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Gravuras rupestres de Montedor - detalhe

Designação

Designação

Gravuras rupestres de Montedor

Outras Designações / Pesquisas

Gravuras rupestres de Montedor(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Arte Rupestre

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viana do Castelo / Viana do Castelo / Carreço

Endereço / Local

- -
Carreço

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 26-A/92, DR, I Série-B, n.º 126, de 1-06-1992 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Terá sido durante a prospecção realizada na primeira metade do século XX, ao longo da costa, em busca de sítios paleolíticos, por nomes eminentes da ciência portuguesa da época, como os de Afonso do Paço (1895-1968), Carlos Teixeira, Maxime Vaultier, Georges Zbyszewski (1909- 1998), Orlando Ribeiro (1911-1997), José Rosa de Araújo e T. Simões Viana, que o conhecido arqueólogo Henri-Édouard-Prosper Breuil (?-1961) terá identificado pela primeira vez a existência de gravuras rupestres nas proximidades do "Farol de Montedor" (LANHAS, F., 1969, p. 367). Não obstante, parece ter sido necessário esperar por 1967, para que as gravuras fossem finalmente (re)descobertas, dessa feita, por mão de Francisco Pereira Viana.
É entre Viana do Castelo e Vila Praia de Âncora, no topo do afloramento rochoso de Montedor, e nas proximidades de uma antiga via romana per loca maritima, da qual derivariam outros caminhos secundários até junto do mar, que se encontram as gravuras, num local com um forte domínio visual sobre a paisagem envolvente (Ibid.)
O sítio é, assim, formado por um conjunto de insculturas executadas na superfície de vários penedos contíguos, com uma variedade temática assaz notória, embora não completamente inédita neste tipo de arqueossítios. Surgem, por isso, as denominadas "covinhas" (bastante difundidas, aliás, em toda a zona Norte do actual território português) e uma "ferradura", a par de simples sulcos abertos na rocha e figurações zoomórficas, com especial destaque para o elemento cervídeo, precisamente por ser o que aparece mais representado. A análise da sua distribuição ao longo da superfície dos diferentes penedos parece apontar para a presença, intencional, de dois conjuntos de gravuras distintos, não pela técnica utilizada na sua execução, mas, antes sim, pela concepção que terá presidido à associação dos elementos representados.
Teríamos, por conseguinte, um primeiro grupo, de maiores dimensões, localizado no penedo situado a Poente, onde predomina a temática zoomórfica, onde as figuras se apresentam distribuídas de modo disperso sobre a superfície, para além de se encontrarem todas voltadas para o mesmo lado. Na opinião de alguns autores, "É aqui manifesto um certo realismo, a caminho da esquematização. [...]. É possível que este grupo seja a descrição esquemática de uma cena de caça, sendo de admitir que outros desenhos tenham existido, nomeadamente de figuras antropomórficas." (Id., Idem., p. 376).
Quanto ao segundo grupo, ele revela um sentido plástico (e possível significado simbólico) consideravelmente diverso do primeiro, pois, ainda que obedecendo à mesma técnica, a composição surge-nos no sentido da altura, ao mesmo tempo que se observa uma nítida preocupação de estilizar as figuras, num processo que poderá ser enquadrado num movimento de transição ocorrido ao nível da Arte Rupestre, aqui materializado no conteúdo e na forma das gravuras presentes nos dois conjuntos.
Mas apesar de se inserir, geralmente, este sítio no denominado Grupo Galaico-Português, pertencente ao universo genérico da Arte Rupestre, onde os melhores exemplares parecem concentrar-se predominantemente acima do Rio Minho e, sobretudo, em toda a Galiza (ABREU, M. S., 1995, p. 48), os testemunhos zoomorfos parecem constituir uma excepção, face à prevalência dos sinais esquemáticos e abstractos mais característicos deste agrupamento. Não obstante, os elementos zoomórficos presentes em Montedor revelam uma aparente afinidade com os modelos da pintura rupestre, esta sim, de raiz mais esquemática e seminaturalista (BAPTISTA, A. M., 1987, p. 47)
[AMartins]

Imagens

Bibliografia

Título

O universo da arte rupestre, HIstória da Arte Portuguesa, vol.1, Lisboa, Círculo de Leitores, 1995, pp.25-46

Local

Lisboa

Data

1995

Autor(es)

ABREU, Mila Simões de

Título

Roteiro Arqueológico de Viana do Castelo

Local

Viana do Castelo

Data

1992

Autor(es)

LEAL, António J. M. da Cunha

Título

As gravuras rupestres de Montedor, Revista de Etnografia

Local

Porto

Data

1969

Autor(es)

LANHAS, Fernando

Título

Arte Rupestre pós-glaciária. Esquematismo e abstracção, História da Arte em Portugal

Local

Lisboa

Data

1987

Autor(es)

BAPTISTA, António Martinho

Título

Arte Rupestre de Carreço, Centro de Estudos Regionais e Boletim Cultural

Local

Viana do Castelo

Data

1985

Autor(es)

BATISTA, Ivone, MAGALHÃES, Carmo