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Salinas da Fonte da Bica - detalhe

Designação

Designação

Salinas da Fonte da Bica

Outras Designações

-

Categoria / Tipologia

Arqueologia / Salina

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Santarém / Rio Maior / Rio Maior

Endereço / Local

EN 1,114, a cerca de 6 km. de Rio Maior
Fonte da Bica

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 67/97, DR, I Série-B, n.º 301, de 31-12-1997 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

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Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

As Salinas da Fonte da Bica, também conhecidas por Marinhas de Sal de Rio Maior, são um património e uma actividade emblemáticos do concelho, a ponto de haver uma referência às suas pirâmides no próprio brasão autárquico. A exploração testemunha-se desde os tempos romanos e terá continuado pela Idade Média, havendo documentos que referenciam a actividade desde, pelo menos, 1177 (diploma em que parte das salinas passaram para a posse dos Templários). No século XV, o conjunto era importante o suficiente para o próprio monarca (D. Afonso V) ser proprietário de cinco talhos.
As salinas implantam-se no sopé da Serra dos Candeeiros e têm a particularidade de se localizar a cerca de 30 Km do oceano Atlântico, facto que constitui um verdadeiro fenómeno natural. Este é formado a partir de uma jazida de sal-gema que é atravessada por um dos muitos cursos de água subterrâneos que percorrem o território calcário. A jazida contém um poço-mãe de aproximadamente oito metros de profundidade e quatro de largura, que é, desde há séculos, o verdadeiro centro alimentador desta indústria.
À superfície, as salinas ocupam uma área na ordem dos 22.000m2, estruturada em cerca de 470 tanques escavados, os quais eram originalmente limitados por baratas (secções uniformes de tábuas de madeira, algumas das quais regularizadas artificialmente para formar lajes onde se branqueia o sal) e, mais recentemente, por estruturas de tijolo e pedra. Do complexo fazem ainda parte 70 esgoteiros, onde é colocada a água antes de ser dispersa pelos talhos, e numerosos caminhos interiores, que permitem a deslocação entre talhos e o transporte do sal para o exterior.
O sistema de exploração é algo demorado: depois de retirada a água do poço-mãe (líquido que contém um teor de cloreto na ordem dos 200 a 300 gramas de sal por litro, na prática sete vezes mais salgada que a água do Atlântico), originalmente através de picotas, ou cegonhas - instrumento de ascendência árabe - esta é dispersa pelos múltiplos talhos, onde fica a evaporar durante sete dias. Só posteriormente entram em cena os marinheiros (também chamados canadeiros), que têm como função remover e tratar o sal obtido, armazenando-o em típicas casotas de madeira, de tabuado vertical, algumas das quais ainda existentes.
Desde 1979 a indústria é gerida pela Cooperativa Agrícola dos Produtores de Sal de Rio Maior, consórcio local criado nesse ano e que tem lutado pela manutenção do fabrico artesanal do sal, recusando sistematicamente qualquer intromissão de processos mecânicos.
PAF

Imagens

Bibliografia

Título

"Nos caminhos do Sal.
Itinerários turístico-culturais da Região de Lisboa e do Vale do Tejo"

Local

Lisboa

Data

1998

Autor(es)

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