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Quinta de Fafiães, com todo o conjunto de edificações, mormente a casa, a capela e o tanque - detalhe

Designação

Designação

Quinta de Fafiães, com todo o conjunto de edificações, mormente a casa, a capela e o tanque

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Quinta

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Porto / Matosinhos / Custóias, Leça do Balio e Guifões

Endereço / Local

Rua de Santana
Lugar do Barreiro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Muito embora não tenham subsistido testemunhos documentais relativos à maioria das casas de campo, nos arredores do Porto, que se encontram associadas à figura de Nasoni, a sua atribuição a este artista italiano tem sido defendida por diversos autores (SMITH, 1967 e 1973; CARITA, 1987; FERREIRA ALVES, 1986). É este o caso da Casa e Quinta de Fafiães, que tal como a Quinta do Chantre ou a Casa do Dr. Domingos Barbosa, devem resultar de uma encomenda da família Barbosa Albuquerque ao referido arquitecto italiano.
Manuel Barbosa de Albuquerque foi Chantre da Sé do Porto entre 1732 e 1736, época em que terá estabelecido contactos com Nasoni no sentido deste intervir em Fafiães, dado que a capela apresenta uma inscrição com a data de 1731 (SMITH, 1967, p. 75). Esta ideia surge corroborada na investigação levada a cabo pelo historiador norte-americano Robert Smith, que ao analisar a obra de Nicolau Nasoni relacionou determinados elementos da Sé do Porto com a Casa de Fafiães. Entre outros, destacam-se os motivos de granito no muro que divide o jardim (SMITH, 1967, p. 76).
Este muro, situado no eixo da capela, separa a zona de acesso à Casa do espaço que lhe fica defronte, e onde sobressai a fonte, de remate sinuoso, com motivos muito semelhantes aos da portada do patamar da escada dos Clérigos (SMITH, 1967, p. 76). Assim, e neste conjunto arquitectónico e paisagístico de grande unidade, Nasoni terá optado por se aproximar do ideal de arquitectura civil europeu, em que todo o espaço "(...) é submetido a um grande eixo de desenvolvimento, onde a casa, como acontece nas villas italianas ou palácios franceses, se situava no centro deste eixo" (CARITA, 1987, p. 250).
A planta da Casa desenvolve-se em L, com fachada principal marcada pelas escadas de lanço único, de acesso ao andar nobre. A porta e janela centrais, unidas num único motivo, concentram em si a decoração do frontispício. A capela dedicada a Nossa Senhora do Desterro, que domina a zona lateral da Casa, a Norte, apresenta fachada rematada por frontão curvo e pináculos volumosos. Um remate que, de acordo com Smith, parece evocar os desenhos das gravuras do maneirismo flamengo (SMITH, 1967, p. 75). O portal, de desenho recortado, forma um bloco com a janela, também recortada, que se lhe sobrepõe. A sua concepção denota grande proximidade com a Capela da Quinta do Chantre, onde Nasoni optou por um esquema idêntico. Contudo, e ainda que mais planos, voltamos a encontrar uma série de elementos decorativos que recordam os utilizados na Sé portuense, nomeadamente ao nível da cartela da janela, das borlas do peitoril da janela ou das folhas de acanto no perfil da janela (SMITH, 1967, p. 75).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Nicolau Nasoni, arquitecto do Porto

Local

-

Data

1966

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

Tratado da Grandeza dos Jardins em Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

CARITA, Hélder; CARDOSO, Homem

Título

Nasoni, Nicolau, Dicionário de Arte Barroca em Portugal

Local

-

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim Jaime Ferreira

Título

O Grande Porto

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

PACHECO, Helder