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Torre de Aborim - detalhe

Designação

Designação

Torre de Aborim

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Paço

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Braga / Barcelos / Aborim

Endereço / Local

- -
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 95/78, DR, I Série, n.º 210, de 12-09-1978 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Subsistem muitas dúvidas quanto às origens deste conjunto monumental. Na viragem para o século XIV sabemos que aqui existia um paço da família Aborim, mas a actual configuração da parcela mais antiga do conjunto (a sua torre) parece corresponder a uma época posterior, da viragem para o século XVI ou talvez, mesmo, já em pleno século XVII.
A história desta propriedade começa a ser conhecida no reinado de D. Afonso IV, altura em que Pedro Fernandes de Barbosa, um dos homens que acompanhou o monarca na Batalha do Salado, entrou na posse da Honra dos Aborins, por casamento com D. Chamoa Martins de Aborim, herdeira única de Martim Rodriguess de Aborim, anterior proprietário da honra e paço (FONSECA, 1987, vol. I, pp.60-61). Anos depois, em vida do filho do casal, Álvaro de Barbosa, foi instituído o Morgadio de Aborim. Terá sido a partir desta data que se terão realizado as grandes obras de reformulação de uma primitiva torre medieval aqui existente e sua adaptação a paço senhorial característico da Baixa Idade Média? Esta hipótese é aliciante, mas justifica-se apenas pela invisibilidade de outras datas próximas na história do monumento, não havendo, até ao momento, qualquer relação directa entre a instituição do morgadio e a reforma do conjunto.
Na origem, o paço senhorial deveria corresponder a uma domus fortis, ou torre forte, "modelo habitacional adoptado sobretudo por pequenas linhagens, em processo de ascensão social" (ALMEIDA e BARROCA, 2002, p.103). A planta quadrangular da estrutura (que parece transposta de uma cerca de um qualquer castelo) e a sua pouca altura (de dois pisos apenas) favorece esta interpretação, mas será necessário aguardar por um rigoroso estudo monográfico para melhor fundamentar esta ideia, incluindo a sua provável cronologia, que situamos pelos séculos XIII-XIV, mas igualmente de forma provisória, sugestionados mais pelo grande sucesso das casas fortes nestas centúrias que pela análise rigorosa do monumento.
Se a datação medieval da primitiva torre nos escapa, não parecem restar grandes dúvidas a respeito a respeito da obra moderna, atestada por uma inscrição com a data de 1650, que encima uma das portas do corpo lateral. Esta epígrafe tem sido tomada como indicador das obras de ampliação do paço (AZEVEDO, 2ªed., 1988, p.105) e coaduna-se com o programa arquitectónico e estilístico do monumento. Alguns arcaísmos da construção (como a inclusão de ameias ou as janelas geminadas com mainel) poderia anunciar uma fase construtiva anterior - de época quinhentista, eventualmente na sequência da instituição do morgadio, por volta de 1478 -, mas, como salientou Carlos de AZEVEDO, ibidem, estas particularidades surgem na arquitectura senhorial do Entre-Douro-e-Minho até épocas bem tardias, incluindo o século XVIII, testemunhando, desta forma, o eco que as soluções quinhentistas de aparato cenográfico tiveram nas casas da Nobreza fundiária durante a época moderna.
À torre medieval foi acrescentado um segundo corpo, de planta longitudinal e de dois pisos, que se liga à estrutura primitiva por meio de um terraço com duplo arco abatido, a que se acede por escadaria colocada paralela à face da torre, com corrimão de cantaria rematado nos extremos por volutas. O novo corpo residencial possui dois arcos de vola perfeita no piso inferior e três janelas quadrangulares e rectas, maineladas, no superior, abertas de forma simétrica no alçado. Todo o conjunto é coroado por ameias, dispostas sobre plataforma acima da cornija que suporta o telhado, deixando um pequeno espaço vazio, sintoma da cronologia tardia da sua feitura.
A extensão das obras seiscentistas alargaram-se a toda a propriedade, construindo-se uma capela, de que resta a fachada principal (de pano único limitado por pilastras e com portal de padieira recta) e uma fonte de tanque rectangular e espaldar granítico em cujo eixo se situa a boca (esta em forma de busto de cavalo).
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

O Concelho de Barcelos Aquém e Além Cávado (1948), 2ªed. fasimiliada

Local

Barcelos

Data

1987

Autor(es)

FONSECA, Teotónio da

Título

Solares Portugueses

Local

Lisboa

Data

1988

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de