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Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, incluindo a escadaria e respectivo parque - detalhe

Designação

Designação

Santuário de Nossa Senhora dos Remédios, incluindo a escadaria e respectivo parque

Outras Designações / Pesquisas

Santuário de Nossa Senhora dos Remédios(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Santuário

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Lamego / Lamego (Almacave e Sé)

Endereço / Local

EN 2, junto a Lamego, no topo da Av. dos Combatentes
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 29/84, DR, I Série, n.º 145, de 25-06-1984 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Edificada no cimo do Monte de Santo Estevão, o Santuário de Nossa dos Remédios é, a par do Bom Jesus de Braga, uma das igrejas barrocas de peregrinação mais significativas do país.
Ainda em tempos medievais existia, no mesmo local, uma pequena ermida dedicada a Santo Estêvão, mandada reedificar no século XVI, pelo Bispo de Lamego, D. Manuel de Noronha (MARRANA, 2001). Este havia trazido de Roma uma imagem de Nossa Senhora dos Remédios, cujo culto se incrementou a partir do século XVIII, motivando a edificação de uma nova igreja, que pudesse responder, de forma mais eficaz, às necessidades crescentes dos fiéis que procuravam a protecção daquela santa. Para a construção do novo Santuário podem-se estabelecer três grandes períodos: de 1750 a 1778 para a edificação do templo; de 1778 a 1868 para a escadaria; e de 1868 a 1905 para a reconstituição da sacristia velha e nova (da autoria do Mestre Domingos Barreira), para a construção das torres laterais e para o alteamento do frontão (PINTO, 2001). Assim, a primeira pedra da igreja foi lançada em 1750, estando as obras concluídas cerca de onze anos depois.
A escadaria monumental foi construída a partir de 1777, data em que o Bispo Manuel de Vasconcelos Pereira contratou o pedreiro Manuel Faustino Loureiro (que já havia trabalhado na igreja, juntamente com Francisco Rente) para a sua execução, a partir de desenhos enviados de Lisboa (embora haja registo de desenhos oriundos de Coimbra) (FERREIRA-ALVES, 1989, p. 322). Composto por vários lanços e patamares, com fontes e esculturas variadas, entre os quais destacamos o Pátio dos Reis (com o chafariz dos Remédios da autoria de Nicolau Nasoni), o escadório só foi terminado muito mais tarde, já no século XX (ALVES, 1971, p. 7). Ainda que o plano original incluísse várias capelas, apenas uma foi construída e dedicada à Sagrada Família. A decoração, que ao longo da escadaria incentiva os fiéis, denota todo um programa iconográfico dedicado à Virgem, que culmina na igreja.
Esta, apresenta uma planta longitudinal, que se desenvolve através de um eixo onde figuram a nave, a capela-mor, mais alta e estreita de forma a suportar a cúpula, e as duas sacristias. Na fachada, o frontão foi construído posteriormente, com o objectivo de esconder a passagem entre as duas torres.
Ainda que se desconheça o autor do risco da igreja, este tem vindo a ser atribuído a Nicolau Nasoni, muito embora já Robert Smith tenha discordado desta ideia, uma vez que a cronologia da estadia de Nasoni em Lamego não coincide com a da igreja (SMITH, 1967, p. 97). Contudo, e se a fachada apresenta uma linguagem próxima da do arquitecto italiano, denota, simultaneamente, uma série de elementos característicos de André Soares ou de José de Figueiredo Seixas. Nomeadamente, e no caso deste último, o remate da fachada surge muito semelhante ao da Igreja da Ordem Terceira do Carmo no Porto (FERREIRA-ALVES, 1989, p. 322). As influências nesta zona do país são múltiplas, cruzando-se ideias oriundas do Porto, Minho ou Coimbra "(...) numa adaptação local com um estilo de ornamentação mais sóbrio e baixo que se circunscreve às molduras e aventais graníticos de janelas, recortados, onde se penduram borlas, brincos e algumas parcas grinaldas" (BORGES, 1986, p. 117). As torres, embora enquadradas no conjunto, são já do século XIX. Estudos recentes apontam ainda o nome de António Pereira, o arquitecto e mestre de obras que trabalhou com Nasoni na Sé de Lamego, como eventual autor do risco deste Santuário (PINTO, 2001, p. 62).
No interior, destacam-se os painéis de azulejo azuis e brancos, executados já no século XX por Miguel Costa, de Coimbra, representando cenas da vida da Virgem. O retábulo-mor, em talha dourada de linguagem rococó, filia-se, ainda que em menor escala, no do Mosteiro de Tibães. Este terá sido desenhado entre 1764-1766, por Frei José de Santo António Ferreira Vilaça e executado pelo entalhador Luís Manuel da Silva (SMITH, 1972, p. 401).
(RC)

Imagens

Bibliografia

Título

Nicolau Nasoni, arquitecto do Porto

Local

-

Data

1966

Autor(es)

SMITH, Robert C.

Título

História do Culto de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego

Local

Lamego

Data

2001

Autor(es)

MARRANA, José António

Título

O Santuário de Nossa Senhora dos Remédios em Lamego - contributo para o estudo da sua construção 1750-1905/69

Local

Lamego

Data

2001

Autor(es)

PINTO, Lucinda de Jesus Barros

Título

Subsídios para a História do Santuário de Nossa Senhora dos Remédios - O Pátio dos Reis e o Pátio de Jesus Maria e José

Local

-

Data

1971

Autor(es)

ALVES, Alexandre

Título

ESCADARIA, Dicionário de Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

PIMENTEL, António Filipe

Título

História da Arte em Portugal, vol. 9

Local

Lisboa

Data

1986

Autor(es)

BORGES, Nelson Correia

Título

NOSSA SENHORA DOS REMÉDIOS, Santuário, Dicionário da Arte Barroca em Portugal

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

ALVES, Joaquim Jaime Ferreira