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Casa dos Primes, também conhecida por Casa do Cimo da Vila - detalhe

Designação

Designação

Casa dos Primes, também conhecida por Casa do Cimo da Vila

Outras Designações / Pesquisas

Solar dos Condes de Prime / Solar dos Condes de Prime / Casa do Cimo da Vila / Casa dos Ernestos / Conservatório Regional de Música(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Casa

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Viseu / Viseu / Viseu

Endereço / Local

Rua dos Andrades
Viseu

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O solar dos Condes de Prime situava-se no denominado "cimo da vila", um espaço que, no século XVIII, era ainda pouco habitado, mas que se tornou bastante denso com a renovação urbana do período barroco. De tal forma que hoje se lamenta a não existência de um largo que permita usufruir plenamente da magnífica fachada deste solar, um dos mais significativos da cidade de Viseu e da arquitectura civil portuguesa deste século (CORREIA, 1989, p. 33).
José Teixeira de Carvalho foi o seu primeiro proprietário, tendo a Casa passado para a posse dos Condes de Prime pelo casamento da sua trineta Maria da Glória Teixeira de Carvalho Sampaio da Rocha Velho com o Barão de Prime. O Solar é também conhecido por Casa dos Ernestos, designação que se deve aos descendentes de José Teixeira de Carvalho, uma vez que o seu filho e neto se chamavam, respectivamente, José Ernesto e António Ernesto (MOREIRA, 1937, p. 39).
A construção do edifício remonta, assim, à primeira metade do século XVIII, sendo que a capela data de 1748, conforme atesta a inscrição patente no portal da mesma. Os elementos decorativos que definem ambos os espaços foram sendo progressivamente integrados - os azulejos em 1750 e o retábulo da capela quatro anos mais tarde.
Como já referimos, este solar é um dos exemplos mais interessantes da arquitectura civil do século XVIII, uma vez que expressa, através das suas opções arquitectónicas, a concepção construtiva dominante neste período, em matéria de construções solarengas. Assim, e se a arquitectura civil portuguesa não foi pródiga na utilização de plantas dinâmicas, preferindo manter as soluções maneiristas anteriores, as soluções barrocas manifestaram-se, sobretudo, ao nível da animação das fachadas, que exploraram a plasticidade dos ornatos, ou as sequências rítmicas das janelas, na construção de uma cenografia urbana de grande impacto (AZEVEDO, 1969, pp. 65-73).
Tal é o caso do Solar dos Condes de Prime, que apresenta uma planta rectangular, com fachada principal constituída por dois blocos separados por pilastras, a que se junta a capela adossada. O desenvolvimento horizontal do conjunto é evidente, reflectindo a procura de uma estabilidade, tão característica desta época, e que se pauta pela adopção de apenas dois andares. O andar nobre é o mais importante, distinguindo-se pelo tratamento dos vãos, mais cuidados relativamente ao piso inferior, de moldura mais estática e rectilínea.
À semelhança da grande maioria das casas setecentistas, a entrada principal assume especial relevância, sendo que no Solar dos Condes de Prime coexistem duas portas, uma em cada secção da fachada, ambas quebrando a linha das janelas superiores e terminando em frontão interrompido com o brasão da família.
A capela distingue-se pelo remate triangular, ladeado por fogaréus e encimado por uma cruz. O portal principal articula-se com a janela superior, ambos com molduras de granito de gosto rocaille. No seu interior, o tecto exibe pintura em trompel'oeil com a representação das três virtudes teologais e a apoteose de Santo António. As paredes laterais são revestidas por azulejos e o retábulo-mor é de talha dourada, de estilo nacional.
No Solar, destaca-se a escadaria do átrio, com patamar que separa os dois acessos laterais ao andar nobre, e revestimento azulejar polícromo, de fabrico lisboeta. Estão aqui representadas cenas de caçadas ao urso, ao javali, à lebre a ao veado. No andar superior, encontra-se uma sala com revestimento cerâmico, outra com tecto estucado, e o conhecido salão de baile, revestido por damasco amarelo, que foi palco de inúmeras festas e onde foi recebida a rainha D. Amélia, em 1894 (VALE, 1969, p. 75).
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de

Título

Viseu

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

CORREIA, Alberto

Título

Imagens de Viseu

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Viseu monumental e artístico

Local

Viseu

Data

1969

Autor(es)

VALE, Alexandre de Lucena e