Saltar para o conteúdo principal da página

Igreja de São Nicolau, paroquial de Carrazedo de Montenegro - detalhe

Designação

Designação

Igreja de São Nicolau, paroquial de Carrazedo de Montenegro

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Carrazedo de Montenegro / Igreja Paroquial de Carrazedo de Montenegro / Igreja de São Nicolau(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Valpaços / Carrazedo de Montenegro e Curros

Endereço / Local

-- -
Carrazedo de Montenegro

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 28/82, DR, I Série, n.º 47, de 26-02-1982 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Reedificada no final do reinado de D. João V, a igreja paroquial de Carrazedo de Monte Negro impõe-se pelas suas singulares dimensões, que celebram, porventura, a importância passada desta localidade, fruto da sua antiguidade (que remonta à Idade Média), da localização estratégica no concelho e da riqueza agrícola (MARTINS, 1978, p. 186).
A fundação de um templo neste local deverá ser contemporânea da instituição paroquial, cuja origem parece recuar até ao século XII. De acordo com os dados divulgados no "Catálogo de todas as igrejas, comendas e mosteiros" do país, a de Carrazedo de Monte Negro pode ser considerada, por comparação com as restantes, como uma das que usufruía de maiores rendimentos. Sabe-se ainda que, pelo menos no século XVIII, foi reitoria, com apresentação dos Arcebispos de Braga, e comenda da Ordem de Cristo (MARTINS, 1978, p. 183, cita referências das Memórias Paroquiais). A comenda é, certamente, anterior, pois a inscrição que a seguir referimos alude a uma obra mandada executar por um comendador.
Pouco mais se conhece sobre a história deste imponente templo. Uma inscrição epigrafada no alçado da capela-mor permite perceber que esta foi reformada, ou construída de novo, na segunda metade do século XVI, a expensas de D. Pedro da Cunha: Dom Pedro da Cunha do Conselho del Rei Nosso Senhor sendo Comendador mandou faser esta capella 1577.
Muito embora os autores que se debruçaram sobre este assunto tenham aceite a ideia de que a inscrição se refere à construção / reforma da capela-mor, entendemos que esta leitura não pode ser tão linear, pois a referência de que D. Pedro da Cunha mandou fazer a capela, permite a inclusão, neste termo, de toda a anterior igreja, que foi depois remodelada, no século XVIII, conservando-se apenas a capela-mor.
Na realidade, a campanha iniciada em 1746 veio transformar significativamente a igreja, impondo-lhe uma majestosa fachada e reformando a nave. O frontispício é o que mais se destaca, salientando-se na malha urbana pelas dimensões, altura e composição arquitectónica.
Ainda se podem ler, ao longo do frontispício, as letras A. V. M. S. P. C., que significa Ave Virgo Maria sine pecato concepta, ou seja, Avé Maria sem pecado concebida.
A fachada é antecedida por um adro rectangular, que acompanha toda a extensão do alçado, com balaustrada intervalada por pilares de remate piramidal coroados por esfera. Dos lados abrem-se escadarias de dimensão reduzida. Toda esta composição assume-se como uma grande cenografia, tão cara ao período barroco, profusamente trabalhada na sua correspondência entre vãos, e criando algum dinamismo na diferenciação de planos.
No interior, de nave única, destaca-se a capela-mor, mais estreita, com tecto em caixotões e retábulo de talha dourada tardio, já claramente neoclássico. Noutras dependências subsistem abóbadas de cruzaria de ogivas, como testemunhos da campanha seiscentista, ou mesmo anterior.
Regressando ao exterior, o portal lateral, dedicado a São Gonçalo de Amarante, denota uma austeridade maneirista, que se diferencia da fachada principal. Observamos, assim, uma arquitectura ecléctica, tão ao gosto do século XVIII, mas que, neste caso, é uma espécie de consequência do reaproveitamento sucessivo das estruturas do templo, desde o século XVI até aos meados do XVIII.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Monografia de Valpaços

Local

Porto

Data

1978

Autor(es)

MARTINS, A. Veloso

Título

O Concelho de Valpaços

Local

Lourenço Marques

Data

1954

Autor(es)

LOPO, Joaquim de Castro