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Dólmen da Matança - detalhe

Designação

Designação

Dólmen da Matança

Outras Designações / Pesquisas

Dólmen de Matança
Corgas de Matança
Orca de Corgas de Matança / Dólmen da Matança / Orca de Corgas da Matança(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Anta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Guarda / Fornos de Algodres / Matança

Endereço / Local

-- -
Matança

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 44 075, DG, I Série, n.º 281, de 5-12-1961 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Reconhecendo a urgência da averiguação generalizada e sistemática das (então) denominadas riquezas artísticas e arqueológicas para melhor entender e sublinhar, não apenas as especificidades da História nacional, regional e/ou local, como a necessidade de criar, num futuro próximo, um museu que concebeu (vide infra), José Leite de Vasconcellos (1858-1941), essa figura incontornável dos estudos arqueológicos, etnográficos e linguísticos do nosso país, deslocou-se, em 1896, à Beira Alta, onde explorou o actualmente conhecido por "Dólmen de Matança" (ou "Corgas da Matança", como será mais conhecido localmente), referenciado desde o século XVIII, e onde recolheu espólio diversificado (um núcleo de cristal de rocha, um machado de pedra polida, duas placas de granito e vários fragmentos cerâmicos) que transferiu para o Muzeu Ethnographico Portuguez (actual Museu Nacional de Arqueologia - MNA) inaugurado três anos antes sob sua direcção.
Possivelmente edificado entre finais do VI milénio a. C. e princípios do V, o sítio, nas proximidades da rib.ª de Carapito, já apresentaria alguns esteios quebrados e tombados, a julgar pelos relatórios inseridos no processo conducente à sua protecção legal, iniciado em finais de 1959. O que não obstaria, no entanto, que apenas os anos oitenta assistissem à renovação do interesse científico por este testemunho megalítico, dessa feita sob coordenação de Domingos de Jesus da Cruz.
As investigações então conduzidas permitiram reconstituir o dólmen quase na íntegra, ao mesmo tempo que reavaliá-lo arquitectonicamente e definir o seu horizonte cronológico (sobretudo a partir do espólio existente no MNA - vide supra), enquanto se projectava erguer uma vedação de madeira, um pouco à semelhança do que se verificou noutro exemplar megalítico do concelho de Fornos de Algodres, a "Anta ou Orca de Cortiçô", facilitando-se o seu acesso através de um caminho traçado com gravilha.
Estamos, por conseguinte, perante um dólmen (ou "Anta", é regionalmente mais conhecida esta tipologia megalítica) de câmara sepulcral aberta de planta poligonal (c. 4 m x 3,20 m) formada com nove esteios (com uma altura máxima de quase quatro metros) e laje de cobertura - ou "chapéu" -, aparentemente destituído de corredor de acesso, assim como da mamôa - ou tumulus - que cobriria originalmente todo o monumento, ainda que "[...] talvez tivesse possuído um "vestíbulo", ou um corredor curto," (CRUZ; D. da, 1993, p. 111).
Indicando a antiguidade do povoamento humano nesta região, o dólmen em epígrafe inserir-se-á no primeiro grupo esquematizado por S. O. Jorge para o megalitismo da Beira Alta, a partir da sua análise morfológica: "[...] monumentos com câmaras simples sem corredor (câmaras poligonais, câmaras alongadas, por vezes designadas de forma incorrecta "galerias cobertas", e ainda câmaras quadradas ou rectangulares) [...]." (JORGE, S. O., 1990., p. 134), certamente como reflexo de um processo capital de evolução estrutural da sociedade (Id., Idem, p. 135) que o projectou e fruiu.
Entretanto, as escavações desenvolvidas na década de oitenta (vide supra) identificaram o contexto de quatro gravuras, tipo "covinha", presentes num fragmento pétreo, ao que tudo indicará correspondente à parte superior de um esteio, ao mesmo tempo que na base do bloco de cabeceira, representando um motivo serpentiforme. Residirá, na verdade, neste aspecto talvez a principal notoriedade do dólmen, sobretudo se relembrarmos a raridade com a qual surgem nos exemplares megalíticos desta zona do país, especialmente quando comparadas à pintura, assaz expressiva nos seus sepulcros. Enquanto isso, o elemento idoliforme executado em azeviche, então exumado, traduzirá "[...] contactos com áreas distantes da Península Ibérica, nomeadamente, directa ou indirectamente, com o Sudeste peninsular." (CRUZ, D. da, Idem, p. 111).
[AMartins]

Bibliografia

Título

Tesouros Artísticos de Portugal

Local

Lisboa

Data

1976

Autor(es)

ALMEIDA, José António Ferreira de

Título

A consolidação do sistema agro-pastoril, Nova História de Portugal

Local

Lisboa

Data

1990

Autor(es)

JORGE, Susana de Oliveira

Título

Características predominantes do grupo dolménico da Beira Alta, Ethnos

Local

Lisboa

Data

1966

Autor(es)

MOITA, Irisalva Nóbrega

Título

A Orca das Corgas da Matança (Fornos de Algodres), Portugália

Local

Porto

Data

1989

Autor(es)

CUNHA, Ana Maria Cameirão Leite da, CRUZ, Domingos de Jesus da, GOMES, Luís Filipe Coutinho

Título

Aquisições do Museu Etnográfico Português, O Arqueólogo Português

Local

Lisboa

Data

1897

Autor(es)

VASCONCELLOS, José de Leite de

Título

Monumentos megalíticos do concelho de Fornos de Algodres, Estudos pré-históricos

Local

Viseu

Data

1993

Autor(es)

CRUZ, Domingos de Jesus da