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Casa das Rodas - detalhe

Designação

Designação

Casa das Rodas

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Solar

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Monção / Monção e Troviscoso

Endereço / Local

- -
Rodas

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 1/86, DR, I Série, n.º 2, de 3-01-1986 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As referências mais antigas que se conhecem sobre a casa de Rodas remontam ao século XVI, quando era proprietária D. Genebra do Vale Palhares casada com Fernão Pita Ortigueira. Nesta época a casa tinha uma torre, implantada entre o edifício habitacional e a capela. Já no final desta centúria, o imóvel foi objecto de algumas intervenções que aumentaram a área edificada, que passou a formar um quadrado em torno de um pátio interior. Mais tarde, durante as Guerras da Independência, a casa foi incendiada, e a sua recuperação ocorreu somente no início do século XVIII, devido à iniciativa de Manuel Palhares Coelho. A capela data de 1767, e foi mandada construir por José Pita Palhares Antas Marinho, muito possivelmente, sobre as ruínas de uma outra. Até então conhecida como casa de Picoutos, foi nesta centúria que passou a ser designada por casa de Rodas. O século XIX trouxe consigo novas intervenções e em 1902 foi construído o corpo perpendicular ao edifício (SILVA, 1958, vol. III, p. 235).
A família Pita Palhares, proprietária da casa e da propriedade agrícola onde hoje se produz o vinho Alvarinho, gozava de grande prestígio principalmente no século XVIII, período que correspondeu à reedificação da casa, e ao controle de lugares tão significativos como os de chefia da Misericórdia de Monção, na gestão da qual desempenhou um importante papel (LOBO, 2004). Assim, a sua casa de habitação deveria reflectir a relevância social e política quer pela imponência e grandiosidade, quer pela exibição das armas familiares em lugar de destaque: sobre a entrada principal, interrompe a linha da cornija, e ocupa o tímpano do frontão triangular, este último ladeado por pináculos.
Não se sabe ao certo por que razão terá sido alterada a designação da casa, embora a tradição refira a recolha de crianças numa roda, como se fazia nos conventos, ou a não coabitação entre homens e mulheres trabalhadoras da quinta, sendo que estas últimas recebiam a comida pela roda sem entrar em casa onde os homens tomavam as refeições (SILVA, 1958, vol. III, p. 235).
A Casa de Rodas é um exemplo muito característico das transformações de que os imóveis foram objecto ao longo dos séculos, chegando à actualidade com todas essas memórias integradas no seu conjunto edificado. O modelo empregue foi o da casa comprida com a fachada num dos topos, bastante comum no século XVIII. Na generalidade, os vãos que se abrem nos alçados são de molduras simples, destacando-se na fachada principal as duas janelas do piso nobre com sacada. Ao centro, o portal em arco de volta perfeita é encimado pelo brasão de armas já referido. A capela, é definida por pilastras nos cunhais, encimados por pináculos, terminando em empena com cruz central. Ao centro, o portal de verga recta é sobrepujado por cornija e óculo quadrilobado. No interior, ganha especial interesse o tecto pintado em trompe l'oeil com quadro central alusivo a Nossa Senhora da Assunção.
(Rosário Carvalho)

Bibliografia

Título

Nobres Casas de Portugal

Local

Porto

Data

1958

Autor(es)

SILVA, António Lambert Pereira da

Título

Monção e seu alfoz na heráldica nacional: heráldica, genealogia e história

Local

Barcelos

Data

1969

Autor(es)

GOMES, José Garção

Título

Monção

Local

Porto

Data

1988

Autor(es)

ROCHA, J. Marques

Título

Poderes familiares na Misericórdia de Monção ao longo do século XVIII, Comunicação apresentada ao VII Congreso Asociación de Demografia Historica, Faculdade de Filosofia e Letras, Universidade de Granada

Local

Granada

Data

2004

Autor(es)

ARAÚJO, Maria Marta Lobo de