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Fachada do prédio manuelino da Rua de São Pedro, 28 - detalhe

Designação

Designação

Fachada do prédio manuelino da Rua de São Pedro, 28

Outras Designações / Pesquisas

Casa dos Costa Barros (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Edifício

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Viana do Castelo (Santa Maria Maior e Monserrate) e Meadela

Endereço / Local

Rua de São Pedro
Viana do Castelo

Número de Polícia: 28

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)

ZEP

Portaria de 12-06-1973, publicada no DG, II Série, n.º 149, de 27-06-1973 (sem restrições) (a legenda da planta refere ZEP da Zona Arqueológica de Viana do Castelo, quando do diploma fixou a ZEP dos Paços Municipais, da Igreja de Santa Cruz (São Domingos), da Misericórdia, do Palácio dos Viscondes da Carreira, do Chafariz da Praça da Rainha, da Casa de João Velho, da Casa de Miguel de Vasconcelos, da Igreja matriz, da Fachada do prédio manuelino na Rua de São Pedro, 28, e do Forte ou Castelo de Santiago)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

A designada Casa dos Costa Barros fica situada numa das ruas mais antigas de Viana, inserida no antigo burgo medieval, que durante os séculos XIV e XV se desenvolveu dentro das muralhas da vila, em torno da Sé e da antiga Igreja de São Salvador. Este espaço, "rasgado por estreitas vielas, ladeadas de pequenas casas sombrias" (MOREIRA, Manuel, 1985, p. 67) foi-se renovando socialmente a partir da segunda metade da centúria de Quatrocentos.
Na realidade, à medida que o comércio marítimo do porto de Viana crescia, a sociedade vianense foi crescendo e enriquecendo, dando origem a um grupo de poderosos e ricos mercadores, composto tanto por burgueses como pela nobreza local. Estes homens ocuparam as artérias principais da vila, as "ruas mais populosas e activas" (REIS, A. Matos, 1995, p. 12), construindo então casas opulentas, que através dos programas decorativos exteriores demonstravam o poder económico e o estatuto social dos seus habitantes.
Assim, nos primeiros anos do século XVI assiste-se em Viana da Foz do Lima a um curioso fenómeno de "redecoração" das casas medievais situadas nas ruas periféricas à Sé. São os casos da Casa Luna, um conjunto de prédios medievais unificado por um programa decorativo de gosto ao romano executado pelo mestre João Lopes o Velho , ou a Casa dos Costa Barros, na fachada da qual se destaca um conjunto de janelas e portais de gosto manuelino.
Situada junto à antiga porta das Atafonas, o primitivo edifício da Casa Costa Barros terá sido edificado ainda no século XV, sendo possivelmente reconstruído no início do século XVI para integrar o programa manuelino. Supõe-se que os proprietários da casa na época seriam os Pitas de Caminha (GOMES, P. Varela, CALDAS, J. Vieira, 1990, p. 43), embora se desconheça o executor do projecto. É no entanto indiscutível a sua importância como um dos exemplares da arquitectura civil urbana do primeiro quartel do século XVI.
De planta rectangular, a casa está dividida em dois registos. A fachada desenvolve-se longitudinalmente, num ritmo assimétrico, marcado pela abertura de quatro portas e quatro janelas. No registo inferior foram abertas, da esquerda para a direita, uma porta com arco contracurvado, e três portas de moldura rectangular ladeadas por colunelos com capitéis decorados com motivos vegetalistas.
No andar nobre da casa foram abertas quatro janelas, dispostas no eixo das portas. A primeira possui moldura com arco conopial, decorado com florões, tanto no intradorso como no prolongamento dos colunelos que ladeiam o conjunto. A janela seguinte apresenta um modelo muito simples, com duplo arco (?mainel) de várias voltas.
Entre estas duas fenestrações foi colocada a pedra de armas de José Mâncio da Costa Barros, militar e cavaleiro da Ordem de Cristo, que adquiriu a casa em 1765. Esta ficaria a partir de então ligada ao seu nome de família.
A terceira janela do andar nobre é o elemento que mais se destaca no frontispício. De grande riqueza decorativa, apresenta um modelo executado no primeiros anos do Renascimento, fazendo uma simbiose entre a estrutura manuelina e os motivos decorativos de grotesco com figuras de sereias, enrolamentos vegetais e florões. A última janela, à direita, é decorada com florões e cogulhos.
A execução de um elaborado programa decorativo para as janelas do piso nobre demonstra a preocupação dos proprietários com o enobrecimento da casa, transformando uma habitação de fundação medieval num dos mais interessantes palacetes renascentistas de Viana da Foz do Lima.
Catarina Oliveira
IPPAR/2005

Imagens

Bibliografia

Título

Viana do Castelo

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

CALDAS, João Vieira, GOMES, Paulo Varela

Título

A Arquitectura Manuelina

Local

Porto

Data

1988

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Viana Monumental e Artística: espaço urbano e património de Viana do Castelo

Local

Viana do Castelo

Data

1990

Autor(es)

FERNANDES, Francisco José Carneiro

Título

Casas de Viana antiga

Local

Viana do Castelo

Data

1983

Autor(es)

ALPUIM, Maria Augusta, VASCONCELOS, Maria Emília de

Título

As janelas quinhentistas em Portugal, Portucale, vol.1, nº 2

Local

Porto

Data

1928

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

A janela da Rua de São Pedro em Viana do Castelo, Limia, nº 4, série 1 (Janeiro 1911)

Local

Porto

Data

1911

Autor(es)

GUERRA, Luís Figueiredo da

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro