Saltar para o conteúdo principal da página

Chafariz das Cinco Bicas - detalhe

Designação

Designação

Chafariz das Cinco Bicas

Outras Designações / Pesquisas

Chafariz das Cinco Bicas (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Chafariz

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Leiria / Caldas da Rainha / Caldas da Rainha - Nossa Senhora do Pópulo, Coto e São Gregório

Endereço / Local

Rua do Diário de Notícias
Caldas da Rainha

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O último dos três chafarizes que, em meados do século XVIII, foram edificados nas Caldas da Rainha com o objectivo de colmatar o abastecimento de água à cidade é, também, o mais imponente do conjunto, destacando-se pelas dimensões e aparato cenográfico das volutas e das bacias por onde a água escorre, em cascata. Se os dois anteriores apresentavam, apenas, uma bica cada um, este chafariz, tal como o próprio nome indica, dispõe de cinco, todas alinhadas sob a taça inferior. De acordo com as inscrições presentes nos espaldares de todos estes equipamentos, as bicas são uma alusão às sete plêiades, filhas de Atlas e da oceânide Plêione (as oceânides eram divindades femininas personificadas por fontes, riachos, cursos de água, que descendiam de Oceano), retomando, assim, um temática da mitologia clássica, conforme era habitual na iconografia barroca presente em arquitecturas relacionadas com água.
A questão do abastecimento de água às cidades conheceu uma maior projecção no decorrer dos séculos XVII e XVIII, em função do crescimento urbano e das melhorias técnicas, que permitiram encontrar soluções mais adequadas e eficazes. Por outro lado, e para alem da sua importância cenográfica no contexto do barroco, estava em causa a satisfação de necessidades elementares das populações, ideia que se inscrevia no pensamento iluminista de então (ROSSA, 1989, p. 115). O reinado de D. João V foi fértil em exemplos de planos de abastecimento de água às cidades, quer tenham decorrido da sua própria iniciativa, quer de outras individualidades, como D. Tomás de Almeida, em Santo Antão do Tojal, ou o Arcebispo de Braga, D. José de Bragança, entre outras. No caso ds Caldas da Rainha, a presença do rei, entre 1742 e 1748, não terá sido estranha aos melhoramentos e obras então verificados, e entre os quais incluímos o aqueduto (Manuel da Maia e Eugénio dos Santos), e os três chafarizes que conduziram a água até à zona de maior concentração populacional.
Aos factores já apontados, e que justificam a preocupação com a água neste período, acresce, naturalmente, o prestígio granjeado por parte de quem impulsionava as obras, e que via assim reforçada a sua imagem. No chafariz das Cinco Bicas, o reconhecimento da personalidade magnânima do Rei encontra-se na mesma fita, com a inscrição em latim alusiva às plêiades: coeli beneficio salubriu regis munificiencia prereniu plieadum que aliae quinque, sat unde bibas / e estas as outras cinco Plêiades, de onde beberás quando quiseres, saudáveis por benefício do céu, sempre correndo por mercê do Rei. É assim que, no final do percurso iconográfico dos chafarizes, o rei é louvado pela sua iniciativa, e a água é claramente entendida como uma dádiva celeste.
Apesar da data de 1749, que também aqui encontramos, os trabalhos decorreram entre 1748 e 1751 (MANGORRINHA, 1993, p. 144). O espaldar é formado por um nicho em arco de volta perfeita, flanqueado por duas pilastras, a última das quais com um vaso no remate, elemento que se repete no eixo do arco, sobre a grinalda que o envolve. Duas volutas de grande dimensão prolongam lateralmente o alçado. O nicho acolhe três taças escalonadas, decoradas por acantos e outros temas vegetalistas, e dispostas de forma a que a água, saindo da bica superior, caia em cascata. Na zona inferior encontram-se as restantes cinco bicas, em forma de estrela, cuja água cai para um tanque, datado de 1908, e na zona superior, a fita com a inscrição já referida.
Implantado num plano mais elevado, acede-se ao chafariz por dois lanços de escadas, laterais, ligados pela plataforma de acesso às bicas. À frente desta, no plano térreo, um outro tanque servia de bebedouro para os animais.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Introdução à História das Caldas da Rainha

Local

Caldas da Rainha

Data

1991

Autor(es)

SERRA, João

Título

Memórias das Caldas da Rainha 1484-1884

Local

Lisboa

Data

1932

Autor(es)

CARVALHO, Augusto da Silva

Título

Arquitectura caldense no século XVIII, Terra de Águas - Caldas da Rainha História e Cultura, p. 137-152

Local

Caldas da Rainha

Data

1993

Autor(es)

MANGORRINHA, Jorge

Título

CHAFARIZ, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

ROSSA, Walter