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Igreja das Servas, sua torre e claustro - detalhe

Designação

Designação

Igreja das Servas, sua torre e claustro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja e Convento das Servas de Borba(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Borba / Borba (São Bartolomeu)

Endereço / Local

Terreiro das Servas
Borba

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Despacho de 19-04-2002 do Vice-Presidente do IPPAR a determinar a abertura do procedimento de alargamento da classificação ao Convento das Servas
Proposta de 15-04-2002,da DRÉvora para alargamento da classificação ao Convento das Servas
Decreto n.º 33 587, DG, I Série, n.º 63, de 27-03-1944 (ver Decreto)

ZEP

Parecer favorável de 23-02-2011 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Nova proposta de 12-11-2010 da DRCAlentejo
Devolvido à DRCAlentejo por despacho de 11-02-2010 do Director do IGESPAR, I.P., para aplicação do Decreto-Lei n.º 309/2009, DR, 1.ª série, n.º 206 de 23-10-2009 (ver Diploma)
Proposta de 10-12-2009 da DRCAlentejo para a ZEP dos imóveis classificados e em vias de classificação da Vila de Borba
CM de Borba enviou documentação em 20-09-2006
DRÉvora solicitou elementos à CM de Borba em 10-03-2003

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Edificado sobre uma ermida já existente no século XV (cedida pelo município) onde funcionava a confraria das Servas de Nossa Senhora, o Real Convento das Servas foi instituído em 1598 por iniciativa do padre Perdo Cardeira que, para tal, legou a esta casa, por via testamentária, todos os seus bens. O convento deveria integrar a Ordem Franciscana da Província dos Algarves e reger-se pela Regra de Santa Clara. Ainda por desejo do fundador, o padroado deveria caber ao Duque de Bragança, que aceitou o benefício em 1611, mas que já em 1604 participara na cerimónia solene do lançamento da primeira pedra do complexo conventual (ESPANCA, 1978).
As obras prosseguiram a bom ritmo, estando concluída a igreja no início da década de 1640, e o claustro cerca de seis anos mais tarde, época que coincidiu com a chegada das primeiras religiosas, oriundas do convento das Chagas de Vila Viçosa, em 1645. São conhecidos os nomes de muitos dos oficiais que aqui trabalharam, sob as ordens do mestre pedreiro Paulo Rodrigues (IDEM). A decoração do interior do templo prolongou-se pela segunda metade do século XVII, com o revestimento azulejar de cerca de 1650, e o retábulo-mor, maneirista, de 1693. Na verdade, há testemunhos de que em 1650, decorriam intervenções no âmbito da "guarnição da nave, a cargo do mestre pedreiro Manuel Fernandes, e do ladrilhador Manuel Lopes" (IDEM).
Já no período barroco encontramos uma série de obras que deverão corresponder a uma campanha de beneficiação do templo, onde se destaca a pintura de brutesco do tecto, a cartela da abadessa D. Isabel da Natividade, sobre o portal, de transição do barroco para o rococó e com a data de 1750, e uma série de capelas já da segunda metade da centúria, como a do Menino Jesus no dormitório pequeno, de 1785, ou a do Senhor dos Passos, de 1795.
Com a extinção das Ordens religiosas, e a morte da última freira, ocorrida em 1885, a igreja passou para a posse da Ordem Terceira, e o edifício conventual foi vendido, acabando por ser objecto de uma enorme ruína, que ditou o desaparecimento de boa parte deste imponente conjunto, e do respectivo equipamento.
A igreja denuncia a austeridade da regra imposta às religiosas, pautando-se por uma arquitectura de grande depuração, que tomou como modelo a igreja da Esperança de Vila Viçosa (IDEM). De planta longitudinal, apresenta, naturalmente, entrada lateral, com duas portas de verga recta encimadas por frontões triangulares, entre os quais se exibe o já referido brasão da abadessa D. Isabel da Natividade, de 1750, com o escudo de D. João V. A fachada Sul apresenta uma cartela estucada rococó alusiva ao Santíssimo Sacramento. Junto ao alçado lateral a fachada da igreja dos Terceiros. No interior, todo o espaço é revestido por azulejos de padrão sesicentista, azuis, amarelos e brancos, com tecto pintado setecentista com as representações de Santa Clara, São Francisco e um Santo Papa. Na parede fundeiras, as grades dos coros, e no corpo um púlpito do século XVII, e falso cruzeiro com dois altares, o mais antigo dedicado a São Francisco, de 1672. A capela-mor, também azulejada, exibe no tecto pintura a fresco alusiva a Maria, e o altar-mor, de composição maneirista, foi executado em 1693.
O claustro, do qual apenas se conserva a estrutura, exibe planta quadrada de dois pisos. A fonte que se encontrava ao centro foi levada, em 1950, para a quinta do Pereiro, em Santo António das Areias. Por fim, a torre miradouro, recorda a torre quinhentista de Santa Clara de Évora, com tratamento de influência mourisca, e cujo sino ostentava a data de 1736.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. IX (Distrito de Évora, Zona Sul, volume I)

Local

Lisboa

Data

1978

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

O Concelho de Borba Topografia e História

Local

-

Data

-

Autor(es)

ANSELMO, António Joaquim

Título

Azulejaria em Portugal no século XVII

Local

Lisboa

Data

1971

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Borba - Património da Vila Branca

Local

Borba

Data

2007

Autor(es)

SIMÕES, João Miguel