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Cinema São Jorge, incluindo o património integrado - detalhe

Designação

Designação

Cinema São Jorge, incluindo o património integrado

Outras Designações / Pesquisas

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Cinema

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Lisboa / Santo António

Endereço / Local

Avenida da Liberdade
Lisboa

Número de Polícia: 175-175 B

Rua Júlio César Machado
Lisboa

Número de Polícia: 8-10

Proteção

Situação Actual

Em Vias de Classificação

Categoria de Protecção

Em Vias de Classificação (com Despacho de Abertura)

Cronologia

(A designação só será alterada para património móvel integrado com a publicação da portaria de classificação)
Anúncio n.º 37/2019, DR, 2.ª série, n.º 53, de 15-03-2019 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 28-11-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Proposta de 12-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para a classificação como MIP
Anúncio n.º 244/2015, DR, 2.ª série, n.º 210, de 27-10-2015 (ver Anúncio)
Despacho de 27-08-2015 do diretor-geral da DGPC a determinar a abertura de novo procedimento da classificação
Proposta de 7-08-2015 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC para abertura de novo procedimento de classificação
Despacho de homologação de 26-10-1989 do Secretário de Estado da Cultura (processo perdido)

ZEP

Anúncio n.º 37/2019, DR, 2.ª série, n.º 53, de 15-03-2019 (ver Anúncio)
Parecer favorável de 28-11-2018 da SPAA do Conselho Nacional de Cultura
Em 13-02-2017 foi solicitado à CM de Lisboa parecer sobre a proposta de ZEP
Proposta de 12-01-2017 do Departamento dos Bens Culturais da DGPC

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
O Cinema São Jorge, localizado na Avenida da Liberdade, em Lisboa, foi projetado como uma sala de exceção, desde logo pela sua capacidade de 1827 lugares (913 na plateia e 914 nos três grupos do balcão). Este facto obrigou à ampla utilização de betão armado, nomeadamente para vencer o arrojado vão do balcão. A enorme sala foi concebida com os conceitos e com a tecnologia mais avançada à época, nomeadamente a sua disposição espacial, com a planta de piso inclinado, forma trapezoidal, ecrã localizado no lado menor e lado maior convexo para servir de diretriz às filas de cadeiras concêntricas. Inovações que se estendiam aos equipamentos de ar condicionado, aquecimento, vácuo e eletricidade, para além de requintes como o palco elevatório com o famoso órgão Compton que fazia a diferença face às salas da concorrência. Conforto e distinção que se procurou ainda com a criteriosa seleção de materiais (madeiras, alcatifas e estuques) e de desenho (nomeadamente em termos de iluminação indireta).
São ainda de destacar os dois foyers (plateia e balcão), importantes condensadores sociais, espaços dentro do espaço, verdadeiros protagonistas da ação, com as suas generosas dimensões, de fácil acesso ao exterior (segurança na evacuação), inundados de luz natural, cuidada decoração e iluminação indireta (de Fred Kradofler), e serviços associados (bar, bengaleiro e instalações sanitárias de exceção) que convidavam aos encontros sociais que o ritmo das sessões e do negócio então permitiam.
A sua mole apresenta uma monumentalidade justificada, ao nível da fachada principal, pelo virtuosismo de conseguir animar uma gigantesca fachada quase cega, onde funcionalmente pouco acontece, com um caráter de necessidade subtil pelos motivos com que se desenha, nomeadamente as longas faixas verticais que, em disposição central, estruturam todos os outros motivos arquitetónicos que giram à sua volta e permitem, além do mais, o jogo de iluminação noturna e a suspensão de grandes telas publicitárias.
História
A ideia do Cinema São Jorge começa a tomar forma quando o industrial João Rocha faz sociedade com a empresa Rank British Picture Corporation constituindo, para o efeito, a Sociedade Anglo-Portuguesa de Cinemas, Lda.
O processo inicia-se com dois anteprojetos em 1947, da responsabilidade dos arquitetos Leonard Allen e Fernando Silva. O projeto final data de fevereiro de 1950 e é da responsabilidade de Fernando Silva.
A conceção do Cinema São Jorge revelou-se um enorme desafio pela importância urbana da sua localização, pela necessidade de otimizar o investimento (maximização do número de lugares), pelas incertezas ao nível das diretrizes camarárias (a hipotética realização de um PU para o local), pelo rigor da legislação em vigor (nomeadamente em termos de segurança), pela grande exigência de conforto (pelo nível de qualidade e prestígio associado à empresa britânica), pela urgência da conclusão da obra (face à saída iminente da lei de proteção ao teatro e, ainda, pela antecipação à concorrência dos cinemas Monumental e Império) a que acrescem as dificuldades colocadas por um lote relativamente pequeno e com uma pendente significativa.
A sala abre ao público a 24 de fevereiro de 1950. Nesse mesmo ano vence o Prémio Municipal de Arquitetura.
Passadas as décadas de ouro do cinema, a sala do São Jorge passa por graves dificuldades económicas com a agravante de ser uma das maiores salas da capital, o que leva a que se sucedam os projetos de reconversão tendo em vista a sua rentabilização. É assim que em 1981, com projeto do engenheiro Artur Pinto Martins, a sala é subdividida em três, permitindo o seu funcionamento durante mais uma década. Em 1991 a CML decide-se pela sua compra e adapta o espaço a um leque alargado de espetáculos, como o teatro e a música, para além do cinema.
Paulo Duarte
DGPC, 2016

Imagens

Bibliografia

Título

A Arte em Portugal no século XX

Local

Lisboa

Data

1991

Autor(es)

FRANÇA, José-Augusto

Título

Arquitectura Moderna Portuguesa 1920-1970. Um Património a Conhecer e Salvaguardar

Local

Lisboa

Data

2004

Autor(es)

AA.VV.

Título

Os Verdes Anos na Arquitectura Portuguesa dos Anos 50

Local

-

Data

-

Autor(es)

-

Título

Arquitectura Moderna e Obra Global a partir de 1900

Local

Porto

Data

2009

Autor(es)

TOSTÕES, Ana