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Solar de Bertiandos, incluindo a alameda de carvalhos que do solar vai até ao rio - detalhe

Designação

Designação

Solar de Bertiandos, incluindo a alameda de carvalhos que do solar vai até ao rio

Outras Designações / Pesquisas

Solar de Bertiandos, incluindo a alameda e carvalhos do solar até ao rio(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Ponte de Lima / Bertiandos

Endereço / Local

EN 202, a 3 km de Ponte de Lima
Bertiandos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 129/77, DR, I Série, n.º 226, de 29-09-1977 (ver Decreto)

ZEP

Portaria n.º 386/92, DR, I Série-B, n.º 107, de 9-05-1992 (sem restrições) (ver Portaria)

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O solar dos Bertiandos é uma das mais conhecidas casas senhoriais do Norte do país. A sua arquitectura, simultaneamente quinhentista e barroca, reflecte, de forma directa, a história dos seus proprietários.
Em 1566, Inês Pinto, viuva de D. Lopo Pereira, mandou construir a torre, segundo os modelos arquitectónicos então em voga, que privilegiavam a denominada "casa-torre". Várias características, entre as quais as gárgulas em forma de canhão, corroboram esta cronologia (AZEVEDO, 1969, p. 25). A mesma Inês Pinto instituiu dois vínculos a favor dos seus dois filhos, o que originou a divisão da propriedade, pois o relacionamento entre ambos revelou-se pouco cordial, dando origem a uma separação efectiva dos terrenos e, posteriormente, das casas de habitação. De facto, quando, no início do século XVIII, os herdeiros da secção Poente resolveram edificar um solar junto à torre e, pouco tempo depois, os do vínculo Nascente decidiram fazer o mesmo, criaram dois solares barrocos, independentes, mas unidos pela torre, que se manteve ao centro das duas edificações. A família voltou a unir-se, por casamento, apenas em 1792.
Apesar das diferenças arquitectónicas e temporais entre os três conjuntos que compõem o solar de Bertiandos, a fachada principal não deixa de apresentar alguma harmonia e simetria, ganhando especial relevância a escadaria central, cujo patamar aberto em leque denota uma influência francesa, também verificável no Paço dos Duques, de Guimarães, e noutras construções minhotas (AZEVEDO, 1969, p. 118). Na realidade, a escadaria, a par das diferenças de planos dos corpos, e do próprio tratamento do alçado, revelam um dinamismo próprio do período barroco, muito embora seja perceptível uma grande sobriedade e depuração, mais próximas do gosto seiscentista. Tal como se pode observar noutros exemplos do Minho, ou da própria região de Ponte de Lima, também no solar de Bertiandos se verifica um forte eclectismo, que esteve na base de boa parte da arquitectura barroca portuguesa, civil ou não.
Como já referimos, a torre quinhentista foi conservada, facto que testemunha a persistência do gosto pela "casa-torre" medieval. O corpo poente, divide-se em dois pisos, o primeiro dos quais é aberto, nos panos laterais, por um arco de volta perfeita flanqueado por janelas, e dois arcos em asa de cesto no corpo central. Sobrepõe-se-lhe uma varanda alpendrada com colunas, nos panos laterais, sendo o centro fechado, mas onde se encontram duas janelas de sacada a flanquear o brasão de armas. Sobre as pilastras que dividem o alçado, erguem-se pináculos e, nos intervalos, merlões semelhantes às da torre quinhentista.
No corpo Nascente, mais avançado, duas torres enquadram o corpo central, retomando o modelo da "casa-torre", mas numa derivação que conheceu grande fortuna no século XVIII. As torres são abertas por vãos, nos três andares, e coroadas por urnas. No piso térreo do pano central abrem-se janelas e uma porta, a que corresponde, no andar nobre, uma varanda alpendrada, com colunata, de influência seiscentista.
A entrada é feita pelo lado, através da escadaria já referida, e que dá acesso à andar nobre, onde se encontra a porta, encimada por frontão curvo. Os arcos, sob a escada, são de tradição antiquizante. No alçado posterior, e oblíqua ao corpo Poente, ergue-se a capela, com azulejos setecentistas, provenientes, em parte, da igreja do antigo convento do vale de Pereiras, em Arcozelo ( Inventário Artístico da Região do Norte, III, p. 23).
Pela leitura deste complexo solar, percebemos como o gosto pela arquitectura medieval se conservou até ao século XVIII, integrando os elementos quinhentistas originais e desenvolvendo outros modelos, mas comungando, todos, da mesma fonte. Por outro lado, observam-se aqui tipologias chãs, seiscentistas, numa continuidade arquitectónica bastante ecléctica, característica que se aplica, de forma genérica, à arquitectura barroca portuguesa.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Palácios e solares portuguezes (Col. Encyclopedia pela imagem)

Local

Porto

Data

1900

Autor(es)

SEQUEIRA, Gustavo de Matos

Título

Brasões da Sala de Sintra

Local

Lisboa

Data

1930

Autor(es)

FREIRE, Anselmo Braancamp

Título

O solar de Bertiandosin Revista Lusíada, n.º 8

Local

Porto

Data

1956

Autor(es)

AURORA, Conde de

Título

Nobres Casas de Portugal

Local

Porto

Data

1958

Autor(es)

SILVA, António Lambert Pereira da

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Inventário Artístico da Região Norte - III (Concelho de Ponte de Lima)

Local

Porto

Data

1974

Autor(es)

-

Título

Alto Minho

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de