Saltar para o conteúdo principal da página

Convento dos Lóios - detalhe

Designação

Designação

Convento dos Lóios

Outras Designações / Pesquisas

Antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção / Pousada de Nossa Senhora da Assunção de Arraiolos / Pousada dos Lóios de Arraiolos / Convento de Nossa Senhora da Assunção / Pousada de Nossa Senhora da Assunção(Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Évora / Arraiolos / Arraiolos

Endereço / Local

Herdade de Vale de Flores
Arraiolos

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 735/74, DG, I Série, n.º 297, de 21-12-1974 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

O antigo Convento de Nossa Senhora da Assunção de Arraiolos ergue-se em terrenos que outrora integravam uma herdade nomeada Quinta do Paço, propriedade de D. Álvaro Pires de Castro, irmão de D. Inês de Castro, e a quem D. Fernando I fizera 1º Conde de Arraiolos, em 1371. No início do século XVI, as terras pertenciam a João Garcês, filho do Dr. Afonso Garcês de Aragão, secretário dos reis D. Afonso V e D. João II, e irmão de Jorge Garcês, secretário de D. Manuel e genro do cronista Duarte Galvão. João Garcês de Aragão e sua mulher, D. Leonor de Abreu, que chegaram a residir na quinta, e não tiveram descendência, doaram terras e móveis à Congregação de São Jorge de Alga, originária de Veneza, e conhecida em Portugal por Ordem de Santo Elói, em 1526, para que nela se edificasse um mosteiro dedicado a Nossa Senhora da Assunção.
A construção do edifício foi iniciada em 1527, nas vésperas da festa da Assunção da Virgem. Nesse mesmo ano se começou a erguer a capela-mor da igreja, representando a parte mais antiga do conjunto, ainda de inspiração manuelina. A nave, integrando igualmente elementos manuelinos, estaria terminada em c. 1537. Deste período inicial data ainda o portal principal, atribuível ao mestre João Marques, autor da porta do Hospital da vila, este de 1525 (Túlio ESPANCA, 1975). Seguiram-se as obras do claustro, após 1537, e das restantes dependências, que se arrastaram até finais do século XVI. O edifício ficaria praticamente concluído em 1592, tendo entretanto recebido diversas intervenções decorativas. Seguiu-se uma importante campanha de renovação, já de 1700, quando, entre muitas outras alterações, foram executados os requintados silhares de azulejos forrando integralmente a capela-mor e a nave.
O conjunto arquitectónico é composto pela igreja e pelo edifício conventual, a Norte, sendo ambos separados por uma grande torre sineira. A actual fachada do templo, com remate em empena triangular, é já de c. 1590, constando de um alpendre aberto por seis arcos de volta perfeita, em granito, sobre o qual assenta o coro alto, iluminado por janelão rectangular. O alpendre, coberto por abóbada de nervuras abatida, dá acesso à portada, ainda das primeiras empreitadas, de tipologia manuelina, rasgada em arco redondo, com arquivoltas preenchidas com fieiras de boleados assentes em capiteis lavrados com temas geométricos e naturalistas, sobre colunelos de bases entrançadas. A enquadrar o pórtico elevam-se dois finos colunelos torsos, rematados por grandes cogulhos. Sobre as arquivoltas, logo abaixo do remate conopial do conjunto, figuram duas serpentes afrontadas. Na fachada Sul destaca-se uma galeria de feição renascentista. Por fim, o edifício da igreja é ritmado por botaréus cilíndricos com coruchéus cónicos, demonstrando-se claramente nesta mescla de épocas artísticas o hibridismo entre o primeiro estilo, essencialmente manuelino, do primeiro terço de Quinhentos, e o barroco de finais do mesmo século, passando por declinações renascentistas.
A nave, única e de três tramos, é coberta por abóbada nervurada, em tijolo, com chaves manuelinas. Foi inteiramente recoberta, em 1700, e por iniciativa do então reitor, Frei Bernardo de S. Jerónimo, por silhares barrocos de azulejos historiados azuis e brancos, assinados por Gabriel del Barco, compondo um dos mais importantes revestimentos azulejares do país. A capela-mor, ainda de 1527, tem uma elegante abóbada polinervada, igualmente de tijolo, com chaves manuelinas. O retábulo, que substituiu um primitivo de 1547, é de talha barroca do estilo português do tempo de D. Pedro II.
No edifício conventual merece particular destaque o harmonioso claustro renascentista, em dois andares, terminado sob patrocínio dos Duques de Bragança D. Jaime e D. Teodósio I, donatários da vila. A Sala do Capítulo, o Refeitório e a escadaria principal datam já de c. 1570.
Presentemente, o edifício alberga uma Pousada da Enatur, adaptada pelo Arquitecto José Paulo dos Santos. SML

Imagens

Bibliografia

Título

Inventário Artístico de Portugal - vol. VIII (Distrito de Évora, Zona Norte, volume I)

Local

Lisboa

Data

1975

Autor(es)

ESPANCA, Túlio

Título

Memorias da Villa de Arrayolos

Local

Arraiolos

Data

1999

Autor(es)

RIVARA, Joaquim Heliodoro da Cunha

Título

O Tardo-Gótico em Portugal, a Arquitectura no Alentejo

Local

Lisboa

Data

1989

Autor(es)

SILVA, José Custódio Vieira da

Título

Convento de Nossa Senhora da Assunção (Lóios), A Cidade de Évora, nº 48 - 50, pp. 105 - 112

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Manuelino. À descoberta da arte do tempo de D. Manuel I

Local

Lisboa

Data

2002

Autor(es)

DIAS, Pedro

Título

Azulejos datados, O Archeologo Português, vol. XX, 1º série

Local

Lisboa

Data

1914

Autor(es)

FONSECA, Vergílio Correia da

Título

A arquitectura manuelina

Local

Vila Nova de Gaia

Data

2009

Autor(es)

DIAS, Pedro