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Igreja de Linhares - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Linhares

Outras Designações / Pesquisas

Igreja de São Miguel, matriz de Linhares / Igreja Paroquial de Linhares / Igreja de São Miguel (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Bragança / Carrazeda de Ansiães / Linhares

Endereço / Local

-- -
Linhares

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 41 191, DG, I Série, n.º 162, de 18-07-1957 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Implantada na zona mais antiga de Linhares, a sua igreja matriz, de edificação setecentista, veio substituir uma outra, de origem mais remota, e que teria sido a primeira paroquial desta localidade. Envolve-a um adro, a que se acede por escadaria, orientada para a porta principal do templo.
Muito embora a única data conhecida para a cronologia de obras desta igreja seja a que está presente na cartela da fachada principal - 1773 -, e que deverá referir-se à sua conclusão, outros aspectos, de natureza arquitectónica, deixam adivinhar outras intervenções, ou modificações, cujo alcance e época são, hoje, difíceis de determinar, reclamando um estudo bem mais aprofundado sobre o edifício. Entre estes elementos, destacamos a divisão entre os volumes da nave e da capela-mor, onde o pano murário, em empena rematada por cruz, e com pilastras nos cunhais, se eleva muito acima de qualquer dos corpos do templo. A este pano, corresponde o arco triunfal, de volta perfeita, que no interior é cortado pela abóbada da nave. Assim, uma das possibilidades que se levantam é a d o plano original ter sido interrompido na zona do arco triunfal, por motivos que desconhecemos (mas que se podem dever a problemas financeiros), resultando desta alteração uma nave muito mais baixa do que o inicialmente previsto, e sem a decoração exterior que o volume da capela-mor comporta.
Este alçado é preenchido por pilastras com capitéis coríntios, que o dividem em três panos, abertos por igual número de janelas, com moldura profusamente decorada, a última das quais se liga a uma outra janela inferior. As restantes exibem um óculo como avental e são coroadas por frontões triangulares. Já o alçado da nave, muito depurado, é aberto, apenas, por uma porta em arco abatido, flanqueada por duas janelas de dimensão reduzida.
Por sua vez, a fachada principal levanta, também, alguns problemas pois não respeita a habitual simetria. Pelo contrário, parece ter sido cortada, por forma a integrar a torre sineira, de dimensões algo desproporcionadas relativamente ao restante alçado. Limitado por pilastras, interrompidas pela cornija e encimada, a do lado da Epístola, por um fogaréu, este alçado termina numa empena de lanços curvos. É aberto pelo portal em arco abatido, que termina num frontão triangular, de lanços contracurvados. No plano seguinte, uma janela quadrilobada, e profusamente decorada, antecede o relógio que aqui foi colocado no início do século XX, encontrando-se a cartela com a data já referida, junto à cornija do remate. Do lado esquerdo, a empena foi interrompida pela torre, separada da igreja por uma pilastra muito próxima do portal. Este volume, que respeita as divisões do templo, com as sineiras na zona correspondente ao frontão, é rematado por coruchéu envolto por balaustrada.
No interior, de nave única, com coro alto, e baptistério sob a torre, destaca-se o púlpito, assente sobre voluta, e os diferentes retábulos de talha dourada do corpo da igreja e que ladeiam o arco triunfal, que podem ser integrados no denominado estilo nacional ou barroco pleno. Já o retábulo-mor parece bem mais tardio, acusando a influência da linguagem neoclássica, nas suas linhas mais rectas e no medalhão central. Na verdade, a capela-mor foi objecto não apenas de uma maior atenção decorativa, mas também de uma campanha homogénea, mas já neoclássica, da qual fazem ainda parte as pinturas da abóbada.
(Rosário Carvalho)

Imagens