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Marco granítico n.º 3 - detalhe

Designação

Designação

Marco granítico n.º 3

Outras Designações / Pesquisas

Marco no Lugar da Muda / Marcos de Demarcação da Zona de Produção de Vinhos Generosos do Douro em Alijó (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Civil / Marco

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Vila Real / Alijó / Favaios

Endereço / Local

- -
Lugar da Muda

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 35 909, DG, I Série, n.º 236, de 17-10-1946 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Imóvel
Localizado no lugar da Muda, pertencente à Quinta da Pedra Alta, em Favaios, concelho de Alijó, o marco granítico n.º 3 integra um vasto conjunto de padrões tipologicamente semelhantes que demarcam geograficamente a denominada Região Vinhateira do Alto Douro, ou Alto Douro Vinhateiro.
Este marco, tal como os que se encontram classificados com os números 1 e 2, está implantado junto à Estrada 1286, na vertente que, à direita, desce em direção ao Rio Pinhão. O marco apresenta-se em forma de paralelepípedo, com remate liso, exibindo na face principal, voltada ao caminho, a inscrição "FEITORIA 1761", dividida em três linhas. O padrão mede 97 cm de altura por 39 cm de largura, apresentando uma pequena falha no canto superior esquerdo.
História
Embora se conheçam referências documentais ao Vinho do Porto desde o terceiro quartel do século XVII, será a partir do Tratado de Methuen, celebrado em 1703 entre Portugal e Inglaterra, que este produto começou a granjear o prestígio que ainda hoje detém. O referido acordo entre as duas coroas estimulou de forma notória a produção nacional, procedendo-se então à reestruturação dos vinhedos e elegendo-se os terrenos da zona do Cima Corgo para a sua produção.
No entanto, a elevada produção da região, que transformou totalmente a sua paisagem e passou a dedicar-se em exclusivo à vinha, levou a uma crise de superprodução de vinho, apenas ultrapassada com a criação da Companhia Geral da Agricultura das Vinhas do Alto Douro, no ano de 1756, por iniciativa do ministro Sebastião José de Carvalho e Melo, futuro Marquês de Pombal. O estabelecimento da Companhia teve como objetivo demarcar a região vinícola do Alto Douro, garantindo assim a qualidade do vinho e criando a primeira zona mundial de origem controlada no sentido em que é hoje entendido esse conceito.
Foi justamente no âmbito desta medida que em 1757 se procedeu à demarcação da área dos terrenos de produção vinícola, ou dos vinhos de "feitoria", através da colocação de 201 marcos de granito, aos quais se juntaram, em 1761, mais 134 marcos. Este vasto conjunto de imponentes padrões de pedra marca uma extensa região que se estende ao longo do troço médio do vale do Douro e parte dos seus afluentes, definida entre Barqueiros e Freixo de Espada à Cinta, subdividindo-se, grosso modo, nas três sub-regiões do Baixo Corgo, Cima Corgo e Douro Superior.
Executados em granito, estes padrões paralelepipédicos foram gravados com a designação "Feitoria", havendo nalguns casos a adição do ano em que foram colocados. A demarcação e a respetiva colocação dos marcos foram realizadas pela Comissão Demarcante, constituída por Carvalho e Melo; o texto resultante deste trabalho permite identificar as vinhas demarcadas, os seus proprietários e o local de implantação original do marco.
Em 1946 grande parte dos marcos pombalinos foram classificados como de interesse público, sendo então catalogados com um número. Estão integrados na classificação do Alto Douro Vinhateiro, inscrito em 2001 na lista de Património Mundial da UNESCO e classificado como Monumento Nacional desde 2010.
Este marco, classificado com o n.º 3, foi o quinto marco da ampliação da demarcação original da área entre Sabrosa, Couto de Provesende e Gouvães. Originalmente estava colocado à porta de um moinho, pertencente a Diogo Fernandes, tendo a colocação sido paga por Francisca Joana de Freitas, à época dona da Quinta da Ribeira da Silva.
A vinha onde se encontra este padrão foi surribada em finais do século XX; o atual proprietário dos terrenos teve, então, o cuidado de remover o marco, para evitar qualquer tipo de deterioração, voltando a recolocá-lo depois junto a um dos patamares.
Catarina Oliveira
DGPC, 2018
(com a colaboração do Museu do Douro)

Imagens

Bibliografia

Título

As demarcações pombalinas no Douro vinhateiro

Local

Porto

Data

1951

Autor(es)

FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da

Título

As demarcações marianas no Douro vinhateiro

Local

Porto

Data

1996

Autor(es)

FONSECA, Álvaro Baltasar Moreira da

Título

Marcos da Demarcação

Local

Peso da Régua

Data

2007

Autor(es)

AA.VV.