Ponte medieval de Vilela - detalhe
Designação
Designação
Ponte medieval de Vilela
Outras Designações / Pesquisas
Ponte Medieval de Vilela (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)
Categoria / Tipologia
Arquitectura Civil / Ponte
Inventário Temático
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Localização
Divisão Administrativa
Viana do Castelo / Arcos de Valdevez / Vilela, São Cosme e São Damião e Sá
Endereço / Local
Lugar de Sub-Igreja
Vilela
Proteção
Situação Actual
Classificado
Categoria de Protecção
Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público
Cronologia
Decreto n.º 29/90, DR, I Série, n.º 163, de 17-07-1990 (ver Decreto)
ZEP
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Zona "non aedificandi"
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Abrangido em ZEP ou ZP
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Abrangido por outra classificação
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Património Mundial
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Descrição Geral
Nota Histórico-Artistica
A ponte de Vilela é uma ponte tipicamente medieval, sem vestígios de anteriores estruturas romanas, ao contrário de um considerável número de exemplares dos séculos XII a XV que reutilizaram antigas passagens construídas nos primeiros séculos da nossa Era.
A primeira referência conhecida consta das Inquirições de 1258, altura em que já se refere o topónimo "Ponte", facto que prova a sua existência por esta altura (DGEMN on-line). Ainda que desconheçamos a data em que foi construída, a opinião de que se trata de um monumento dos meados do século XIII (RIBEIRO, 1998, p.167) ou ligeiramente anterior, ainda da primeira metade da centúria (ALMEIDA, 1987, p.135), é razoável face ao que conhecemos acerca da evolução estilística destas estruturas durante a Idade Média.
Ela compõe-se de dois arcos apontados desiguais - o mais perto da margem direita de menor vão e o que repousa na margem esquerda de maior abertura -, diferença explicável pela existência de uma campanha reformadora no final da Idade Média (ALMEIDA, 1987, p.135). De facto, poderíamos supor que esta solução atípica fosse o resultado de adaptação da ponte às duas margens, o que estaria na origem das diferenças do tabuleiro, "com uma rampa bastante inclinada do lado da margem direita e em suave declive do lado da margem esquerda, vencendo assim o desnível acentuado que se verifica entre as duas margens" (RIBEIRO, 1998, p.167). No entanto, é mais natural que ela corresponda a uma empreitada posterior, optando-se por um arco quebrado de maior vão, por forma a elevar a estrutura e a colocá-la mais facilmente ao nível da margem. Entre os arcos, e virado a montante, existe um talhamar prismático, "já sem função estrutural" (RIBEIRO, 1998, p.167), que servia de reforço estrutural à primitiva configuração da ponte.
O tabuleiro mantém grande parte do revestimento medieval, com piso constituído por lajeado de granito de grandes dimensões, mas de talhe imperfeito e disposição irregular. É protegido por guardas de cantaria dispostas verticalmente, característica que parece indicar outras reformas ao longo dos séculos de que se desconhecem a data e os trabalhos efectuados. Com um comprimento de 60 metros e uma largura de 4,20 metros, serviu, até hoje, como ponto fundamental de passagem entre as duas margens do rio Vez, substituindo-se os medievais carros de tracção animal pelos modernos veículos de ligeiros e pesados.
No século XVII, em plena Guerra da Restauração, o exército espanhol retirou de território português por esta ponte, sinal de que continuava funcional e poderia servir eficazmente de caminho por onde passar um pesado exército de infantaria. Também da Idade Moderna é o conjunto de alminhas na margem esquerda, onde se pintou uma rude e fruste representação de Santa Luzia. Ainda neste local, existem vestígios de uma antiga capela, provavelmente da mesma invocação que as alminhas, elemento de sacralidade dos caminhos e das passagens ribeirinhas, cuja tradição remonta à Idade Média e que tantos exemplos deixou na paisagem humanizada do nosso país.
Com função ininterrupta até aos nossos dias, o trânsito rodoviário assume-se como um dos problemas de sustentabilidade da ponte, a que se junta a falta de manutenção e de limpeza das juntas. Monumento fundamental para a história regional e para a história da actividade pontística medieval, a ponte de Vilela mantém-se como um imóvel simbólico dos antigos caminhos e das marcas de humanização do Entre-Douro-e-Minho, numa região claramente periférica, mas onde, por isso mesmo, as marcas da medievalidade melhor se conservaram.
PAF
Bibliografia
Título
Pontes Antigas Classificadas
Local
Lisboa
Data
1998
Autor(es)
RIBEIRO, Aníbal Soares
Título
Alto Minho
Local
Lisboa
Data
1987
Autor(es)
ALMEIDA, Carlos Alberto Ferreira de
Título
Pontes Medievais nos Arcos-de-Valdevez , Portvcale, vol. 1, n.º 2, pp.148- 156
Local
Porto
Data
1928
Autor(es)
PEREIRA, Félix Alves
