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Património Cultural

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (a antiga Lobagueira dos Lobatos), incluindo o seu recheio - detalhe

Designação

Designação

Igreja de Nossa Senhora da Encarnação (a antiga Lobagueira dos Lobatos), incluindo o seu recheio

Outras Designações / Pesquisas

Igreja Paroquial de Encarnação / Igreja de Nossa Senhora da Encarnação e São Domingos (Ver Ficha em www.monumentos.gov.pt)

Categoria / Tipologia

Arquitectura Religiosa / Igreja

Inventário Temático

-

Localização

Divisão Administrativa

Lisboa / Mafra / Encarnação

Endereço / Local

-- a cerca de 15 km de Mafra
-

Proteção

Situação Actual

Classificado

Categoria de Protecção

Classificado como IIP - Imóvel de Interesse Público

Cronologia

Decreto n.º 37 077, DG, I Série, n.º 228, de 29-09-1948 (ver Decreto)

ZEP

-

Zona "non aedificandi"

-

Abrangido em ZEP ou ZP

Abrangido por outra classificação

Património Mundial

-

Descrição Geral

Nota Histórico-Artistica

Erguida onde outrora existiu uma ermida dedicada a Santa Catarina, a igreja de Nossa Senhora da Encarnação começou a ser construída no início do século XVII, numa campanha que se arrastou consideravelmente. Na realidade, se boa parte da arquitectura é seiscentista, quase todo o interior data já do século XVIII, incluindo-se, nesta última fase, a edificação das duas torres sineiras sobre a fachada. Pertença da casa de Belmonte até meados do século XX, só há relativamente pouco tempo foi doada ao Patriarcado de Lisboa, oficializando-se, assim, a sua função de igreja paroquial que desempenhava desde 1755, quando o Terramoto destruiu a primitiva matriz, em Fanga da Fé (LUCENA, 1987, p. 78).
Dominando o largo em que se insere, do alto da escadaria que a precede, a igreja apresenta uma configuração monumental, com soluções pouco comuns no contexto arquitectónico nacional. Na realidade, o templo é precedido por uma galilé, rasgada ao centro por um arco e por uma janela de sacada com grade de ferro. Os corpos laterais, aos quais correspondem as torres, são delimitados por duas pilastras. Sobre a cimalha, as torres sineiras, já da última década do século XVIII, são rematadas por cúpulas vasadas por um óculo e, ao centro um frontão recuado é antecedido por um relógio. Contudo, a singularidade do conjunto encontra-se nos alpendres laterais, apoiados em colunas, que prolongam a fachada da galilé e se estendem sobre os alçados da nave.
No interior, de nave única, a primeira campanha decorativa é denunciada pelos azulejos de padrão seiscentista, em tons de azul e amarelo, que revestem a zona inferior das paredes do templo. Estuques vegetalistas ornamentam a zona superior dos alçados da nave. Observam-se duas capelas laterais, uma das quais dedicadas a São Pedro, datada de 1753 e com retábulo de mármore, cujo modelo poderá ter tido origem nos retábulos da basílica de Mafra (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21). Ainda na nave, encontramos um púlpito de talha dourada, também do século XVIII, e no coro-alto um órgão atribuído a António Xavier Machado e Cerveira, para além de azulejos seiscentistas e outros de figura avulsa, já da centúria seguinte.
É, todavia, a capela-mor que merece especial atenção. As paredes são revestidas por azulejos azuis e brancos, executados, muito possivelmente, em meados do século XVIII (SIMÕES, 1997, p. 304), e que representam a Adoração dos Magos e a Adoração dos Pastores. Apesar de Santos Simões referir que o desenho de ambos é fraco, o brilho e a cenografia que emprestam a este espaço é muito significativo, conjungando-se com outros painéis, situados nos vãos das janelas, onde se exibem vários emblemas marianos, oriundos das Litanias - sol, estrela, lua, espelho, cipreste, lírio, e rosa - e que evocam a pureza da Virgem. Ou seja, uma iconografia seleccionada claramente em função da dedicação do templo a Nossa Senhora da Encarnação. A mesma temática da Vida da Virgem está presente nas seis telas, atribuíveis ao pintor André Gonçalves (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21), bem como no tecto, onde se representa a Assunção da Virgem e ainda no retábulo-mor. Este último, foi executado em talha dourada de estilo nacional, exibe colunas torsas e, ao centro, um medalhão com a Anunciação. No camarim, a imagem de Nossa Senhora que, de acordo com a tradição, veio da Sé de Lisboa (AZEVEDO, FERRÃO, GUSMÃO, 1963, p. 21).
Assim, verificamos como a dinâmica exterior do templo, com o bem ritmado alpendre que percorre a fachada principal e as laterais, encontra, no interior, um mesmo sentido cenográfico que se consubstancia naqueles que foram os elementos mais recorrentes do período barroco, ou seja, a talha, a pintura, o azulejo em neste caso, o mármore.
(Rosário Carvalho)

Imagens

Bibliografia

Título

Azulejaria em Portugal no século XVIII

Local

Lisboa

Data

1979

Autor(es)

SIMÕES, J. M. dos Santos

Título

Carta do Património do Concelho de Mafra. 1 - Lavabos de Sacristia, Boletim Cultural '97, pp.371-396

Local

Mafra

Data

1998

Autor(es)

VILAR, Maria do Carmo

Título

Monografia de Mafra

Local

Mafra

Data

1987

Autor(es)

LUCENA, Armando de

Título

Monumentos e Edifícios Notáveis do Distrito de Lisboa, vol. III (Mafra, Loures e Vila Franca de Xira)

Local

Lisboa

Data

1963

Autor(es)

AZEVEDO, Carlos de, FERRÃO, Julieta, GUSMÃO, Adriano de

Título

Identidades. Património Arquitectónico do Concelho de Mafra

Local

Mafra

Data

2009

Autor(es)

FERNANDES, Paulo Almeida, VILAR, Maria do Carmo