

Autor(es)

VIEIRA, Manoel António

Título

Particularidades, e origem do admirável Santuário do Bom Jesus do Monte, extramuros da cidade de Braga

Local

Lisboa

Data

1803

Autor(es)

ARAÚJO, Manuel António Vieira de

Título

Indicatorio sucinto do Santuario do Bom Jesus do Monte

Local

Porto

Data

1841

Autor(es)

CALDAS, J. J. da Silva Pereira

Título

Memórias do Bom Jesus do Monte

Local

Coimbra

Data

1844

Autor(es)

PIMENTEL, Diogo Pereira Forjaz de Sampaio

Título

Memoria historica do Sanctuario do Bom Jesus do Monte

Local

Braga

Data

1884

Autor(es)

CASTIÇO, Fernando

Título

Bom Jesus do Monte

Local

Braga

Data

1899

Autor(es)

COUTINHO, Azevedo

Título

Bom Jesus do Monte

Local

Braga

Data

1930

Autor(es)

FEIO, Alberto

Título

Santuário do Bom Jesus do Monte : fenómeno tardo barroco em Portugal

Local

Braga

Data

1988

Autor(es)

MASSARA, Mónica F.

Título

Carlos Amarante e o Bom Jesus de Braga, O Distrito de Braga, 1975

Local

Braga

Data

1975

Autor(es)

LIMA, Fernando

Título

Origem dos Santuários tipo Bom Jesus do Monte, em Braga, nos Sacro-Monte do norte da Itália (Piemonte e Lombardia), dos séculos XVI e XVII - exemplo do de Varese, Bracara Augusta, volume XX, n.º 64, VII, 1973

Local

Braga

Data

1973

Autor(es)

BARATA, Mário

Título

Neoclassicismo ou fim do classicismo?, História da Arte Portuguesa

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

PEREIRA, José Fernandes