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Parque de Santa Cruz - detalhe

Designação

Designação

Parque de Santa Cruz

Outras Designações / Pesquisas

Jardim da Sereia / Parque de Santa Cruz (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Parque

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Coimbra / Coimbra / Coimbra (Sé Nova, Santa Cruz, Almedina e São Bartolomeu)

Endereço / Local

Rua de Tomar
Coimbra

Rua Pedro Monteiro
Coimbra

Rua Lourenço de Almeida Azevedo
Coimbra

Praça da República
Coimbra

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 251/70, DG, I Série, n.º 129, de 3-06-1970 (ver Decreto)

ZEP

Despacho de 18-02-2010 do director do IGESPAR, I.P. a devolver o processo à DRC do Centro
Parecer de 20-01-2010 do Conselho Consultivo a propor que seja apresentada nova proposta
Proposta de 9-11-2009 da DRC do Centro para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação do Centro Histórico de Coimbra

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Outrora local de recolhimento e meditação dos monges de Santa Cruz, o Jardim da Sereia, como é conhecido em Coimbra constitui, actualmente, um dos grandes espaços verdes da cidade, situado junto à Praça da República. A sua designação deve-se à identificação da escultura existente na Fonte da Nogueira, que representa um Tritão a abrir a boca a um golfinho de onde a água jorra para uma concha, com a figura de uma Sereia.
Embora fizesse parte da cerca dos frades crúzios, a construção e arranjo do Parque remonta aos anos que vão de 1723 a 1752, quando D. Gaspar da Encarnação presidia à comunidade (BORGES, 1987, p. 117). Do conjunto do Parque destacam-se, para além das diferentes espécies de árvores (como o loureiro da Índia, oriundo de Goa, ou os carvalhos de grande porte), alguns espaços que estruturam o Jardim - o recinto do Jogo da Péla (um desporto que poderá ser considerado como uma espécie de antepassado do ténis actual, que se jogava em França pelo menos desde o século XIII, e cujo recinto podia ser interior ou exterior (a título de exemplo refira-se que alguns autores aludem à aclamação de D. João II em Sintra na Sala do Jogo da Péla, em 31 de Agosto de 1481); a cascata situada ao fundo deste recinto; a escadaria que estabelece a ligação com a Fonte da Nogueira; ou ainda o lago circular, singular pelas suas dimensões.
A configuração claramente barroca, de cariz cenográfico, presente na grande maioria dos espaços e dos elementos estruturantes do Jardim, denuncia exactamente a época que lhe deu origem. É o caso dos muros que definem o recinto do Jogo da Péla, rematados por pilaretes com urnas; a cascata que se assemelha, nas palavras de Nelson Correia Borges, a um gigantesco trono de retábulo albergando Nossa Senhora da Conceição; ou a escadaria de sabor cenográfico que liga a cascata à Fonte da Nogueira, cujos patamares exibem tanques, repuxos e bancos revestidos por azulejos.
Por outro lado, estas intervenções, que nalguns casos pretendem integrar-se no espaço natural ao procurarem revestimentos de concreções calcárias provenientes das grutas ao redor de Coimbra - como é o caso do pórtico de três arcos que permite o acesso ao Jardim -, exibem referentes cristãos, patentes nas diversas representações distribuídas ao longo do Parque, e cuja justificação se deverá procurar na função original deste espaço - local de meditação de religiosos. Assim, cada arco do pórtico de entrada é encimado por uma escultura, que representam no seu conjunto as três virtudes teologais, ou seja, as virtudes que a Igreja considera indispensáveis à salvação do Homem - Fé, Esperança e Caridade. Ladeiam o referido pórtico, dois torreões de planta quadrada com cobertura piramidal, que antigamente seriam mais elevados pois acedia-se ao Parque através de uma escadaria de treze degraus, entretanto desaparecida (BORGES, 1987, p. 117). Ambos apresentam pinturas a fresco: decorativas no exterior e representativas da vida de Santo Agostinho, São Teotónio e D. Afonso Henriques no interior. Já dentro do Parque, observamos ao fundo e depois do recinto da Péla, a imagem de Nossa Senhora da Conceição integrada na cascata, e num plano mais afastado, dois medalhões de azulejos e esculturas representativas de Sara e Agar no Deserto e o profeta Eliseu lançando sal nas águas de Jericó (BORGES, 1987, p. 118). Por fim, e na parede da Fonte da Nogueira surge ainda um nicho com a imagem de Nossa Senhora, ladeado por duas pilastras de ordem dórica, rematado por entablamento e frontão curvo.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

O Barroco

Local

Lisboa

Data

2003

Autor(es)

SERRÃO, Vítor

Título

Coimbra - guia para uma visita

Local

Coimbra

Data

2003

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Coimbra e Região

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

ESCADARIA, Dicionário de Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PIMENTEL, António Filipe

Título

SANTA CRUZ, Jardins de, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

LEITE, Ana Cristina

Título

Património Edificado com Interesse Cultural - Concelho de Coimbra

Local

Coimbra

Data

2009

Autor(es)

Câmara Municipal de Coimbra - Departamento de Cultura