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Fortaleza de Abrantes - detalhe

Designação

Designação

Fortaleza de Abrantes

Outras Designações / Pesquisas

Castelo de Abrantes / Fortaleza de Abrantes(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Militar / Fortaleza

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Abrantes / Abrantes (São Vicente e São João) e Alferrarede

Endereço / Local

Parada General Abel Hipólito
Abrantes

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Desconhecem-se, ainda, as origens do castelo de Abrantes e, consequentemente, a génese do povoamento da localidade. A maioria dos autores aponta para a existência de um castro pré-romano, logo conquistado pelas tropas imperiais e sucessivamente ocupado por Visigodos e Árabes (MORATO, 1860, ed. 1981, p.43). A verdade, contudo, parece ser bem diferente, uma vez que, como deixou expresso Eduardo Campos, o curso médio do Tejo não possui, verdadeiramente, qualquer organização ligada aos principais poderes peninsulares até ao século XII (CAMPOS, 1984, p.6).
A elevação de Abrantes a localidade-referência nesta parcela do território terá de se buscar aos primeiros anos do reino de Portugal e à necessidade de defesa da linha do Tejo. Na mesma altura em que os Templários dotavam o curso médio do maior rio peninsular de uma linha defensiva sem precedentes no panorama da arquitectura militar medieval portuguesa, D. Afonso Henriques passava carta de foral a Abrantes, instrumento régio que visou, acima de tudo, "atrair colonos para uma região despovoada" (CAMPOS, 1984, p.9) ou, diríamos, nós, desprovida de uma estrutura populacional-administrativa centralizadora.
O castelo que ainda hoje coroa a vila de Abrantes deve ter tido a sua primeira fase construtiva pela segunda metade desse século XII. Ainda que desconheçamos, por completo, a sua fisionomia, é possível que a influência templária se tivesse feito sentir e que o modelo adoptado se caracterizasse já por um esquema plenamente românico. Pelo final do século, a fortaleza devia ser já relevante, uma vez que foi um dos locais de assédio das tropas almóadas, no contra-ataque islâmico que obrigou ao recuo da fronteira portuguesa no reinado de D. Sancho I.
No século XIII, o castelo foi objecto de muitas reformas, que culminaram na materialização de uma fortaleza gótica. Com obras documentadas no reinado de D. Afonso III, foi no tempo de seu filho, D. Dinis, que ocorreram as mais importantes alterações. Este monarca doou a vila a sua mulher, D. Isabel de Aragão, passando a integrar o vasto património das rainhas portuguesas. Paralelamente, actualizou a fortificação, patrocinando a construção da torre de menagem e de grande parte da cerca do castelo.
A torre é, ainda, o elemento que melhor documenta esta fase. De planta quadrangular, de rigorosa simetria, elevava-se originalmente em três pisos, mas os dois superiores ruíram no terremoto de 1531 (MORATO, 1860, ed. 1981, p.59). Ela encontra-se bastante adulterada por obras efectuadas no século XIX, mas possui uma característica que não é frequentemente na arquitectura militar gótica: implanta-se no centro do recinto fortificado (à maneira românica) e não se adossa a qualquer das portas ou dos torreões. Este facto poderá ter-se ficado a dever à reutilização de uma anterior estrutura, pré-existente à reforma dionisina, mas sem uma escavação arqueológica, nada se poderá saber ao certo.
No século XV, no mesmo impulso que levou a grande nobreza a transformar antigos castelos em paços senhoriais, a secção ocidental das muralhas do castelo foi aproveitada para albergar o palácio dos condes de Abrantes, edificado na década de 30 por Diogo Fernandes de Almeida, alcaide-mor da vila. Este paço foi substancialmente transformado no século XVIII, por vontade do 1º marquês de Abrantes, D. Rodrigo Anes de Meneses. Infelizmente, dessa construção barroca restam apenas as ruínas, mas é ainda possível perceber que se tratava de um conjunto de grande impacto cenográfico, elevando-se acima das muralhas e compondo-se por uma longa arcaria simétrica de 11 vãos, ladeada por duas torres igualmente simétricas.
No século XIX, a transformação da praça abrantina em Presídio Militar determinou a radical adulteração das suas estruturas. Novas obras tiveram lugar nos meados do século XX, de que se destaca a reconstrução parcial da torre de menagem, mas só em 2002 se reuniram condições para o avanço de um projecto global de intervenção e de valorização.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

Roteiro dos Monumentos Militares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1948

Autor(es)

ALMEIDA, João de

Título

Inventário Artístico de Portugal, Distrito de Santarém

Local

Lisboa

Data

1949

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Notas históricas sobre a fundação de Abrantes

Local

Abrantes

Data

1984

Autor(es)

CAMPOS, Eduardo

Título

Abrantes medieval (1300-1500) séculos XIV-XV

Local

Abrantes

Data

1988

Autor(es)

VILAR, Hermínia Vasconcelos

Título

O concelho de Abrantes

Local

Lisboa

Data

1952

Autor(es)

MACHADO, Carlos de Sousa, FERRINHO, João da Costa

Título

Abrantes a vila e seu termo no tempo dos Filipes (1580-1640)

Local

Lisboa

Data

2000

Autor(es)

SILVA, Joaquim Candeias

Título

Memória Histórica da Notável Vila de Abrantes

Local

Abrantes

Data

2002

Autor(es)

MORATO, António Manuel